Gaudium news > São Roberto Belarmino: martelo dos hereges

São Roberto Belarmino: martelo dos hereges

Exímio defensor da Igreja Católica e batalhador incansável contra os inimigos da Esposa de Cristo, São Roberto Belarmino recebeu do Papa Pio XI o honorifico título de “Martelo dos hereges”.

Saint Robert Bellarmine

Redação (27/05/2026 09:35, Gaudium Press) Descendente de família nobre, mas empobrecida, São Roberto Belarmino nasceu em 1542, na cidade Montepulciano, Centro da Itália. Seu pai havia sido prefeito dessa localidade e sua mãe era irmã de um cardeal que depois foi eleito Papa.

No início de sua juventude, mudou-se para a Cidade Eterna e integrou-se no Colégio Romano, dirigido pelos jesuítas. Estudou Teologia em Pádua e foi ordenado sacerdote, aos 28 anos de idade.

Tornou-se professor da Universidade de Louvain, na Bélgica, onde brilhou por sua inteligência e combateu vigorosamente o Padre Miguel Baio, chanceler dessa prestigiosa escola, o qual entre outros erros negava a liberdade. Dizia que o homem é tiranizado por concupiscência irresistível; no fundo era a heresia de Lutero e Calvino.[1]

Entusiasta por São Tomás de Aquino, suas aulas refletiam a sabedoria do Doutor Angélico. Posteriormente, ele redigiu a célebre obra Ratio Studiorum, na qual explana a pedagogia jesuítica e recomenda ao professor que nunca se afaste da Filosofia de Aristóteles bem como da Teologia de São Tomás de Aquino.

O livro “Controvérsias” promoveu muitas conversões

A fim de refutar os erros protestantes, escreveu diversas obras intituladas “Controvérsias”, que promoveram grande número de conversões de hereges. Gregório XIII convocou-o para lecionar no Colégio Romano a disciplina “Controvérsia”, que posteriormente passou a ser chamada “Apologética”.

Possuía prodigiosa memória “que lhe permitia reter tudo quanto havia lido uma só vez; possuía um conhecimento dos Padres da Igreja e dos teólogos mais famosos que despertava um verdadeiro assombro, um domínio de vários idiomas e um estilo ameno e fluído”.[2]

As principais universidades da Europa, inclusive a de Paris, disputavam-no como professor de Teologia. Até mesmo São Carlos Borromeu, Bispo de Milão, chegou a solicitá-lo para ajudá-lo em sua diocese.

Nesse período, compendiando as obras anteriormente publicadas, ele redigiu “Controvérsias” onde expôs a doutrina da Igreja e refutou as heresias então propaladas, que alcançou enorme repercussão na Europa e teve vinte edições durante sua vida.

O líder calvinista Teodoro de Beza, sucessor de Calvino, dizia, referindo-se a ela: “Eis o livro que nos perdeu.” Sua leitura foi proibida na Inglaterra pela sanguinária Rainha Isabel I a quem não fosse doutor em teologia protestante, sob pena de morte, tal o número de conversões que operava.

Um menino marchando ufano à testa de uma tropa

É preciso apresentar mais um dado empolgante de sua vida: “Foi um grande diretor de consciências. Coube-lhe a glória de ser confessor e diretor espiritual de São Luís Gonzaga, a alma virginal, delicadíssima que deveria servir de modelo às cortes e às várias classes sociais da Europa que, mais do que nunca, estavam afundadas na impureza”.[3]

Pertencente à alta nobreza, São Luís era filho primogênito do Marquês de Castiglione – Norte da Itália –, que o instruiu desde criança nas artes militares. Quando havia desfile militar, seu pai o colocava à frente das tropas, com as pequenas armas que mandara fabricar para ele.

“Podemos imaginar que encanto: um menino que tinha uma alma de lírio, marchando ufano à testa de uma tropa maravilhada pela vista do filho do Marquês de Castiglione!”[4]

Movido pela graça divina, desejava ser sacerdote jesuíta, mas seu pai se opôs furiosamente pois almejava que fosse seu sucessor no marquesado. Aos 17 anos de idade, ele renunciou a todos os direitos de herança, o que foi confirmado pelo Imperador do Sacro Império Romano Alemão Rodolfo II. Partiu para Roma e, por causa de sua origem nobre, foi recebido em audiência pelo Papa Sisto V; integrou-se no Colégio Romano, como noviço da Companhia de Jesus.

São Roberto Belarmino, Reitor desse Colégio, foi escolhido para ser seu diretor espiritual. Pouco tempo depois, com 23 anos de idade, São Luís faleceu vítima da enfermidade que o atacou quando servia com dedicação os atingidos por uma peste, em Roma.

São Luís Gonzaga estava confirmado em graça

Fazendo comentários sobre suas elevadas virtudes, São Roberto afirmou que São Luís estava confirmado em graça. “Uma pessoa ser confirmada em graça é um dom extraordinário. Não quer dizer que ela seja somente santa, mas que Deus deu àquela santidade tal vigor que a pessoa não pecará mais. Mais precisamente, não perderá o
estado de graça; não cometerá pecado mortal. É a excelsitude das excelsitudes.”

De todas as partes vieram pedidos para sua canonização. O próprio Imperador Rodolfo escreveu ao Sumo Pontífice recordando “a pura, piedosa, santa e mortificada vida de Luís”, acrescentando: “era Príncipe do Sacro Romano Império e tinha dado a todos tão preclaro exemplo de desprezar o mundo”.

“Considerem como os tempos mudaram: o mais alto personagem temporal da Cristandade naquele tempo, o Imperador do Sacro Império, se interessava pela beatificação de uma pessoa. Escrevia diretamente ao Papa, intervindo como filho primogênito, em certo sentido da palavra, da Igreja para a beatificação do Servo de Deus”.[5]

 Não basta ensinar o bem, é preciso atacar o mal

Em 1593, Clemente VIII nomeou São Roberto Belarmino cardeal e inquisidor.

Entre outras obras, São Roberto escreveu “Ascensão da mente a Deus através das coisas criadas”. A respeito desse tema, Dr. Plinio Corrêa de Oliveira afirmou:

“Está na natureza humana, feita de alma e corpo, sentir a necessidade de ver para amar. Por isso Deus criou uma quantidade enorme de seres que são ora imagem, ora semelhança d’Ele para, de algum modo, O amarmos através do conhecimento das coisas visíveis.

“Ou seja, não se ama a Deus apenas no Céu, mas na Terra as coisas que Ele criou e Lhe são conformes. Tudo quanto há de belo, de grandioso, de bom na natureza, no homem e sobretudo na Igreja Católica, que é a obra-prima da Criação de Deus,
deve-se amar porque é semelhante a Ele”. [6]

Pio XI canonizou-o, concedeu-lhe o título de Doutor da Igreja e afirmou ser ele “o martelo dos hereges”. Sua memória é celebrada em 17 de setembro.

“São Roberto Belarmino entendeu que não se pode destruir a heresia apenas ensinando a verdade, mas é preciso também atacar o erro. Além de propugnar o bem, é preciso atacar o mal. Ele entendeu que por essa forma se operavam conversões e, portanto, se trabalhava pela união da Igreja”.[7]

Por Paulo Francisco Martos

Noções de História da Igreja


[1] Cf. CRISTIANI, Léon – Breve História das heresias. São Paulo: Livraria Editora Flamboyant. 1962, p. 85

[2] CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. “Martelo” contra a heresia protestante. In Dr. Plinio. São Paulo. Ano XXVII, n. 318 (setembro 2024), p. 25.

[3] Id. ibidem. p. 27.

[4] Id. São Luís Gonzaga, um grande batalhador. In Dr. Plinio. Ano XV, n. 171 (junho 2012), p. 26.

[5] Id. Ibidem, p. 27 e 31.

[6]  Id. Tochas vivas do amor de Deus. In Dr. Plinio.  Ano XXVI. n.  307 (outubro 2023), p. 9

[7] Id. Martelo” contra a heresia protestante. In Dr. Plinio. Ano XXVII, n. 318 (setembro 2024), p. 26.

Deixe seu comentário

Notícias Relacionadas