Um milagre entre os escombros na Venezuela: “A Medalha Milagrosa me salvou”
“Foi ela que me salvou. Não tenho a menor dúvida”, declarou Kamar Galíndez. Depois de rezar muito pedindo ajuda a Deus, foi resgatado por um homem que o ajudou a se libertar da montanha de escombros onde estava preso.

Foto: Wikipedia
Redação (09/07/2026 09:32, Gaudium Press) Em 24 de junho passado, a Venezuela viveu uma das maiores tragédias naturais de sua história recente. Dois terremotos consecutivos, com magnitudes estimadas em 7,2 e 7,5, sacudiram o norte do país, especialmente o estado de La Guaira, na costa caribenha. O dia, que marcava o feriado nacional pela Batalha de Carabobo e as festas de São João Batista, transformou-se em um cenário de destruição, com milhares de edifícios danificados ou colapsados.
Entre as histórias de dor e perda, destaca-se a de Kamar Galíndez, um advogado de 53 anos que sobreviveu ao desabamento do Hotel Chipi’s Beach, em Playa Grande, um bairro nobre e turístico de La Guaira. Sua experiência, marcada por fé e providência, tornou-se um testemunho poderoso de esperança em meio à catástrofe.
O momento do desastre
Kamar estava no último andar do hotel, na academia, preparando-se para seus exercícios diários. A vista imponente para o mar transmitia tranquilidade, até que, por volta das 18h05, a terra tremeu com violência inimaginável. Os dois sismos quase seguidos pegaram todos de surpresa. As pesadas máquinas da academia começaram a deslizar como discos de hockey sobre gelo.
Diante da possibilidade iminente da morte, Kamar reagiu com uma prece instintiva: “Senhor, tem misericórdia!”. Em sua mente, surgiu a imagem de Jesus da Misericórdia, como apareceu a Santa Faustina Kowalska em 1931. Ele se protegeu junto a uma parede próxima e, enquanto o edifício ruía, continuou rezando.
Em segundos, o piso rachou. Kamar viu parte do edifício inclinar-se para a frente, enquanto a seção onde ele estava desabou verticalmente. “Senti o vazio nos pés e, logo em seguida, estava preso nos escombros”, relatou em entrevista. O impacto foi tão brutal que ele sentiu cada golpe, mas, em meio ao choque e ao medo, as dores físicas ficaram em segundo plano.
Sepultado sob toneladas de concreto, metal retorcido, tijolos e terra, Kamar não perdeu a consciência. Uma viga gigante pressionava seu peito, dificultando a respiração. Sua cabeça, porém, permanecia livre, permitindo que ele visse o céu ainda iluminado pelo entardecer. Ao redor, os gritos desesperados de outros hóspedes e funcionários presos ecoavam na montanha de destroços.
“Pedi calma e rezei muito: ‘Meu Deus, ajude-me a sair daqui. Dê-me calma e me diga o que fazer’”, contou emocionado. Com o braço esquerdo fraturado, ele tentou mover-se, fez sinais pedindo socorro e rezando intensamente. O tempo sob os escombros pareceu eterno, embora tenham sido poucos minutos até que um homem, que subiu a pilha de destroços, o localizasse e o ajudasse a se libertar.
A Medalha Milagrosa
Kamar desceu os escombros por seus próprios meios. Ao perceber a dimensão da tragédia —que ceifou a vida de milhares em frações de segundos—, ele atribuiu sua sobrevivência praticamente ilesa a um milagre. Devoto da Virgem da Medalha Milagrosa, ele carregava uma correntinha com crucifixo e a medalha.
Durante o caos, a corrente se rompeu sem que ele percebesse. Mais tarde, ao receber os primeiros socorros de dois jovens, pediu que eles o ajudassem a guardar seu relógio no bolso do short para imobilizar o braço. Foi então que notou algo extraordinário: um pedaço da corrente com a medalha de Nossa Senhora estava preso no zíper do short. Um desses pequenos milagres que pode passar despercebido por um coração inexperiente, mas que guarda um significado profundo para quem tem uma fé sincera.
“Não me perguntem de onde nem como. Aquela medalhinha me salvou”, afirmou com convicção. Para Kamar, não há dúvida: foi a intercessão da Santíssima Virgem que o protegeu. E pediu que guardassem também a medalha “porque foi ela que me salvou”.
Muitas pessoas não conseguiram sair dos escombros do hotel. Para Kamar Galíndez, ter sobrevivido é obra da misericórdia de Deus, que ouviu suas súplicas o tempo todo e lhe concedeu o que ele pedia por uma razão que ele ainda desconhece.
Sua casa também foi destruída. Mesmo assim, ele enfatiza o maior dom recebido: a vida. “Na maior adversidade, você valoriza o básico. Quando o impossível acontece, você entende que só Deus pode fazer isso”, refletiu. “Existe um Deus que cuida de você nesse momento, do que você está pedindo a Ele e do que você precisa. Seja para libertar seu braço, seja para que você se lembre Dele, deixando uma medalhinha pendurada na sua calça”, afirmou.
Hoje, Kamar sente profunda gratidão por estar vivo. Para ele e para todos os venezuelanos, a tragédia serve como um poderoso lembrete de humildade: tudo o que temos vem da vontade e da misericórdia de Deus, que nunca abandona o seu povo — especialmente nos momentos de maior dor e sofrimento.
Contexto de uma tragédia nacional
Os terremotos de 24 de junho de 2026 são considerados os mais fortes registrados na Venezuela em mais de um século. La Guaira foi a região mais devastada, com colapso de centenas de edifícios em áreas como Playa Grande, Catia La Mar, Caraballeda e Macuto. Imagens de satélite revelaram a extensão da destruição: bairros inteiros reduzidos a escombros.
Até o momento da publicação deste artigo, as autoridades reportam mais de 3.811 mortos e cerca de 16.740 feridos. Estimativas independentes e da ONU falam em dezenas de milhares de desaparecidos. Milhares ficaram desabrigados, e o aeroporto internacional de Maiquetía também sofreu danos significativos. Equipes de resgate de vários países, incluindo Estados Unidos, Chile, Colômbia e outros, atuaram nas buscas, resgatando sobreviventes até dias depois.
A tragédia expôs vulnerabilidades estruturais e gerou críticas à lentidão inicial da resposta governamental, mas também revelou atos de solidariedade heroica: vizinhos, voluntários e profissionais arriscando a vida para salvar estranhos.
Kamar Galíndez hoje carrega não apenas uma fratura no braço, mas uma renovada gratidão pela vida. Sua história, como tantas outras de fé e superação na Venezuela, serve de lembrete: mesmo nos momentos mais sombrios, a misericórdia divina, a intercessão de Nossa Senhora e a oração podem abrir caminhos.
Com informações Aciprensa




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