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Vigilância, um dever de todo católico

A Liturgia deste 19° Domingo do Tempo Comum nos convida à virtude da vigilância. É obrigação nossa guardar e proteger a vida da graça em nossas almas. Mas, hoje, nosso Senhor nos convida a vigiar não apenas sobre nós mesmos; Ele deseja, também, que nos preocupemos com a Santa Igreja.

Redação (07/08/2022 08:23, Gaudium Press) Santa Teresa de Ávila muito bem definiu a nossa passagem por esta Terra: “É como uma noite em uma má pousada”. Quem já teve a desventura de passar por tal situação pode comprovar que, se há algo que reina ali, é a insegurança. Não sabemos se, ao entrar em nosso aposento, iremos nos deparar com algum animal peçonhento; caso chova à noite, é certo que a água entrará pelos buracos do teto; se algum ladrão desafortunado encontrar ali algo que justifique um assalto, não precisará fazer muito esforço para levar tudo o que desejar.

Essa mesma instabilidade é o denominador comum da vida de todo homem. Quem, afinal, pode ter plena certeza quanto ao seu futuro? A todo momento estamos expostos a assaltos, acidentes, doenças, enfim, a toda espécie de infortúnios.

Ajuntai tesouros no céu

Tudo isso nos faz pensar: realmente vale a pena colocar todo o nosso empenho nas coisas deste mundo? Se, por acaso, conseguirmos chegar ao fim de nossa existência com uma saúde robusta, sem desastres econômicos, sem guerras nucleares, um dia teremos de passar para a eternidade. E, como reza o ditado, “caixão não tem gaveta”. Tudo o que ajuntamos em nossa existência fica nesta terra, enquanto nossa alma passa para a eternidade.

“Nada levamos desta vida a não ser a vida que levamos”, dizia um famoso escritor. É espirituosa a frase, mas inteiramente real. Se queremos, pois, ter segurança quanto aos nossos bens, devemos guardá-los onde não há perigo nenhum que se percam:

“Fazei bolsas que não se estraguem, um tesouro no céu que não se acabe; ali o ladrão não chega nem a traça corrói. Porque, onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Lc 12,33-34).

Nosso Senhor faz questão de apontar o contraste existente entre as coisas materiais e as espirituais. As primeiras são passageiras, incertas e precárias, enquanto as últimas são estáveis, seguras e eternas.

Os bens que acumulamos no céu estão em plena segurança. São guardados como num cofre blindado e trancado a mil chaves, num lugar que ninguém conhece, e as chaves estão em nossas próprias mãos.

Sim, em nossas mãos. Mas aí está o problema… Ou a solução!

Essas chaves são o estado de graça. Que nunca o deixemos, pois isto nos faria perder, num só instante, todo o tesouro que acumulamos com vistas ao Céu.

Não sabeis o dia nem a hora

“Vós também, ficai preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que menos esperardes” (Lc 12,40).

A hora de nossa partida para a eternidade já está marcada por Deus desde sempre; como costuma-se dizer, “ninguém morre na véspera”.

Entretanto, é muito raro que se tenha conhecimento exato do momento da própria morte. Na verdade, não podia ser diferente, pois, do contrário, quantos homens não levariam uma vida viciosa para somente se “converterem” no último instante?

É um ato de suma bondade da parte de Deus nos ocultar a hora de nossa morte, porquanto devemos estar preparados sempre. Se, antes de consentir em um pecado, pensássemos: “E se eu morresse agora?”, certamente nos seria muito difícil ofender a Deus. Devemos zelar pelo bem de nossa alma continuamente, sabendo que podemos comparecer ante o tribunal divino a qualquer momento.

Neste sentido, vem muito a propósito um comentário de Santa Teresinha: “Vós vos dedicais em excesso às vossas ocupações; vossos afazeres vos preocupam demasiadamente. Li há tempos que os israelitas construíam as muralhas de Jerusalém trabalhando com uma das mãos e empunhando na outra a espada. Eis aqui uma imagem do que devemos fazer: trabalhar apenas com uma mão, reservando a outra para defender a nossa alma dos perigos que possam impedir a união com Deus”.[1]

É o equilíbrio perfeito: não devemos de forma alguma abandonar nossos afazeres e obrigações; mas, mesmo empenhados nas mais importantes atividades, nunca podemos negligenciar a saúde de nossa alma.

Vigiemos também pela Igreja

Mas a perfeição não consiste em preocupar-se apenas consigo mesmo. O referido comentário de Santa Teresinha também se aplica inteiramente à nossa relação com a Igreja.

A todo momento ela sofre violentos ataques. Nestas trágicas e graves circunstâncias, cumpre-nos fazer as boas obras com uma mão, enquanto a outra está ocupada na difusão da sã doutrina e dos bons costumes.

Nesta defesa, cada um possui o seu papel; e teremos maior ou menor obrigação e responsabilidade segundo o nosso estado. É o que diz o Evangelho de hoje:

“A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido” (Lc 12,48).

O que é certo é o seguinte: seja qual for a nossa posição, um dia seremos cobrados da nossa parte.

Oxalá tenhamos sido vigilantes e, pois, fiéis!

Por Lucas Rezende


[1] SANTA TERESA DE LISIEUX. Conseils et souvenirs. Lisieux: Office central de Lisieux, 1954, p.74.

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