Uma música não se torna sacra simplesmente por tocar em uma igreja, adverte Padre Riccardo Dell’Acqua
Segundo o presidente do Pontifício Instituto Ambrosiano de Música Sacra, a música para a liturgia deve ser concebida desde o início para este fim.
Roma – Itália (08/05/2026 12:21, Gaudium Press) Em entrevista ao jornal italiano ‘Avvenire’, o Padre Riccardo Dell’Acqua, presidente do Pontifício Instituto Ambrosiano de Música Sacra refletiu sobre a natureza da música sacra. Segundo ele, a música não se torna sacra simplesmente por ser tocada em uma igreja, mas “porque se destina à liturgia, para acompanhar e apoiar a ação sacramental da Igreja”.
O sacerdote ressaltou que a beleza é um elemento fundamental, mas insuficiente por si só. A identidade da música sacra “está profundamente ligada à teologia, não apenas à estética”. Ele explicou que a música só é sacra se estiver unida à ação litúrgica: não pode ser considerada um mero ornamento, mas sim parte integrante da celebração. “Quando o canto e as palavras se unem ao rito, participam da própria santidade do momento litúrgico”, destacou.
A música para a liturgia deve ser concebida desde o início para este fim
De acordo com o Padre Dell’Acqua, existe uma concepção funcionalista, segundo a qual qualquer música, uma vez usada na igreja, torna-se automaticamente sacra. “A música para a liturgia deve ser concebida desde o início para este fim. É o que o Magistério chama de ‘santidade e bondade de forma’: uma qualidade que diz respeito não só à intenção, mas também ao resultado concreto”, explicou.
“Recorrer a qualquer música, contanto que funcione, corre-se o risco de esvaziar a liturgia do seu próprio significado”, alertou. Reconheceu que a fronteira entre o sagrado e o profano nem sempre é clara, ele frisou que “não se trata tanto de técnica, mas do resultado final. Se a música nasce sob a inspiração da adoração, se está orientada para o louvor a Deus e não para a expressão individual ou o espetáculo, inevitavelmente assume um caráter diferente”.

Foto: Pixabay/LoggaWiggler.
Simplicidade não deve ser confundida com banalidade
Sobre a tendência de utilizar músicas inspiradas na música pop nas paróquias, o sacerdote reconheceu o valor da participação dos paroquianos, porém advertiu que ela não pode ser o único critério. “Simplicidade não deve ser confundida com banalidade. O Magistério exige que a música sacra seja verdadeira arte, ou seja, fruto de competência, conhecimento litúrgico e um genuíno espírito criativo”.
Já ao tratar sobre os instrumentos musicais, o presidente do Pontifício Instituto Ambrosiano de Música Sacra recordou que o órgão sempre foi designado pelo Magistério como instrumento privilegiado, “porque eleva poderosamente a alma a Deus”. Apesar de outros instrumentos poderem ser acrescentados, ele sublinha que eles devem ser adequados ou adaptáveis ao uso sagrado e que nunca devem substituir o órgão.
A música deve nos ajudar a vivenciar plenamente o mistério que está sendo celebrado
Ele acredita que o principal desafio é educacional e defende a capacitação de músicos, sacerdotes e comunidades para que tenham uma maior consciência e que essa jornada deve ser iniciada em locais de formação, como seminários e institutos especializados, mas também precisam chegar às paróquias, onde a música é vivida concretamente.
“A música deve nos ajudar a vivenciar plenamente o mistério que está sendo celebrado. Quando verdadeiramente integrada à palavra e ao ritual, torna-se um poderoso meio de participação. Nesse momento, a comunidade não apenas ouve, mas também reza. É aí que a música sacra encontra seu significado mais verdadeiro: unindo voz, Fé e beleza em uma única experiência”, concluiu. (EPC)






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