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São Roque Gonzales, missionário que viveu e foi martirizado no Brasil

Milagrosamente os índios assassinos ouviram do coração de São Roque: “Matastes a quem tanto vos amava. Matastes meu corpo, mas minha alma está no céu”.

Milagrosamente os índios assassinos ouviram do coração de São Roque: "Matastes a quem tanto vos amava. Matastes meu corpo, mas minha alma está no céu".
Redação (19/11/2020, 16:15, Gaudium Press) O santo do dia de hoje, 19 de novembro, e seus dois companheiros tem muito a ver com o Brasil. Eles foram missionários na região sul brasileira, aqui viveram e aqui foram martirizados.
O sacerdote jesuíta Roque Gonzales foi morto por ódio à fé e teve seu corpo queimado.

Matastes a quem tanto vos amava…

A história desse martírio narra que os índios que assassinaram o missionário jesuíta Roque Gonzalez e seus companheiros, padres Afonso Rodrigues e João de Castillo, em 1628, voltaram ao local do crime e prodigiosamente ouviram uma voz que lhes dizia: “Matastes a quem tanto vos amava. Matastes meu corpo, mas minha alma está no céu.”

Essas palavras foram prodigiosamente proferidas pelo coração do padre Roque que o fogo não tinha conseguido consumir.

Milagrosamente os índios assassinos ouviram do coração de São Roque: "Matastes a quem tanto vos amava. Matastes meu corpo, mas minha alma está no céu".

Quem foi Roque Gonzales de Santa Cruz

São Roque Gonzales foi um sacerdote e missionário exemplar.
Era paraguaio, filho de colonizadores espanhóis, nasceu em Assunção, no Paraguai em 1576.

Sua família pertencia à nobreza espanhola, o pai era Bartolomeu Gonzales Vilaverde e a mãe era Maria de Santa Cruz, que fizeram de tudo para que Roque crescesse e se formasse em um ambiente de virtude e piedade.

Aos quinze anos o jovem Roque decidiu entregar sua vida ao serviço de Deus. Ingressou, então, no seminário e, aos vinte e dois anos de idade, foi ordenado sacerdote e quis trabalhar na formação espiritual dos índios que viviam do outro lado do rio Paraguai, nas fazendas dos colonizadores.

Renuncia a altos cargos e torna-se missionário da Virgem Conquistadora

O resultado da evangelização foi tão frutífero que o bispo de Assunção o nomeou pároco da catedral e depois vigário-geral da diocese. Roque, porém, renunciou às nomeações preferindo ingressar na Companhia de Jesus, onde vestiu o hábito de missionário jesuíta em 1609.

Depois de tornar-se missionário jesuíta, passou toda a sua vida a serviço dos índios na Região de Missões do Paraguai, Argentina, Uruguai, Brasil e parte da Bolívia.
Em 1611 tornou-se superior da Redução de Santo Inácio Guaçu e exerceu essa função por quatro anos.

Em 1615, fundou uma missão em Itapúa, a atual cidade da Argentina de Posadas, e logo se transladou para a outra margem do rio, que hoje se conhece como Encarnação, no Paraguai. Por isso, ele é reconhecido como fundador e patrono das duas cidades.

São Roque costumava chamar a Virgem de “conquistadora”, pois muitas vezes bastava que levantasse o quadro da imagem da Mãe de Deus para que os índios se convertessem.

Em 1626, São Roque Gonzales fundou quatro Reduções: Candelária, Caaçapa-Mirim, Assunção do Juí e Caaró.

Milagrosamente os índios assassinos ouviram do coração de São Roque: "Matastes a quem tanto vos amava. Matastes meu corpo, mas minha alma está no céu".

O Martírio de São Roque Gonzales e seus companheiros

Foi na Redução de Caaró, que faz parte do território do Brasil, onde Padre Roque Gonzalez e seus companheiros, padres Afonso Rodrigues e João de Castillo foram barbaramente assassinados em 15 de novembro de 1628.

Depois de celebrar a missa com os índios convertidos, padre Roque estava levantando um pequeno campanário na capela recém-construída, quando índios rebeldes, a mando do invejoso e feiticeiro Nheçu, atacaram a Redução de Caaró e sua vizinha, a Redução de São Nicolau. Os índios revoltosos mataram todos que ali estavam e incendiaram a igrejinha ali edificada.

Padre João de Castillo morreu na Igrejinha de São Nicolau, enquanto padre Afonso Rodrigues, que havia ficado em Caaró, morreu junto com padre Roque Gonzales que foi morto a golpes de um machado de pedra.

A sanha e ódio dos índios revoltados eram tão grande que, dois dias depois, eles voltaram para saquear os escombros.
Foi nesta ocasião que, percebendo que o corpo de padre Roque estava pouco queimado, eles transpassaram seu coração com uma flecha. Foi aí, então, que ocorreu o prodígio ao qual nos referimos no início deste texto e que chegou até nos por relatos de testemunhas oculares do fato.

O coração de São Roque se manteve incorrupto e foi levado a Roma junto ao machado de pedra com a qual foi martirizado. Atualmente, o coração e o machado se encontram na Capela dos Mártires, no Colégio de Cristo Rei, em Assunção, Paraguai.

Milagrosamente os índios assassinos ouviram do coração de São Roque: "Matastes a quem tanto vos amava. Matastes meu corpo, mas minha alma está no céu".

Beatificação e canonização de São Roque Gonzales e seus companheiros

São Roque Gonzales e seus companheiros foram beatificados pelo Papa Pio XI em 1934 e canonizados pelo Papa João Paulo II em 1988, em sua visita à cidade onde o Santo nasceu.

“Nem os obstáculos de uma natureza agreste, nem as incompreensões dos homens, nem os ataques de quem via em sua ação evangelizadora um perigo para seus próprios interesses, foram capazes de atemorizar estes campeões da fé. Sua entrega sem reservas os levou até o martírio”, sublinhou o Papa na homilia da celebração na cerimônia de canonização.

Em Caaró, município de Caibaté, encontra-se o principal santuário de veneração dos Santos Mártires (como ficaram conhecidos), visitado permanentemente por caravanas de romeiros. (JSG)

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