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As aparências do pecado enganam

Certas pessoas não compreendem suficientemente a gravidade de certos pecados de malícia cometidos com toda a frieza, com presunçosa moderação e gestos de benevolência e tolerância.

Redação (07/09/2021 12:12, Gaudium Press) “O pecado de malícia procede frequentemente de algum vício engendrado por múltiplas faltas; mas também pode existir sem tal vício; assim, o primeiro pecado do demônio foi um pecado de malícia, não habitual, mas sim de malícia atual, de má vontade, de uma embriaguez de orgulho.

É evidente que o pecado de malícia é mais grave que os de ignorância e de fraqueza, ainda que estes possam ser mortais. Por isso as leis humanas castigam com mais rigor o homicídio premeditado que o cometido por paixão.

A principal gravidade dos pecados de malícia provém do fato de que estes são mais voluntários que os outros; geralmente procedem de um vício engendrado por faltas reiteradas, e, ao cometê-los, se antepõe um bem temporal à divina amizade, sem a escusa de ignorância ou de uma violenta paixão.

Em tais questões as pessoas podem se enganar de duas maneiras distintas. Uns se inclinarão a pensar que somente o pecado de malícia pode ser mortal. Estes não compreendem bem a gravidade de certos pecados de ignorância voluntária ou de fraqueza, nos quais, não obstante, existe matéria grave, suficiente advertência e consentimento pleno.

Outros, pelo contrário, não compreendem suficientemente a gravidade de certos pecados de malícia cometidos com toda a frieza, com presunçosa moderação e gestos de benevolência e tolerância.

Os que desta forma combatem a verdadeira religião e privam os pequenos do pão da verdade divina podem, ocasionalmente, pecar mais gravemente do que aqueles que blasfemam e que matam em impulsos de paixão.

A falta é tanto mais grave quanto mais é cometida com mais vontade e conhecimento, e quanto mais procede do desordenado amor a si mesmo que às vezes chega até o desprezo de Deus”.


In: GARRIGOU-LAGRANGE, Réginald. Las tres edades de la vida interior. Buenos Aires: Desclée de Brouwer, 1950, 3 ed., p. 362. (Tradução da Gaudium Press).

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