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Sexta-feira Santa: Celebração da Paixão do Senhor

Estando em luto pela Morte de seu Divino Esposo, a Santa Igreja não renova Sacrifício Eucarístico na Sexta-feira Santa, mas alimenta e santifica os fiéis com a celebração da Paixão do Senhor, cerimônia constituída por três partes: Liturgia da Palavra, Adoração da Santa Cruz e Comunhão Eucarística.

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Redação (30/03/2024 06:59, Gaudium Press) Quando do Alto da Cruz, Nosso Senhor entregou sua alma ao Pai, todo firmamento se escureceu, a luz perdeu o seu brilho: era o universo criado que manifestava seu luto pela morte do Homem-Deus.

 Entretanto, tais fenômenos eram um mero símbolo da consternação que invade o Corpo Místico de Cristo ao contemplar o holocausto da sua Cabeça. Se até o sol se obscureceu, não manifestaria a Santa Igreja Católica uma profunda dor diante do crucificado?

É exatamente por essa incomensurável dor que, desde os tempos apostólicos, na Sexta-feira Santa não se celebra o sacrifício do Altar. Místico sol no firmamento das almas, a Santa Missa resplandece por si mesma com notas de alegria, iluminando as almas e aquecendo os corações. Assim, estando em luto pela Morte de seu Divino Esposo, a Santa Igreja não renova Sacrifício Eucarístico neste dia, mas alimenta e santifica os fiéis com a celebração da Paixão do Senhor, cerimônia constituída por três partes: Liturgia da Palavra, Adoração da Santa Cruz e Comunhão Eucarística.

 Antes da Crucifixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, o mundo antigo se encontrava num assombroso caos, tanto político quanto moral. Revoluções e guerras eclodiam por todos os lados, tiranos e déspotas escravizavam povos inteiros, a crueldade dominava a terra, e tudo isso não era senão o efeito dos desregramentos de uma sociedade entregue ao orgulho e à sensualidade.  Até mesmo entre o povo eleito, dentro das benditas muralhas do Santuário, quase não mais se encontrava a luz da Fé nem o perfume da pureza dos costumes.

 Somente quando a Cruz foi cravada na terra, ostentando o Cordeiro Imolado, é que as almas órfãs, os pecadores arrependidos e os homens retos e de boa vontade encontraram o rumo certo, o porto seguro, o verdadeiro norte de sua existência. A Cruz foi então a única e verdadeira esperança, a rocha inabalável, a segurança dos bons.

 Enquanto no mar revolto do mundo erguem-se os vagalhões e desencadeiam-se vendavais, a Cruz permanece de pé firme e Triunfante!  Somente serão vencedores aqueles que permanecerem junto a ela, como a Virgem Santíssima, e souberem abraçá-la, como o Divino Salvador, haurindo forças no Sangue Divino que goteja do Madeiro.

Liturgia da Palavra

Na Liturgia da Palavra, deparamo-nos com a figura mas infinitamente majestosa de Nosso Senhor Jesus Cristo, o qual assumiu sobre Si os pecados do mundo inteiro. Nas palavras de São Pedro, Jesus andou neste mundo “fazendo bem, e curando todos os oprimidos pelo demônio”. Entretanto, diante da bondade do Redentor muito diversas foram as reações.

Ao longo de toda a história, os homens tiveram de se definir em face do bem e do mal. Nunca houve nem haverá uma lícita neutralidade. E, na Liturgia de hoje, aparecem personificadas as diferentes atitudes da humanidade perante essa tomada de posição.

Há, sem dúvida, os fariseus e saduceus: sepulcros caiados, lobos com pele de ovelhas, ímpios trajados de justos. Há os Herodes, escravos das próprias paixões. Há também os ingratos, os quais seguem os passos da turba sedenta do Sangue dAquele que tantos milagres e maravilhas realizaram em seu meio.

 Não faltam os medrosos Pilatos, e abundam os Judas dispostos a vender, por qualquer linha, o infinito preço da salvação.

E quantos são como os apóstolos! Afirmando-se presunçosamente fiéis, fogem quando se aproxima a perseguição, abandonam Jesus nas mãos dos ímpios e O negam por respeito humano…

 E nós? Em que categoria nos encaixamos ante a paixão que se repete no Corpo Místico de Cristo em nossos dias?

Hoje a Igreja abre para nós um caminho, pois junto a cruz estava Mater dolorosa. Maria permanece de pé, fiel e resoluta diante de seu Filho crucificado. Ao seu lado há lugar para João, o discípulo amado, e para Maria Madalena, arrependida de suas faltas. Façamos companhia à Virgem Santíssima. Sob seu manto se manterá viva a Igreja e seremos sempre fiéis!

Adoração da Santa Cruz

Estendendo as mãos para o fruto da árvore proibida, Adão introduziu o pecado no mundo, e com o pecado entrou também a morte. Do fruto pendente de outra árvore, porém, vem-nos a salvação, pois a árvore da Cruz tornou-se a causa de nossa imortalidade.

Banhando-a copiosamente com seu preciosíssimo Sangue, Nosso Senhor associou a Cruz à obra de nossa Redenção. Por isso a Igreja lhe presta um culto participativo de adoração. Neste rito litúrgico, ela é conduzida ao altar, onde será apresentada três vezes para a nossa adoração.

Sendo Sacerdote, Profeta e Rei, Nosso Senhor Jesus Cristo foi ultrajado em cada um desses atributos durante sua Paixão. Assim, a Igreja pede aos católicos fiéis três atos de reparação:

– à realeza do Salvador, coroado de espinhos e vestido com manto de púrpura no Palácio de Pilatos, enquanto os soldados escarneciam de Sua Majestade;

– ao seu profetismo, testemunhado por suas obras, mas rejeitado pelo povo judeu ao negar-se a aceitá-lo como guia, declarando preferir ter César por rei a ser governado por Cristo;

– ao seu sacerdócio, odiado na casa de Caifás e não Sinédrio onde o acusaram de blasfêmia e o amaldiçoaram ao se declarar Filho de Deus.

Comunhão Eucarística

Mesmo quando o corpo do Redentor jaz no sepulcro, a Igreja afirma sua imortalidade, pois, distribuída aos fiéis a Sagrada Comunhão, ela proclama sua fé na Ressurreição.

Ao receber Cristo, a Vítima de expiação pelos nossos pecados, como alimento, nos são dadas as forças para travarmos todos os combates. Na renovação do seu Sacrifício, Jesus nos outorga o penhor de nosso triunfo, pois a Eucaristia é o Sacramento da Vitória.

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