Vaticano avalia possibilidade de uma viagem do Papa Leão XIV à Ucrânia
Após seis dias de visita do arcebispo Paul Richard Gallagher à Ucrânia, a Santa Sé analisará as condições mais propícias para uma eventual viagem apostólica do Papa Leão XIV ao país.

Missa no Santuário de Berdychiv Foto: Vatican News/ Facebook
Redação (24/07/2026 15:06, Gaudium Press) O Vaticano anunciou que está estudando as condições mais favoráveis para uma possível viagem apostólica do Papa Leão XIV à Ucrânia, um sinal de proximidade contínua com o povo ucraniano após mais de quatro anos de conflito. A informação surge após a missão de seis dias do arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário para as Relações com os Estados e Organizações Internacionais da Santa Sé, à Ucrânia. Durante a visita, Gallagher ressaltou a gratidão das autoridades ucranianas ao Papa Leão XIV pelos constantes apelos do Pontífice em favor da paz no país.
Gallagher, enviado especial do Papa, visitou localidades como Lviv, Berdychiv e Kyiv. A viagem do arcebispo à Ucrânia teve como principal objetivo as celebrações pelos 35 anos da reabertura das estruturas da Igreja Católica de rito latino na Ucrânia e pelos 25 anos da histórica visita de São João Paulo II. O ponto alto foi a missa celebrada no Santuário Mariano de Berdychiv, no dia 19 de julho, que reuniu milhares de fiéis.
O arcebispo encontrou autoridades políticas, líderes eclesiais e visitou locais afetados pela guerra, incluindo áreas bombardeadas em Kyiv. No dia 20 de julho, o arcebispo Paul Richard Gallagher reuniu-se em Kyiv com o presidente Volodymyr Zelensky, que manifestou publicamente sua gratidão pelo apoio contínuo da Santa Sé à Ucrânia.
Segundo Dom Gallagher, a pergunta sobre quando o Papa Leão XIV visitaria a Ucrânia foi uma das mais repetidas durante toda a sua viagem pelo país. Ao final da missão, Gallagher reforçou que o Papa Leão XIV leva “muito a sério” o convite para visitar o país. “Nós continuaremos a estudar as condições necessárias para determinar o momento certo e a forma mais apropriada para que tal visita dê os maiores frutos possíveis para a Ucrânia e para a paz no mundo”, declarou ele em entrevista. A ênfase está em garantir que a viagem não seja apenas simbólica, mas também traga impacto pastoral, humanitário e diplomático concreto.
Questionado sobre as perspectivas de um cessar-fogo, Gallagher disse ter percebido uma forte determinação por parte da Ucrânia, embora tenha evitado prever um prazo.
“Como vimos no Santuário de Berdychiv — e como nos lembra a história deste notável local de devoção mariana, famoso por muitas curas relatadas — nunca devemos descartar a possibilidade de um milagre”, acrescentou o arcebispo.
Ele ainda destacou que “a fé tem sustentado essas pessoas. Elas estão convencidas — e dizem isso abertamente — de que estão lutando não apenas pela Ucrânia, mas por toda a Europa. Acredito que sintam que não têm alternativa. Para elas, esta é uma luta pela própria sobrevivência de sua nação”.
Missão anterior do Cardeal Zuppi
A visita de Gallagher foi precedida pela segunda missão do cardeal Matteo Zuppi, também enviado especial do Papa Leão XIV. Entre os dias 13 e 17 de julho, o purpurado percorreu Lviv e Kyiv, com agenda centrada em três temas principais: a troca de prisioneiros de guerra, o retorno de crianças ucranianas deportadas para a Rússia e o acesso de ajuda humanitária ao país.
Entre os principais encontros, destacou-se o diálogo com o chanceler ucraniano, Andrii Sybiha. O ministro solicitou o apoio do Vaticano para alcançar uma paz integral e duradoura e pediu a abertura de um corredor humanitário para as populações das localidades ocupadas de Oleshky e Hola Prystan, na região de Kherson. Os dois lados também discutiram a proteção do Mosteiro da Lavra de Kyiv-Pechersk, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco.




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