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Um “pecadinho” que nos deixa isolados

A maledicência ofende a Deus e ao próximo. Quem não vence este defeito fica sem amigos.

Redação (06/08/2020 15:07, Gaudium Press) Os Mandamentos não são uma espécie de espartilho ou camisa de força imposta por Deus.

Em primeiro lugar, essas normas não foram escolhidas a mero “bel prazer”. Os Dez preceitos são conformes a Verdade, a Beleza e a Bondade absoluta que é o próprio Deus, e sua prática nos configura, aos poucos, com Nosso Senhor. Tornando-nos semelhantes a Ele, passamos a merecer o prêmio de vê-Lo depois da morte.

Por isso, costuma-se dizer que essas Leis foram estabelecidas pela Suprema Sabedoria a fim de que o homem tivesse um corrimão para subir aos Céus.

Além do mais, e aqui chegamos ao ponto que nos interessa, o Decálogo não é “útil” apenas para que adquiramos um passaporte para entrar no Paraíso. Os preceitos dados a Moisés regram a nossa existência na Terra, harmonizando a sociedade e tornando o convívio humano um prelúdio da vida dos Santos na eternidade.

Deste modo, à medida em que o homem vence seus vícios, seus pequenos defeitos – aquilo que muitos chamam de “pecadinhos” – o relacionamento entre os homens torna-se mais fácil e agradável.

Um desses “pecadinhos” que causa grandes males é a maledicência.

Falar mal dos outros é pecado?

Sim. Apesar de não figurar diretamente no Decálogo, a maledicência atenta contra o oitavo mandamento, conforme nos ensina o Catecismo (CEC 2477). Falar ou julgar mal, caluniar a outrem é uma falta, assim como aquilo que vulgarmente chamamos de “fofoca”.

A palavra maledicência vem do latim: male dicere, dizer mal. E, contra este pecado, as Sagrada Escrituras e os santos nos alertam.

São Tiago na sua epístola afirma taxativamente: “Irmãos, não faleis mal uns dos outros” (Tg 4,11). O apóstolo ainda nos explica que a língua, apesar de pequena, causa grandes males (Cf. Tg 3,5), e que o homem perfeito se conhece naquele que sabe controlar sua boca (Cf. Tg 3,2).

Exemplo dos Santos sobre a maledicência

Mas como é difícil controlar a língua! Ainda que Deus tenha colocado guardas para trancar o pequeno órgão, os dentes e os lábios muitas vezes não bastam para segurar uma língua maldizente. É preciso vigilância! São Vicente Ferrer dizia que devemos economizar as palavras como o fazemos com o dinheiro. É necessário ter o mesmo cuidado para abrir a boca e a carteira, pois a fortuna voa tanto como as palavras. O problema é que o dinheiro enriquece os outros, e as palavras prejudicam.

São Bernardo é mais forte: ele nos ensina que peca tanto aquele que fala mal quanto o que se dispõe a ouvir a maledicência. Segundo o grande Doutor, o primeiro tem um demônio preso na língua; o segundo fica com outro pendurado no ouvido.

Conselho para fazer amigos

Certa vez, tive que ajudar um conhecido. O pobre se queixava da ausência de companheiros. Vivia isolado, pois as pessoas fugiam de sua companhia. Cruzava o pátio da faculdade de ponta a ponta, tentando segurar alguém numa prosa, mas não conseguia que o diálogo durasse mais do que uns magros minutos, porque seus amigos davam uma desculpa qualquer para encerrar a conversa.

Infeliz, o rapaz pediu-me ajuda. Depois de trocar algumas palavras, descobri a razão do isolamento involuntário. Meu companheiro tinha a língua ácida. Quando abria a boca, não tardava em sair uma crítica aqui, um resmungo lá e uma injúria mais adiante. Pelos lábios só saíam palavras amargas! As pessoas fogem das línguas maldizentes.

Não era difícil fazer o diagnóstico. Dispensando psicólogos, a receita médica foi simples e barata: meu amigo, faça um exame de consciência sobre o oitavo mandamento!

 

Por Paulo da Cruz

 

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