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São Turíbio de Mogrovejo: Evangelizador da América espanhola

Neste dia 23 de março, a Igreja celebra a subida ao Céu de mais um de seus filhos: São Turíbio de Mogrovejo, “protetor dos indígenas” e grande evangelizador da América espanhola.

Redação (23/03/2022 09:49, Gaudium Press) Toríbio ou Turíbio, segundo filho do senhor de Mogrebeyo, nasceu em 16 de Novembro de 1538, em Mayorga, na diocese de Leon, Espanha. Desde a infância revelou gosto acentuado pela virtude e horror ao pecado. Estudou Direito nas universidades de Coimbra e Salamanca. Aos 40 anos, era o Presidente do Tribunal de Granada quando, por indicação do Rei Felipe II, o Papa Gregório XIII o nomeou Arcebispo de Lima. Turíbio era tido como o único homem capaz de sanar os males da igreja daquele país.

Apressadamente, quase que de um dia para o outro, elevou-se um simples leigo à dignidade de bispo da Santa Igreja. São assim as vias da Providência quando Ela decide realizar uma obra. Fez-se com o jurista Turíbio o mesmo que, pouco mais de mil anos antes, fora feito com o estadista Santo Ambrósio: em quatro domingos consecutivos, Turíbio recebeu as ordens menores; poucas semanas depois foi ordenado presbítero e, por fim, sagrado bispo.

O insigne jurista se faz catequista

São Turíbio de Mogrovejo chegou à sua arquidiocese, em maio de 1581. No início, teve de enfrentar a decadência espiritual dos espanhóis colonizadores, cujos abusos os sacerdotes não ousavam corrigir. O novo arcebispo atacou o mal pela raiz. Muitos dos culpados de intoleráveis vícios e escândalos tentavam justificar-se:

– Fazemos o que é costume fazer aqui…

– Mas Cristo é verdade, e não costume! – replicava ele.

Com energia e, sobretudo, com seu exemplo pessoal, pôs freio aos abusos, moralizou os costumes e promoveu a reforma do clero.

Em pouco tempo, o ex-jurista transformou-se num exímio catequista que evangelizava os indígenas com palavras simples mas ardorosas. Percorreu três vezes em visita pastoral todo o imenso território de sua arquidiocese, viajando incansavelmente milhares de quilômetros. Entrava nas cabanas miseráveis, procurava os indígenas fugidios, sorria-lhes paternalmente, falava-lhes com bondade em seus idiomas e os conquistava para Cristo.

Grandes atividades, intensa vida de piedade

As três visitas pastorais tomaram-lhe mais de dez dos seus vinte e cinco anos de episcopado!

Convocou e presidiu treze sínodos regionais de bispos. Regulamentou e aperfeiçoou a catequese dos indígenas, e fez imprimir para eles os primeiros livros editados na América do Sul: o Catecismo em espanhol, em quéchua e em aymara. Fundou cem novas paróquias em sua arquidiocese.

Tudo isso sem prejudicar em nada o ponto fundamental de todo apóstolo autêntico: sua própria vida espiritual. Chamou a atenção de todos os que conviveram com ele sua intensa vida de piedade, à qual dedicava diariamente muitas horas de oração e meditação.

Imensa alegria: “Irei à Casa do Senhor!”

Teve a inapreciável satisfação de converter milhares de indígenas e de crismar três santos: São Martinho de Porres, São Francisco Solano e Santa Rosa de Lima.

A morte o colheu no curso de sua última visita pastoral, numa pobre capela a quase 500 quilômetros de Lima. Sentindo aproximar-se a hora extrema, recitou o Salmo 121: “Enchi-me de alegria quando me vieram dizer: vamos subir à Casa do Senhor!” Expirou suavemente às 15:30h de 23 de março de 1606, uma Quinta-Feira Santa.

Bento XIII o canonizou em 1726 e João Paulo II o proclamou Pa­droeiro do Episcopado Latino-Americano em 1983.

Texto extraído, com adaptações, da Revista Arautos do Evangelho n. 51, março 2006. Por Ir. Mariana Morazzani Arráiz, EP.

 

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