Soldado israelense destrói imagem de Cristo no sul do Líbano
Exército israelense confirma foto de soldado golpeando crucifixo com machado no sul do Líbano e abre investigação.

Foto: @ytirawi
Redação (20/04/2026 10:56, Gaudium Press) O Exército de Israel (FDI) confirmou nesta segunda-feira (20 de abril de 2026) a autenticidade de uma fotografia que mostra um soldado israelense golpeando com um machado a figura de um crucifixo caído na localidade cristã de Debel, no sul do Líbano. O incidente gerou forte condenação dentro do próprio governo israelense.
A imagem, publicada inicialmente pelo jornalista palestino Yunis Tirawi e compartilhada milhões de vezes desde o domingo, mostra um soldado uniformado desferindo um golpe com a parte contundente de um machado no rosto de uma grande escultura de Jesus crucificado. A imagem havia caído de seu suporte e estava no chão, em terreno privado pertencente a um cristão da região chamado Hossam Naddaf.
Em comunicado oficial divulgado na noite de domingo, as Forças de Defesa de Israel afirmaram que a foto “mostra um soldado israelense em operação no sul do Líbano”. O Exército classificou o ato como “totalmente incompatível com os valores esperados das tropas” e declarou que o incidente está sendo tratado “com grande seriedade”.
Investigação e medidas disciplinares
O Comando Norte das FDI abriu uma investigação que inclui a análise da cadeia de comando da unidade envolvida. As forças armadas anunciaram que “medidas apropriadas serão adotadas contra os envolvidos, de acordo com os resultados da apuração”. Além disso, o Exército se comprometeu a colaborar com a comunidade cristã de Debel para restaurar a imagem danificada e devolvê-la ao local original.
As FDI reforçaram que sua presença no sul do Líbano tem como objetivo desmantelar a infraestrutura militar do Hezbollah e que “não há intenção de prejudicar infraestrutura civil, incluindo edifícios ou símbolos religiosos”.
Reação do governo israelense
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, classificou o ato como “grave e vergonhoso”. Em publicação nas redes sociais, ele pediu desculpas aos cristãos que possam ter se sentido ofendidos:
“Essa ação prejudicial contradiz completamente nossos valores. Pedimos desculpas por este incidente a todos os cristãos cujos sentimentos foram feridos.”
Saar agradeceu ao Exército pela rapidez na investigação e afirmou que medidas disciplinares rigorosas serão tomadas contra o responsável.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu também condenou o episódio, manifestando-se “chocado e entristecido” com a imagem.
Debel: uma vila de maioria cristã maronita
Debel é uma das poucas localidades do sul do Líbano onde os moradores permaneceram durante a operação militar israelense contra o Hezbollah, iniciada em março de 2026 após milhares de foguetes lançados contra Israel. A vila tem maioria cristã maronita e faz parte da significativa comunidade cristã do Líbano, que representa cerca de um terço da população do país.
A comunidade local reagiu ao episódio citando a frase bíblica de Lucas 23, 34: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”.
Maroun Nassif, vice-administrador da vila de Debel, manifestou a revolta da comunidade em entrevista à CNN: “Nós certamente condenamos esse vergonhoso ato porque ele ofende nossos sentimentos religiosos e é um ataque às nossas crenças sagradas.”
O incidente ocorre em meio a um contexto de tensão no sul do Líbano, onde Israel mantém operações para neutralizar ameaças do grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã. Apesar da condenação rápida das autoridades israelenses, o caso provocou indignação em comunidades cristãs no Líbano e em outros países.
Algumas publicações lembraram que o Líbano abriga uma das mais antigas e significativas comunidades cristãs do mundo, cuja presença remonta aos primeiros séculos do cristianismo.
O Exército israelense reiterou seu compromisso em preservar a distinção entre alvos militares e civis, incluindo símbolos religiosos, durante suas operações na região.





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