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Tristeza ou reação?

A Catedral de Nantes também foi entregue às chamas. Que atitude moral tomar diante deste fato?

Redação (24/07/2020 15:29, Gaudium Press) “Quando a França espirra, o mundo assoa o nariz”. Não raras vezes ouvi este provérbio. Presentemente, tenho assistido a cenas que me permitem refletir mais uma vez sobre a situação atual da nação francesa, e, portanto, do mundo – em larga medida.

Um ano e meio após o incêndio que devastou a Catedral de Notre-Dame de Paris, a igreja de Nantes é entregue às chamas. Um órgão do século XVII foi destruído, uma “toile de maître” reduzida a cinzas. A comoção é grande. É imperiosa a admiração por qualquer uma daquelas pedras; as lágrimas por um símbolo da cristandade desonrado. Sobre elas riem os zombadores. Por outro lado, procuram-se os culpados: O Estado que é incapaz de assegurar a manutenção de seu patrimônio religioso? Mãos criminosas? A enquete está em curso. Sendo a segunda hipótese hélas plausível, constata-se a figura do “desequilibrado”, álibi idealizado para os cegos. No entanto, esta justificativa é superficial.

Qual seja a causa mais profunda – sendo a versão “acidental” a optada –, trata-se de um novo drama, assistido pela maioria francesa com tristeza. Isso nos incita a reagir. Não se pode contentar em apiedar-se ou simplesmente mostrar-se aborrecido. Com efeito, nossa civilização está em perigo. Há meses, as ocorrências de pessoas aplicadas à defesa patrimonial multiplicaram-se: as igrejas da França estão em risco. Em 2019, 875 dentre elas foram vandalizadas. Uma recente minuta do ministério da Cultura expôs que 87 catedrais francesas, – mais da metade, portanto – ainda não estão equipadas com segurança contra incêndios (Nantes é um alerta).

Quantas igrejas abandonadas e pilhadas antes de serem entregues às chamas! Quando serão tomadas as medidas?

Soterradas no meio das cidades, as raízes cristãs da França estarão ainda intimamente ligadas à sua original grandeza? Elas evocam sua história, seu mistério e sua dilaceração. Fundado nessas raízes e franqueado a todos, o respeito pelas coisas sagradas é o pedestal de sua identidade. Nestes tempos turvos e confusos, sujeito aos maus ventos, ceder à pressão de ser incréu – sobretudo no berço da primogenitura católica, a França – será abandonar as “pedras da tradição” e ir em direção à ruína.

Quero crer, entretanto, que a sorte reservada a uma nação que vê suas igrejas arderem em chamas não seja a mesma daquele primogênito que, faminto por outros prazeres menos espirituais, preferiu de eleito fazer-se vendido.

Que a Igreja, no mundo, não esteja em chamas. Peço-te, Senhor!

Por Bonifácio Silvestre

 

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