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Uma “carta do além”

Nunca eu sentira na Saudação Angélica tanto consolo como após esse sonho…”

fogo

Redação (14/06/2023 09:37, Gaudium Press) Um retrato biográfico em primeira mão de uma alma condenada ao inferno! Aquilo que mais parecia apropriado a um romance novelado ou a um conto de ficção, todavia, ocorreu realmente no século passado. Sua interlocutora foi uma religiosa chamada Clara.

* * *

Clara havia viajado, no outono de 1937, a uma região junto ao lago Garda, na Itália. Em meados de setembro, recebeu a notícia do súbito falecimento de uma amiga de infância, Âni. A religiosa ofereceu suas orações e intenções na Santa Missa pela alma da falecida apesar de, ao longo de todo o dia, sentir um forte mal-estar que não fazia senão piorar.

Na mesma noite – na qual não conseguia conciliar bem o sono – acordou de modo repentino com um forte ruído na porta de seu quarto que parecia ter sido sacudida por um violento golpe. Assustada, Clara formulou uma oração pelas almas do purgatório e voltou a dormir.

Foi então que, em sonho, ela se viu acordando pela manhã e encontrando, ao abrir a porta de seu quarto, um maço de folhas de papel. Quando começou a ler as linhas do que parecia ser uma carta, Clara teve um sobressalto: ali estavam os característicos traços caligráficos de sua falecida amiga de infância, Âni, com os seguintes dizeres: “Clara! Não rezes por mim. Sou condenada. Se te comunico isso e se a respeito de algumas circunstâncias de minha condenação te dou pormenorizadas informações, não creias que eu o faça por amizade. Aqui não amamos a ninguém mais”.1

Para estupefação de Clara, aquilo se tratava de uma autêntica “Carta do Além”. Ali, a condenada narrava toda sua vida, enfatizando o modo pelo qual se afastou de Deus, dos Sacramentos e da oração ao longo de sua vida, se lançando nas vias do pecado, dos prazeres, das coisas fúteis e levianas.

Por fim, a alma maldita contava como havia sido seu julgamento diante de Deus e que tormentos lhe estavam reservados no fogo eterno: apesar de ela ter se afastado de Deus, Ele mesmo não a abandonou até o dia de sua morte. Foi num domingo em que Âni passeava com seu marido, e sentiu uma voz interior – aquele que seria o último chamado da graça – que lhe dizia: “Poderias, enfim, mais uma vez ir à Missa”.2 Ao que ela, resolutamente, recusou. No mesmo dia, após um fatal acidente de automóvel, Âni comparecia a seu Juízo Particular para receber a sentença da condenação eterna.

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A existência do Inferno

Do referido, o Doutor em Teologia, Padre Bernhardin Krempel, CP, testemunhou a autenticidade, no livro “Carta do Além”. Razão pela qual a mencionada obra detém-se amiúde à doutrina Católica, em suas notas de rodapé.

Com efeito, segundo o catecismo, a alma após a morte é julgada por Deus segundo as obras realizadas nesta terra, quando “cada um receberá o que mereceu, conforme o bem ou o mal que tiver feito enquanto estava no corpo” (2Cor 5,10). Assim, após a morte do corpo, no Juízo Particular, a alma é julgada e recebe uma sentença: ou uma purificação temporária, no Purgatório; ou o Céu, na visão beatífica; ou, enfim, o Inferno, onde ficará condenada para sempre (cf. Catecismo, n. 1022).

Quanto a este último lugar, a Igreja nos ensina que “as almas dos que morrem em estado de pecado mortal descem imediatamente após a morte aos infernos, onde sofrem as penas, ‘o fogo eterno […]’’’ (cf. Catecismo, n. 1035).

Para se compreender melhor o porquê de certas almas serem condenadas, vejamos a seguinte analogia: se um aluno, por uma revolta contra o professor, profere contra ele uma ofensa, não deverá ser punido? De maneira mais grave, se a afronta for contra o diretor do colégio, mais ainda; pior, todavia, se for contra uma notável autoridade civil…

Ascendendo nos graus da autoridade, quanto maior o ofendido, proporcional deve ser a punição. Assim, se alguém ofende de modo voluntário e plenamente consciente ao Ser infinito e eterno, que é Deus, não deverá existir um castigo “proporcionalmente eterno”?

É justamente por isso que o castigo do Inferno é perpétuo. Ou seja, é uma verdade de fé apregoada pela Igreja, e que deve ser crida.

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A porta de salvação

Após Clara ter lido a carta, esta se desfez em cinzas nas suas mãos. Em seguida acordou do sonho com as badaladas das Ave-Marias, pela manhã.

Com todo propósito, em seus escritos, ela afirmou: “Nunca eu sentira na Saudação Angélica (Ave-Maria) tanto consolo como após esse sonho. Pausadamente fui rezando as três Ave-Marias. Tornou-se-me então claro, claríssimo: a Ela cumpre segurar-te, à bendita Mãe do Senhor, venerar a Maria filialmente, se não quiseres ter a mesma sorte que te contou – ainda que em sonho – uma alma que jamais verá a Deus”.3

Por Denis Santana

1 KREMPEL, Bernhardin (ed.). Carta do Além. São Paulo: Artpress Indústria Gráfica, 2003, p. 9.

2 Ibid., p. 27.

3 KREMPEL, Bernhardin (ed.). CARTA DO ALÉM. São Paulo: Artpress Indústria Gráfica, 2003, p. 9.

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