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Sobre o Fim dos Tempos

Ninguém sabe quando deverá comparecer diante do Senhor. Falando do fim do mundo, Jesus deseja também nos estimular à vigilância, preparando-nos para o momento em que chegar a nossa hora.

Redação (24/11/2021 11:47, Gaudium Press)

Naqueles dias, depois daquela tribulação, o sol se escurecerá e a lua não dará sua claridade, as estrelas cairão do céu e as potestades que estão nos céus serão abaladas.

Jesus, nessa ocasião, está delineando o terrível quadro do fim do mundo, como também o da destruição de Jerusalém. São os acontecimentos que constituem a tribulação.

Esses catastróficos acontecimentos são a descrição da realidade, objeto de expressões tão fortes, empregadas não só por Jesus, como também pelos Profetas: “Eis que virá o dia do Senhor, dia implacável, de furor e de cólera ardente, para reduzir a terra a um deserto, e dela exterminar os pecadores. Nem as estrelas do céu, nem suas constelações brilhantes, farão resplandecer sua luz; o sol se obscurecerá desde o nascer, e a lua já não enviará sua luz” (Is 13, 9-10).

São Pedro assim escreve: “Os céus e a terra que agora existem são guardados pela mesma palavra divina e reservados para o fogo no dia do Juízo e da perdição dos ímpios” (2 Pd 3, 7).

Esse tremendo abalo produzido na ordem natural, consequência dos pecados da humanidade, como o será a queda das estrelas, produzirá um altíssimo grau de calor suficiente para derreter até os mais resistentes elementos (cf. 2 Pd 3, 10).

Insensibilidade do homem ante os perigos distantes

Todas essas profecias, porém, são consideradas pelos homens como algo muito distante e, talvez, irrealizável. Não é débil a força do unanimismo sobre nossa psicologia; somos levados a ter medo somente dos fatos diante dos quais todos tremem.

Daí a reação dos contemporâneos de Noé, como também a dos habitantes de Jerusalém, próximo à sua queda.

Os prazeres lícitos da vida, e mais ainda os ilícitos, além do atual desenvolvimento tecnológico e do deus de todos os tempos — o dinheiro —, avassalam os corações e os inclinam a um forte desejo de que isso tudo jamais termine.

Ora, nenhum argumento arrasta tanto ao erro quanto a persuasão da ansiedade; e ainda quando as evidências lhe demonstrem o contrário, prefere o homem viver um sonho ilusório, afastando para longe de si qualquer ideia que possa perturbar seu gozo da vida.

      Sua sofreguidão em deliciar-se com os bens deste mundo leva-o a querer prolongar ad aeternum a atual existência.

Em extremo oposto, Deus não Se faz guiar pelos nossos sonhos; assim como as águas do Dilúvio inundaram a terra, o Reino de Israel foi abalado em seus fundamentos e tantas nações foram aniquiladas ao longo da História, assim também a terra inteira perecerá num dilúvio de fogo, no fim do mundo.

Os ímpios se unem para atacar a Religião

O pecado debilita a fé e, ao tornar-se frequente, chega a extingui-la. No começo dessa rotina, o pecador ainda sentirá certo remorso, mas, com o decorrer do tempo, para tentar sufocar a voz da consciência, acabará por dar de ombros às ameaças e castigos, bem como às recompensas de Deus.

E, como tem ocorrido em todas as eras, não sendo possível ao homem destruir a ideia incômoda da existência de um Deus onipotente, ele formará para si deuses de metal ou de pedra.

Estará já na fase das blasfêmias, mas não conseguirá com estas mudar em nada a natureza de Deus; muito pelo contrário, serão elas causa da proximidade da intervenção d’Ele.

Quando se chega a esses extremos, e ao se tornar generalizado esse mal, os ímpios se unem para atacar a verdadeira Religião, porque sua existência os inquieta, perturba e freia.

Esse ódio leva a uma explosão, e exige de Deus a transformação de suas ameaças em ato concreto. Tal como se deu tantas vezes na História, assim se dará no fim do mundo.

Evocando esse acontecimento, a Igreja deseja esculpir indelevelmente em nossos corações o temor de Deus, que é o começo da Sabedoria.

Conservemo-lo por meio da meditação e da oração. Ele preservará nossa inocência e piedade, além de vir a ser nossa proteção no dia da ira.

Portanto, devemos nos preparar para o dia de nosso encontro com o Supremo Juiz — quer seja logo após nossa morte, quer no Vale de Josafá.

Com efeito, Jesus, ao ter abraçado o aparente fracasso da Cruz, nos confere uma divina lição. Não devemos buscar as glórias deste mundo como um fim último. Triunfo ou derrota, prazer ou dor, riqueza ou miséria, e assim por diante, pouco importam. Sejam os meios quais forem, nosso único objetivo deve ser o de fazer a vontade de Deus a nosso respeito, e aí sim, irmos de encontro a Deus.

 Mons João Scognamiglio Clá Dias, EP.

Texto extraído, com adaptações, da Revista Arautos do Evangelho n.59, novembro 2006.

 

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