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São Pio V: exemplo de amor a Maria

São Pio V, o Papa do Rosário, introduziu na Ladainha Lauretana a invocação de Nossa Senhora Auxiliadora dos Cristãos, em agradecimento pela intervenção de Maria Santíssima na Batalha de Lepanto.

Redação (30/04/2021 09:47, Gaudium Press) Em 1571, os turcos maometanos devastavam os Bálcãs, e sua enorme frota de guerra espalhava o terror no mar Mediterrâneo, com a intenção de extinguir por completo a chama da catolicidade na Europa.

Uma invasão da Europa ocidental estava iminente, e o único modo de evitá-la seria quebrar o poderio naval islamita. Era urgente formar uma aliança dos príncipes católicos e armar uma esquadra capaz de fazer frente ao inimigo da Fé cristã.

No Golfo de Lepanto

Nesse contexto de alto risco para a Cristandade, o Pontífice felizmente reinante era um dominicano santo: o Cardeal Ghislieri, grande inquisidor da Santa Igreja, havia sido eleito Papa com o nome de Pio V.

O Sacro Império Alemão encontrava-se dividido entre católicos e protestantes, a França estava dilacerada pelas guerras de religião e, no horizonte, despontava a maior ameaça do Islã contra a civilização europeia…

O único país que poderia se tornar o braço armado da Igreja era a Espanha, governada na época por Felipe II, homem de fé mas extremamente indeciso.

Apesar desse panorama desolador, São Pio V conseguiu organizar a Santa Liga a fim de opor resistência à frota otomana.

Varão contemplativo, fogoso e de extraordinária devoção ao Rosário, ele converteu em ação toda a energia de sua alma, revelando-se o verdadeiro herói do embate que o futuro conheceria como Batalha de Lepanto.

Com pertinaz insistência pressionou diplomaticamente o monarca espanhol, coligando-o às Repúblicas de Veneza e de Gênova. O próprio Estado Pontifício cedeu alguns navios para a armada cristã.

Dom João de Áustria, irmão de Felipe II, seria o comandante em chefe da expedição. Jovem de qualidades militares excepcionais e de coragem quase temerária teria em Marco Antonio Colonna seu lugar-tenente. Este experiente almirante italiano era senhor de Genazzano e terno devoto da Mãe do Bom Conselho.

No dia da confrontação, 7 de outubro de 1571, São Pio V trabalhava em Roma com alguns Cardeais quando, movido por forte inspiração interior, recolheu-se na capela.

Após alguns instantes saiu radiante, declarando a todos: a batalha foi vencida, triunfou o estandarte da Cruz! Somente um mês depois chegaria a notícia oficial por estafeta. Roma, porém, havia muito estava em festa.

Também em Genazzano se comemorou a vitória, e alguns dos despojos dos turcos foram depositados aos pés do afresco da Virgem, em sinal de gratidão pela colossal e miraculosa derrota do adversário.

Verdadeiro heroísmo

O heroísmo não é apenas o ato pelo qual o homem enfrenta o risco de perder a vida ou a integridade física. Mas é a atitude pela qual o homem enfrenta qualquer grande dor ou grande infortúnio. Isso caracteriza o herói. Há dores morais e dores físicas. E muitas vezes as dores morais atormentam incomparavelmente mais, sendo mais difícil enfrentá-las do que as dores físicas.

Nossa Senhora, embora não tenha derramado o próprio sangue, foi atravessada pelo gládio da dor moral aos pés da Cruz de seu Filho, a ponto de a Igreja aclamá-La como Rainha dos Mártires.

Ao longo dos séculos, ninguém sofreu como Ela. Pois bem, o autêntico heroísmo consiste em suportar com firmeza as decepções, dificuldades e toda sorte de males.

Desse espírito participou São Pio V, não só por sua força de alma, capaz de dobrar as mais persistentes resistências, mas, sobretudo, pela disposição heroica de tudo enfrentar e sofrer. Especialmente quando se viu chamado a combater os fatores de desagregação da Cristandade, a heresia borbulhante em plena expansão e o grande poderio turco. Com fé em sua Senhora, tudo enfrentou e tudo venceu, dando a Ela a glória de ser reconhecida pelos católicos enquanto Rainha das Vitórias.

Mais tarde, São Pio V acrescentou na Ladainha de Nossa Senhora a invocação Auxilium Christianorum, em agradecimento pela vitória de Lepanto.

Mons João Scognamiglio Clá Dias, EP.

 

Texto extraído, com adaptações, do livro Maria Santíssima! O Paraíso de Deus revelado aos homens. 

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