São Salomão Leclercq: o primeiro mártir Lasallista da Revolução Francesa
Por se negar a prestar o ímpio juramento que a Revolução Francesa impunha ao Clero, Solomon Leclercq foi trucidado, juntamente com outros clérigos e religiosos, no Convento do Carmo, em Paris, durante a Revolução Francesa. A Igreja celebra a memória destes mártires no dia 2 de setembro.

São Salomão Leclercq Foto: Wikipedia
Redação (02/09/2026 10:05, Gaudium Press) São Salomão Leclercq (1745-1792) é um dos milhares de católicos que deram a vida durante a Revolução Francesa. Martirizado por se recusar a prestar o juramento da Constituição Civil do Clero —que pretendia submeter a Igreja Católica ao Estado, destruir as ordens religiosas e eleger a hierarquia por sufrágio, minando a autoridade pontifícia —, ele se tornou o primeiro irmão das Escolas Cristãs a morrer pela fé e o primeiro a ser beatificado por esse motivo.
Infância e vocação
Guillaume-Nicolas-Louis Leclercq nasceu em 14 ou 15 de novembro de 1745, em Boulogne-sur-Mer (Pas-de-Calais), no norte da França, em uma família de comerciantes abastados. Era um dos onze filhos de um lar de sólida fé cristã. Seu pai desejava que ele seguisse os negócios da família e chegou a enviá-lo a Paris para aprender o ofício. No entanto, o jovem sentiu o chamado à vida religiosa. Tinha estudado na escola dos Irmãos das Escolas Cristãs (lasallistas), fundada por São João Batista de La Salle, e decidiu entrar na congregação.
Em 25 de março de 1767, aos 21 anos, ingressou no noviciado de Saint-Yon, perto de Rouen. Recebeu o hábito e adotou o nome religioso de Salomão. Fez os votos em 1769 e a profissão perpétua em 1772. Era um homem de temperamento reservado, gentil e firme, de profunda espiritualidade, que afirmava querer “agradar somente a Deus”.
Vida religiosa e serviços
Como Irmão Lasallista, Salomão dedicou-se à educação, especialmente de crianças e jovens pobres. Foi professor, diretor de estudos, mestre de noviços, ecônomo e intendente em vários estabelecimentos. Em 1777, tornou-se procurador em Maréville e, no ano seguinte, provincial. A partir de 1787, assumiu o cargo de secretário do Irmão Agathon, Superior Geral da congregação. Sempre demonstrou grande amor pelas pessoas e dedicação ao trabalho.
A perseguição revolucionária
Com a Revolução Francesa, a monarquia caiu e a Igreja passou a ser alvo da fúria revolucionária. Em 1790, a Assembleia Nacional aprovou a Constituição Civil do Clero, que transformava os sacerdotes em funcionários públicos pagos pelo Estado, dissolvia as ordens religiosas e subordinava a hierarquia eclesiástica ao poder civil. Os membros do clero e das congregações que se recusassem a jurar fidelidade a essa constituição enfrentavam prisão, exílio ou morte.
A grande maioria dos irmãos Lasallistas, incluindo Salomão, recusou o juramento. As escolas da congregação foram fechadas e os Irmãos obrigados a voltar à vida civil. Salomão permaneceu em Paris, vestindo roupas seculares, cuidando da casa da congregação e vivendo na clandestinidade. Continuou escrevendo cartas à família, nas quais expressava fé e esperança. Na última, datada de 15 de agosto de 1792, dizia à irmã que as tribulações desta vida são passageiras e a recompensa é eterna.
Nesse período, chegou a planejar com um sacerdote a fundação de uma nova congregação religiosa, projeto que nunca se concretizou.
Prisão e martírio
No mesmo dia 15 de agosto de 1792, revolucionários prenderam Salomão. Ele foi levado ao antigo convento dos Carmelitas (Hôtel des Carmes), em Paris, transformado em prisão, onde já estavam numerosos bispos, sacerdotes e religiosos que também haviam recusado o juramento.
Nos primeiros dias de setembro de 1792, no contexto dos chamados Massacres de Setembro — uma onda de violência em que milhares de pessoas foram mortas em prisões parisienses por medo de uma invasão estrangeira e de uma restauração monárquica —, a multidão invadiu o convento. Em 2 de setembro, os prisioneiros foram interrogados um a um e obrigados novamente a jurar a Constituição Civil. Quase todos se recusaram. Foram então massacrados a golpes de espada, sabre e outras armas no interior do convento e no jardim. Cerca de 190 eclesiásticos (três bispos, mais de cem sacerdotes e dezenas de religiosos) morreram ali por ódio à fé. Salomão, com 46 anos, foi um deles.
Ele é o primeiro mártir da Congregação dos Irmãos das Escolas Cristãs. Mais tarde, outros três irmãos Lasallistas morreriam nos pontões de Rochefort e também seriam beatificados.
Beatificação e canonização
Em 17 de outubro de 1926, o Papa Pio XI beatificou Salomão Leclercq juntamente com 188 (ou 190, conforme as fontes) companheiros mártires dos Massacres de Setembro, conhecidos como os Mártires de Setembro ou Mártires dos Carmelitas. Ele foi o primeiro Lasallista beatificado.
Sua causa foi separada da dos demais companheiros. O milagre necessário para a canonização ocorreu em 2007, na Venezuela: a cura inexplicável de uma menina de cinco anos, Maria Alejandra Hernández, picada por uma cobra venenosa. A menina estava sob cuidados de uma casa-família ligada a um sacerdote de formação lasallista. A intercessão de Salomão foi invocada e a recuperação foi reconhecida como milagrosa pela Congregação para as Causas dos Santos.
Em 16 de outubro de 2016, o Papa Francisco canonizou São Salomão Leclercq na Praça de São Pedro, juntamente com outros santos. Sua festa litúrgica é celebrada em 2 de setembro, juntamente com os demais mártires de setembro e os irmãos mártires dos pontões de Rochefort.
São Salomão Leclercq é invocado como padroeiro dos cristãos perseguidos. Sua vida testemunha a fidelidade à Igreja e à vocação educativa lasallista mesmo em tempos de perseguição extrema. Suas cartas revelam serenidade e confiança em Deus até o fim.





Deixe seu comentário