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Cristãos da Cisjordânia e de Gaza autorizados a visitar os lugares santos

Israel concedeu 10.000 autorizações de Natal aos cristãos da Cisjordânia e de Gaza para irem aos lugares santos para rezar. Número de peregrinos volta aos níveis de 2017.

Foto: Pierbattista Pizzaballa, Patriarca de Jerusalém, na Missa de Natal – Vatican News

Foto: Pierbattista Pizzaballa, Patriarca de Jerusalém, na Missa de Natal – Vatican News

Redação (26/12/2022 11:07, Gaudium Press) Celebrações natalinas sem restrições e com muitos peregrinos: é o que se vive na Terra Santa, que voltou a uma situação de normalidade pré-pandêmica de Covid, como descrito nos últimos dias pelo patriarca latino de Jerusalém, Pierbattista Pizzaballa, e também pelo Padre Ibrahim Faltas, vigário da Custódia da Terra Santa, que informou que, no Natal, as autoridades israelenses concederam mais de dez mil autorizações aos cristãos da Cisjordânia e de Gaza, válidas até 20 de janeiro de 2023, para viajar a Belém e aos outros lugares santos para rezar e encontrar seus parentes.

Celebrações na noite de Natal

Na Gruta da Natividade, durante a noite de Natal, as funções foram celebradas pelo Frei Francesco Patton, Custódio da Terra Santa. Na cidade, o número de peregrinos voltou aos níveis de 2017, e as autoridades esperam alcançar em breve os níveis recordes de 2019. Celebrando a missa da meia-noite em Belém, o patriarca latino de Jerusalém, Pierbattista Pizzaballa denunciou “uma violência crescente, antes de tudo na linguagem da política”. “A violência”, disse ele, “parece ter se tornado nossa língua principal”. A missa também contou com a presença do presidente e primeiro-ministro palestino, Mahmoud Abbas e Mohammad Ibrahim Shtayyeh.

Preocupação com o rompimento do equilíbrio

Pizzaballa mais uma vez expressou preocupação com novo governo em Israel, “onde existe o risco de romper o já frágil equilíbrio entre as diferentes comunidades religiosas e étnicas que compõem a sociedade”. “A política tem a tarefa de servir o país e seus habitantes, de trabalhar pela harmonia entre as diferentes comunidades sociais e religiosas do país e traduzi-las em ações concretas e positivas no terreno, e não fomentando divisões ou, pior, ódio e discriminação”, acrescentou o patriarca. “Este ano, ademais”, continuou ele, “vimos um aumento da violência nas ruas e praças palestinas, com um número de mortes que nos leva décadas atrás. É um sinal do aumento preocupante da tensão política e do crescente mal-estar, especialmente entre nossos jovens, sobre a solução cada vez mais distante para o conflito em curso”.

Um futuro de grandes expectativas

Frei Rami Asakrieh, da Custódia Franciscana da Terra Santa, pároco em Belém da Igreja de Santa Catarina, junto ao Santuário da Natividade, também fala de grande esperança para o futuro. “Depois do fim da Covid”, disse ele à Rádio Vaticano – Vatican News, “agora temos grandes expectativas. Vemos tantos grupos, é um Natal cheio de gente, como sempre”. O desejo de frei Rami é que as guerras também possam ser interrompidas neste momento, como a da Ucrânia, que, além do drama vivido pelos civis daquele país, também tem repercussões muito pesadas sobre os cristãos da Terra Santa, já duramente provados. O pior, porém, foi causado pela pandemia de Covid.

Com a Covid, cada vez menos doações

“Penso”, continua o frade, “que os tempos que acabaram de passar foram piores que a intifada[1], piores que qualquer conflito, porque pelo menos durante a intifada tivemos benfeitores, recebemos doações e muitas pessoas tiveram a capacidade de ajudar, especialmente os países cristãos europeus. Com a crise mundial de Covid, aqueles que estavam doando começaram a fazê-lo cada vez menos, o vírus afetou todas as economias, e isto tornou tudo difícil para a Custódia da Terra Santa. O turismo é o principal recurso em Belém, aqui cada trabalho, de mercearias a barbeiros, de transporte a hotéis e guias turísticos, está ligado ao turismo. A pandemia fez com que todos passassem por um momento muito difícil.”

O compromisso da Igreja

“A Igreja, neste momento, é, portanto, chamada a usar todas as suas forças para estar ao lado das pessoas, numa tentativa de fortalecer o homem interior”, explica o religioso, “porque se criarmos pessoas de fé, pessoas fortes por dentro, pessoas humildes que aceitam o que está por vir, que agradecem a Deus, que respeitam o Senhor em suas vidas e que acreditam na Providência, isto ajuda muito, pelo menos eles têm liberdade interior, porque o exterior é muito limitado, e por isso tentamos fortalecer estas pessoas com a palavra de Deus, com os sacramentos e com as atividades pastorais”.

“E há muitas atividades em Belém, confiadas a grupos de jovens, grupos de escoteiros, que também organizam celebrações de Natal, assim como grupos de oração. Tentamos fazer o nosso melhor, tentamos dar aos cristãos uma vida digna, para que possam viver pacificamente com suas famílias e resistir a esta situação de medo e instabilidade”, concluiu o pároco.


[1] Intifada: é o nome popular das insurreições dos palestinos da Cisjordânia contra Israel. O termo surgiu após o levante que rebentou a partir de 9 de dezembro de 1987, com a população civil palestiniana atirando paus e pedras contra os militares israelitas. Este levante seria conhecido mais tarde como “Primeira Intifada” ou “guerra das pedras”. Com a recusa de Arafat em aceitar a proposta de paz de Israel, a “Segunda Intifada” palestiniana, também conhecida como a intifada de Al-Aqsa, teve início em 29 de setembro de 2000, no dia seguinte à caminhada de Ariel Sharon pela Esplanada das Mesquitas e no Monte do Templo, nas cercanias da mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém — área considerada sagrada tanto por muçulmanos quanto por judeus.

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