Veterano da Segunda Guerra Mundial é batizado aos 98 anos
Raymond Martin, que assistia à Santa Missa ao lado da esposa enquanto ela viveu, começou a chorar ao expressar seu desejo de abraçar a fé católica e contou que, durante toda a vida, havia rezado o ato de contrição e o Rosário.

Foto: Diocese de Tucson
Redação (29/07/2026 15:57, Gaudium Press) Em 16 de julho passado, festa de Nossa Senhora do Carmo, Raymond “Ray” Martin Sr., um veterano do Exército dos Estados Unidos que lutou na Segunda Guerra Mundial, recebeu o Batismo, a Crisma e a Primeira Eucaristia, ingressando na Igreja Católica. A cerimônia aconteceu na casa de repouso onde ele vive, The Villas at Marana, em Tucson, Arizona, EUA.
Ray Martin nasceu em 1928 e carregou, ao longo da vida, uma trajetória marcada por serviço e resiliência. Durante a guerra, serviu nas campanhas intensas de Okinawa, no Japão, e nas Filipinas — batalhas conhecidas pela violência extrema. Após o fim do conflito, dedicou 27 anos à polícia no estado de Illinois, protegendo comunidades e aplicando a lei com dedicação.
Esses anos de disciplina e confronto com a realidade dura da vida certamente moldaram seu caráter, mas foi o testemunho silencioso de sua falecida esposa, Ann Marie, que plantou as sementes da fé católica em seu coração.
Ann Marie era católica fervorosa. Mesmo sem ter sido batizado, Ray a acompanhava fielmente à Missa e rezava o rosário com ela. Ele também cultivava o hábito de recitar o Ato de Contrição, demonstrando um senso profundo de humildade e consciência de seus limites diante de Deus. Por muito tempo, porém, ele se sentia indigno de dar o passo formal para entrar na Igreja.
Tudo mudou em dezembro de 2025, quando o diácono Jacinto “Jack” Treviño, capelão de um hospital e colaborador pastoral da paróquia Santa Elizabeth Ann Seton, na Diocese de Tucson, o conheceu. Os dois se deram bem imediatamente devido ao passado em comum na área da segurança pública. Conversas leves sobre o trabalho logo deram lugar a temas mais profundos: a esposa, a fé católica e o desejo de Ray de se tornar católico.
“Ray é uma pessoa extraordinária. Nós nos entendemos desde o primeiro momento. Conversamos bastante sobre nosso trabalho e demos muitas risadas”, contou o diácono em entrevista a EWTN News. Mas as conversas não se limitaram ao bom humor. À medida que foram se conhecendo melhor, suas conversas se tornaram mais sérias.
“Ray me falou sobre sua esposa, que já havia falecido. Ele me contou que ela era católica e que ele a acompanhava à missa e rezava o rosário com ela”, lembrou Treviño.
“Um dia, ele comentou que nunca havia sido batizado nem recebido nenhum dos sacramentos, e que queria se tornar católico. A partir daí, começamos conversas mais profundas sobre a fé”, continuou o diácono.
Com o tempo, ficou evidente que Ray possuía uma fé autêntica em Cristo, na Eucaristia e nos ensinamentos da Igreja. Ele expressava claramente o desejo de receber os sacramentos. Sua saúde, no entanto, era frágil: sobrevivera a um acidente vascular cerebral (AVC), quedas e outros problemas. Em maio, ele sofreu outro derrame que o deixou à beira da morte. Milagrosamente, recuperou-se, e foi então que manifestou com urgência o desejo de ser batizado.
O pároco da Paróquia São Cristóvão, Pe. Edson Elizarraras, e o diácono Treviño perceberam a necessidade de agir rapidamente. Com autorização do bispo, utilizaram o rito abreviado para pessoas em perigo de morte, dispensando o longo processo habitual de iniciação cristã para adultos, que costuma durar de um a dois anos.
“Embora tenha se casado com uma mulher católica e tenha frequentado fielmente a Santa Missa com ela até o falecimento dela, o diácono Treviño observou que Ray sempre se sentiu indigno de receber os sacramentos, apesar de acreditar em Deus”, explicou o Pe. Elizarraras.
O dia da graça
A sala da casa de repouso foi transformada em um pequeno santuário, com faixas decoradas com cruzes e um altar simples. Familiares, cuidadores, outros residentes e um seminarista acompanharam a celebração. Ray, emocionado, pediu para ser levado mais perto do altar: queria ver e ouvir tudo com clareza. Durante o rito, chorou de alegria ao responder com firmeza à pergunta sobre sua fé:

Foto: Diocese de Tucson
“‘Querido irmão Raymond, você pediu para ser batizado porque deseja, como os cristãos, ter a vida eterna… Esta é a fé dos cristãos. Você sabe disso?’, ele respondeu firmemente: ‘Sim, eu sei!’
“Durante todo o ritual, ele permaneceu profundamente atento, sorrindo e, por momentos, meditando com os olhos fechados. Quando chegou o momento do seu batismo, ele abriu os olhos e cruzou os braços sobre o peito, reconhecendo aquele encontro sobrenatural com Deus”, continuou ele.
Escolheu São Cristóvão como padroeiro da Crisma — santo que sempre admirou e cuja medalha desejava havia tempos.
O diácono Treviño descreveu o momento como profundamente comovente, sentindo-se privilegiado por testemunhar “como Cristo, o Esposo, derrama seu amor e misericórdia por meio de sua Esposa, a Igreja, através dos sacramentos para o seu povo”.
O Pe. Elizarraras saiu da celebração com imensa paz. “Na resposta de Ray à graça, vi uma alma que realmente ganhava vida”, afirmou ele, lembrando as palavras da encíclica Deus Caritas Est, de Bento XVI: “Ser cristão não é o resultado de uma decisão ética ou de uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e uma direção decisiva.” Para Ray, aos 98 anos, aquele dia representou exatamente esse encontro transformador.
Após a celebração, eles conversaram sobre como Martin poderia viver sua nova fé na casa de repouso.
“A primeira coisa que ele perguntou a mim e à minha esposa Elena foi como poderia voltar a receber a Comunhão, já que não pode se deslocar para assistir à missa. Prometemos que levaríamos a Comunhão pessoalmente até ele”, contou o diácono Treviño.
Uma semana depois, a esposa do diácono, Elena, levou a Comunhão a Ray. Leu para ele o Evangelho do dia, a parábola do tesouro escondido, e disse que ele era como o homem que encontrou o grande tesouro. Ray estava radiante. Agora, impossibilitado de ir à igreja fisicamente, ele recebe a Eucaristia em casa, vivendo sua fé com gratidão.
Com informações EWTN





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