Ucrânia: Religiosas decidem permanecer em Kramatorsk após bombardeios russos danificarem seu convento
A apenas 30 quilômetros da linha de frente do conflito, as Servidoras do Senhor e da Virgem de Matará decidiram permanecer ao lado da população de Kramatorsk, apesar de seu convento ter sido atingido duas vezes por bombas russas nas últimas semanas.
Redação (05/08/2026 09:28, Gaudium Press) As Servidoras do Senhor e da Virgem de Matará, congregação missionária vinculada ao Instituto do Verbo Encarnado, voltaram a ser vítimas da guerra na Ucrânia. Seu convento, localizado na cidade de Kramatorsk, a cerca de 30 quilômetros da linha de frente, sofreu graves danos após ser atingido por bombardeios russos em duas ocasiões, nas últimas três semanas. Mesmo assim, as religiosas afirmam que não abandonarão a missão que realizam junto à população local e confiam plenamente na proteção da Santíssima Virgem.
As irmãs chegaram ao Exarcado Greco-Católico de Donetsk, em 2018, para colaborar com os sacerdotes de sua congregação. Após o início da invasão russa em larga escala, em 2022, estabeleceram sua comunidade em Kramatorsk. Desde então, desenvolvem intenso trabalho pastoral centrado na catequese de crianças e jovens, no acompanhamento às famílias e no apoio às paróquias da região.
Hoje, Kramatorsk é uma das cidades mais castigadas do leste da Ucrânia. Antes da guerra, contava com cerca de 200 mil habitantes; atualmente permanecem aproximadamente 55 mil pessoas. A cidade foi cenário de alguns dos ataques mais devastadores do conflito, entre eles o bombardeio à estação ferroviária em abril de 2022, o ataque com mísseis ao restaurante Ria Lounge em junho de 2023 e numerosos bombardeios contra edifícios residenciais no centro urbano, nos últimos meses.
Nesse contexto, o mosteiro das religiosas também sofreu as consequências da violência. Por meio de um comunicado divulgado em vários idiomas, as missionárias explicaram que sua decisão é permanecer junto a quem mais precisa do consolo da fé. “Procuramos ser uma presença silenciosa da Igreja Mãe ali onde tanto se necessitam a fé, a esperança e a caridade. Nas últimas três semanas, o edifício do nosso convento foi danificado duas vezes.”
As religiosas denunciaram que os ataques não distinguem entre objetivos militares e lugares dedicados a Deus. “A violência do agressor não se detém nem mesmo diante do sagrado: nem diante do templo, nem do convento, nem da cruz, nem dos ícones, nem dos lugares de oração. Mas o sacrilégio mais terrível é o desprezo pela vida humana, criada à imagem e semelhança de Deus.” Elas também recordaram o sofrimento cotidiano de milhares de famílias ucranianas: ““Quando lares são destruídos, quando pessoas inocentes morrem, quando as crianças são obrigadas a adormecer em meio a sirenes e explosões, abre-se uma ferida que não só causa dor à Ucrânia, mas que deveria causar dor a toda a humanidade”.
Apesar da destruição, as religiosas afirmam que a esperança continua sendo o fundamento de sua missão e pediram a oração de todos os cristãos pela paz e por aqueles que permanecem servindo em meio ao conflito. “Não queremos que a destruição tenha a última palavra, porque a última palavra sempre pertence a Deus.”
Elas convidaram a rezar especialmente pelo Exarcado de Donetsk, pelos sacerdotes, pelas pessoas consagradas, pelos soldados e por todas as famílias que continuam resistindo. Um dos trechos mais comoventes do comunicado expressa a profunda confiança das irmãs na proteção maternal de Nossa Senhora: “Não perdemos a esperança, porque sabemos a Quem pertence esta casa. Sua verdadeira Dona é a Santíssima Mãe de Deus. Sob seu manto maternal foi fundado nosso convento e sob esse mesmo manto permanece também hoje.”
Por fim, concluíram com um apelo que resume o anseio de milhões de ucranianos: “Oremos também pela paz. Por uma paz justa. Pela vitória da vida sobre a morte, da verdade sobre a mentira e do bem sobre o mal.”
A indignação do bispo de Donetsk
O exarca de Donetsk, o bispo salesiano Maksym Ryabukha, expressou consternação pelos ataques e questionou com dureza a destruição de templos e o sofrimento da população civil. “É triste que aqueles que proclamam ao mundo inteiro ser autênticos cristãos torturem e assassinem incessantemente prisioneiros, destruam igrejas e mosteiros, e matem centenas de civis”. O prelado elevou ainda uma oração por aqueles que continuam nas zonas mais expostas do conflito: “Ó Deus, protege nossas cidades e povoados que estão na linha de frente! Não permitas que o inimigo insaciável e obcecado esmague a coragem e a dignidade da vida humana. Dá a todos a força para resistir e esperar pela tua vitória!”
A Diocese de Donetsk recordou que a guerra não destrói apenas moradias, escolas e hospitais, mas também o patrimônio espiritual e os lugares onde as pessoas encontram esperança e consolo, destacando que sacerdotes, religiosos e religiosas continuam acompanhando seu povo, tornando-se um testemunho vivo de que a fé, o amor e a esperança podem ser mantidos mesmo em meio à guerra.
Com informações Religión en Libertad






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