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“Autoajuda ou ajuda do Alto?”: O temperamento sanguíneo

Figuras excepcionais como São Pedro Apóstolo, Santo Agostinho e Santa Teresa D’Ávila bem podem se enquadrar no que chamamos temperamento sanguíneo.

O artista Albrecht Dürer representou os humores na obra Quatro Apóstolos: os temperamentos melancólico, sanguíneo, colérico e fleumático são incorporados, respectivamente, por São João, São Pedro, São Paulo e São Marcos. Foto: Wikipedia

O artista Albrecht Dürer representou os humores na obra Quatro Apóstolos: os temperamentos melancólico, sanguíneo, colérico e fleumático são incorporados, respectivamente, por São João, São Pedro, São Paulo e São Marcos. Foto: Wikipedia

Redação (19/10/2022 16:00, Gaudium Press) Se queremos aumentar nossa união com Deus e crescer em nosso progresso natural e na superação de nossas dificuldades, faz-se mister que nos conheçamos a nós mesmos.

Remédios sempre são receitados segundo as necessidades, e para cada doença há uma medicação específica. Assim também, os métodos empregados por cada um para seu próprio progresso são distintos, e dependem da índole pessoal.

Existe uma grande variedade de opiniões a respeito dos temperamentos de cada homem; uma das divisões mais admitidas é aquela que, baseada em autores antigos clássicos, divide em quatro grandes grupos os conjuntos de inclinações naturais dos indivíduos: os temperamentos sanguíneo, nervoso (ou melancólico), colérico e fleugmático.

Apresentaremos, nos próximos artigos, algumas das características boas e más destes temperamentos, bem como a forma de se lidar com cada um deles. A divisão, evidentemente, não é de uma absoluta precisão – e nem poderia ser, em se tratando da vasta psicologia humana –, mas apresenta linhas gerais bastante acertadas.

Basear-nos-emos, para tal, no tratado: “Teologia da Perfeição Cristã” do dominicano Pe. Antônio Royo Marín.[1]

Um temperamento forte e de grandes emoções

Figuras excepcionais como São Pedro Apóstolo, Santo Agostinho e Santa Teresa D’Ávila bem podem se enquadrar no que chamamos temperamento sanguíneo.

A excitabilidade fácil e as grandes impressões, as reações imediatas e fortes são encontradas nos portadores deste tipo de temperamento.

Os de temperamento sanguíneo são, geralmente, pessoas muito amáveis e alegres. Simpáticos e condolentes com as dificuldades dos outros, são por vezes de uma espontaneidade que até ultrapassa os limites. Diante de insultos, frequentemente explodem em expressões ofensivas, mas depois não guardam rancor do ofensor. São propensos à amizade, ao sacrifício por desinteresse e a uma concepção muito serena da vida.

Entretanto, a superficialidade e a inconstância se encontram ao lado destas muitas qualidades. São pessoas pouco profundas e vítimas da “impressão do momento”. Se pecam, logo se arrependem, mas no primeiro momento caem novamente, pois suas decisões não são duradouras. Preguiçosos no estudo e distraídos na oração, também se deixam facilmente levar pelas tentações de sensualidade, que encontram terreno fértil numa natureza tão ardente.

Como educar um temperamento sanguíneo?

Em tais condições, a pessoa deve saber direcionar suas paixões ao amor de Deus e a propósitos nobres e elevados. Deve combater a espontaneidade e a superficialidade pela reflexão e ponderação: a seriedade, pela qual se dá a cada coisa seu devido valor, é de importância capital para o bom direcionamento do sanguíneo. Além disso, ele deve traçar um “plano de vida”, uma rotina que preveja seus atos de forma muito amarrada e que não dê espaço a uma “escravidão dos próprios caprichos” e à sua vontade frouxa e caprichosa. E, por fim, a vigilância, máxime no que se refere às tentações impuras, é indispensável.

Por João Paulo Bueno


[1] Cf. MARÍN, Antonio Royo. Teologia da perfeição cristã. Trad. GOMES, Flévio M. P.; ZIMMERMANN, Dalton César. 4 ed. Anápolis: Magnificat, 2020, p. 722-728.

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