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São Roberto de Molesme

São Roberto de Molesme foi um monge reformador francês. Fundador da Abadia de Molesme e, posteriormente, da Abadia de Cister, é considerado cofundador da Ordem Cisterciense, juntamente com Santo Alberico e Santo Estêvão Harding. A Igreja celebra sua memória no dia 17 de abril.

São Roberto de Molesmes - Catedral de Bayeux (França) Foto: Francisco Lecaros

São Roberto de Molesmes – Catedral de Bayeux (França) Foto: Francisco Lecaros

Redação (17/04/2026 08:41, Gaudium Press) No coração da França medieval, em meio às brumas da Champanhe, nasceu por volta de 1029 um filho de nobres pais, Thierry e Ermengarde. Chamava-se Roberto. Desde a juventude, o Senhor o atraiu para Si com irresistível força, infundindo-lhe um ardente desejo de perfeição evangélica. Aos quinze anos, entrou no mosteiro beneditino de Montier-la-Celle, perto de Troyes, onde logo se distinguiu pela piedade, obediência e sabedoria. Não tardou a ser eleito prior, e mais tarde abade de Saint-Michel de Tonnerre.

Entretanto, o jovem abade logo percebeu com dor que o fogo da observância regular se esfriava em muitos mosteiros. A Regra de São Bento, tão austera e bela, era muitas vezes mitigada pelo conforto, pelas riquezas e pelas concessões ao espírito do mundo. O coração de Roberto ardia por uma fidelidade maior, por um retorno à pureza primitiva do monaquismo: pobreza, silêncio, trabalho manual e oração contínua.

Movido por este ideal, aceitou o convite de alguns eremitas que viviam na floresta de Collan. Com eles fundou, em 1075, o mosteiro de Molesme, no vale de Langres. Ali, em cabanas de ramos e uma simples capela dedicada à Santíssima Trindade, começou uma vida de radical despojamento. Os monges viviam do trabalho de suas mãos, cantavam o Ofício Divino com fervor e buscavam a Deus na solidão e na penitência.

A santidade atraiu a Molesme numerosas vocações, entre as quais São Bruno, que foi pedir conselho a Roberto e recebeu dele o hábito monástico, antes de partir para fundar a Grande Chartreuse (Ordem dos Cartuxos), Hugo de Payns, fundador da Ordem dos Templários, e São Estêvão Harding e São Alberico, que o acompanharam.

Porém, a abadia de Molesme começou a atrair muitos doadores. E as doações afluíram, o mosteiro prosperou e, com a prosperidade, infiltrou-se o relaxamento. Roberto lutou com paciência e firmeza para restaurar a disciplina, mas encontrou resistência e até rebelião entre alguns confrades. Assim, em 21 de maio de 1098, com a autorização do arcebispo de Lyon, ele renunciou ao cargo e retirou-se do mosteiro, deixando a autoridade a cargo de Alberico. Mais tarde, voltaria a Molesme por obediência ao Papa, mas o fogo da reforma não se apagaria em sua alma.

São Roberto de Molesmes - Igreja de Notre Dame, Dijon (França) Foto: Francisco Lecaros

São Roberto de Molesmes – Igreja de Notre Dame, Dijon (França) Foto: Francisco Lecaros

Abadia de Cister

Em 1098, com cerca de vinte e um monges igualmente inflamados pelo desejo de viver plenamente a Regra de São Bento, obteve autorização do Arcebispo de Lyon, legado apostólico, para fundar um novo mosteiro num lugar ermo e selvagem chamado Cister (Cîteaux), a Ordem dos Cistercienses No dia da festa de São Bento, plantaram uma cruz naquele deserto coberto de espinhos e brenhas. Nascia ali a grande reforma cisterciense, destinada a renovar a face da Igreja na Idade Média.

Ao contrário de Cluny, cujos recursos materiais dependiam do trabalho dos servos, Cister pretendia aplicar à risca a Regra beneditina (ora et labora, reza e trabalha). Os monges deviam, portanto, ser autossuficientes. A participação nas celebrações e na liturgia, bem como na administração da abadia (o capítulo), era reservada aos monges do coro. O trabalho nas lavouras, por sua vez, era confiado aos monges conversos, cuja única obrigação era assistir à missa dominical. Ao contrário de Cluny, que reservava o cobiçado estatuto de monge do coro aos filhos da alta aristocracia oferecidos (oblati em latim) por suas famílias à abadia, Csiter aceitava apenas homens, muitas vezes provenientes da pequena ou média nobreza — como São Bernardo —, aptos a começar a trabalhar imediatamente.

Por humildade, todos os monges cistercienses adotavam um hábito de lã não tingida, o que lhes valeu o apelido de “monges brancos”, que os distinguia dos “monges negros” de Cluny. São Roberto foi o primeiro abade de Cister.

No entanto, cerca de um ano após a partida de Roberto, em 1100, os monges de Molesme pediram-lhe que voltasse: prometiam submeter-se inteiramente à sua interpretação da Regra de São Bento. Roberto aceitou e finalmente conseguiu levar a cabo a sua reforma. O que teria acontecido, então, em Molesme desde a partida de Roberto? As doações haviam cessado e logo os monges de Molesme passaram a sofrer privações. Então, arrependeram-se de ter ofendido o homem de Deus e de tê-lo expulsado. Recorreram ao Sumo Pontífice e, apoiados por sua autoridade, chamaram Roberto de volta a Molesme.

Roberto, submetido à obediência, aceitou retornar a Molesme. Lá, dedicou-se constantemente ao jejum, à oração e à preocupação com a salvação de seus monges. Rapidamente, conseguiu reformar a observância da regra monástica e a disciplina da comunidade. E, em pouco tempo, a abadia de Molesme voltou a crescer sob sua administração. Enquanto isso, o mosteiro de Cister, sob a direção dos futuros santos Alberico e Estevão Harding, tornava-se a pedra angular da Ordem Cisterciense, que conheceria um considerável crescimento com a chegada, em 1112, de São Bernardo de Claraval, que levaria o ideal cisterciense aos quatro cantos da Europa.

Morreu São Roberto em Molesme, a 17 de abril de 1111, aos oitenta e três anos. Sua vida foi um contínuo sacrifício: deixar o conforto da nobreza, suportar incompreensões, renunciar tudo por amor à Regra e à glória de Deus. Como um grão de trigo que morre para dar fruto abundante (Jo 12,24), ele aceitou ser “plantado” em diferentes lugares, muitas vezes contra sua vontade, para que a Igreja colhesse os frutos da reforma monástica.

Numerosos milagres ocorreram junto ao seu túmulo. Roberto de Molesme foi canonizado pelo Papa Honório III em 1220.

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