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Ucrânia: conversões em massa ao catolicismo devido à guerra

O Arcebispo Sviatoslav Shevchuk, primaz da Igreja Greco-Católica Ucraniana, afirmou em Madri que a Ucrânia vive, em meio à guerra, “o momento mais forte de conversão” de sua história recente”. Segundo ele, a Igreja Greco-Católica, que representava cerca de 8% da população antes do conflito, já alcança 12% hoje.

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Redação (19/06/2026 10:26, Gaudium Press) O Arcebispo Sviatoslav Shevchuk, primaz da Igreja Greco-Católica Ucraniana, afirmou que o conflito que assola seu país há mais de quatro anos provocou o período de maior conversão espiritual da história recente da nação. A declaração foi feita durante sua visita à sede da Fundação Ajuda à Igreja que sofre (ACN) em Madri, por ocasião do Sínodo Permanente dos Bispos Greco-Católicos.

Shevchuk destacou que o profundo sofrimento causado pela guerra leva as pessoas a confrontarem questões fundamentais da existência: “Por quê? Qual o sentido da minha dor? Existe esperança? Onde está Deus no meio dessa tragédia?” Para ele, essas respostas só podem ser encontradas na fé cristã. O arcebispo descreveu o momento atual como um kairos — um tempo de graça especial —, marcado por conversões em massa.

Mudança no cenário religioso

Os números apresentados pelo primaz revelam uma transformação significativa no panorama religioso ucraniano. O percentual de cidadãos que se declaram ortodoxos caiu de cerca de 70% para 52%. Além disso, 18% dos que ainda se identificam como ortodoxos não se vinculam a nenhuma Igreja específica.

Enquanto isso, a Igreja Greco-Católica, que antes da guerra representava entre 7,5% e 8% da população, agora chega a 12%, consolidando-se como o grupo religioso com maior crescimento e dinamismo no país.

Shevchuk enfatizou o papel estratégico da Ucrânia: “Ucrânia protege com o próprio peito a paz na Europa. Não se trata de uma metáfora, mas de uma dura realidade.”

Sacerdotes como médicos feridos

Diante da dor coletiva, a missão da Igreja tem sido, sobretudo, uma “pastoral do sofrimento”. Os sacerdotes celebram constantemente funerais de jovens e até de crianças, o que marca profundamente sua vida. Shevchuk reconheceu o peso emocional dessa realidade, mas ressaltou a importância da presença da Igreja: as pessoas não buscam milagres imediatos, mas precisam de presença: o “sacramento” da presença da Igreja por meio do sacerdote”. Ele também evocou a situação nas localidades próximas à linha de frente: “Quando o Estado inicia a evacuação de civis devido ao perigo, o sacerdote é sempre o último a partir. Assim como o capitão de um navio, ele abandona sua embarcação por último”.

Um clero no limite, mas com a vocação intacta

A situação material do clero é crítica. Uma pesquisa interna da Igreja Greco-Católica revela que mais da metade dos sacerdotes vive abaixo da linha da pobreza. Cerca de 38% não conseguem comprar roupas novas e 3% enfrentam dificuldades até para adquirir alimentos básicos. Mesmo assim, 92% dos entrevistados declararam sentir-se felizes por servir ao povo ucraniano — um dado que emocionou o próprio arcebispo.

Para ajudar esses “médicos feridos”, a Igreja, com apoio da ACN, implementou um programa de formação permanente e de reabilitação psicoespiritual para sacerdotes e religiosos. A iniciativa tem sido muito demandada nas dioceses, preparando-os para continuar oferecendo um acompanhamento pastoral de qualidade em meio à crise.

 “A guerra vai acabar porque o mal não é eterno”

Shevchuk expressou a tristeza da Igreja com o desinteresse crescente da comunidade internacional. “Dói muito ver que o mundo se esquece de nós. Às vezes, temos a sensação de que o mundo não nos entende, não compreende a dimensão dessa tragédia”. Ele lembrou que “todos os dias na linha de frente, segundo dados oficiais, morrem mais de mil militares, mas também há civis que perdem a vida em nossas cidades e vilarejos”.

Apesar de todo o sofrimento, o primaz terminou com um tom de profunda esperança: “A guerra vai acabar porque o mal não é eterno. O Senhor é eterno e o Amor é eterno.” Ele concluiu com um apelo à oração para que os povos sejam libertados “da escravidão da guerra” e reforçou que, mesmo em meio às dificuldades, a esperança é uma realidade concreta que se vive hoje na Ucrânia.

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