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São Paulo: a mais retumbante conversão da História

A autossuficiência de Saulo fora substituída pela humildade de Paulo. Morrera o fanático fariseu, perseguidor dos cristãos, nascia o gigante da Fé que deslumbrará a Igreja.

Redação (25/01/2021 11:42, Gaudium Press) Com o sacrifício do primeiro mártir, Santo Estevão, teve início violenta perseguição contra a Igreja de Jerusalém, obrigando os fiéis a se dispersarem pelo interior da Judéia, pela Samaria, Síria e ilha de Chipre. Somente os Apóstolos permaneceram mais algum tempo na Cidade Santa.

Um fariseu se destacava por seu ódio contra os seguidores de Jesus. Não tendo idade legal para apedrejar Estevão, Saulo limitou-se a tomar conta dos mantos dos algozes.

De fato, seu ódio aos cristãos o levou a pedir ao príncipe dos sacerdotes cartas para as sinagogas de Damasco, com o fim de levar presos a Jerusalém os cristãos que lá encontrasse.

A mais retumbante conversão da História

Quem era esse Saulo?

Pelo ano 3 de nossa era, nasceu ele em Tarso, na Cilícia, cidade então célebre como centro comercial e intelectual.

Sua família pertencia à tribo de Benjamin e gozava do direito de cidadania romana. Jovem ainda, estudou em Jerusalém, na escola do conhecido Gamaliel. Mas tudo leva a crer que permaneceu poucos anos nessa cidade, e não chegou a conhecer pessoalmente Jesus, segundo alguns autores.

Quando o reencontramos em Jerusalém, ei-lo na primeira fileira dos perseguidores dos cristãos.

Sua maravilhosa conversão no caminho de Damasco, a mais retumbante da História, deu-se por volta do ano 35. Tinha ele cerca de 32 anos.

É bem conhecido o episódio em que, subitamente envolto por uma luz resplandecente, caiu por terra e ouviu uma voz vinda do Céu:

— Saulo, Saulo, por que me persegues?

— Quem és, Senhor?

— Eu sou Jesus, a quem tu persegues.

— Senhor, que queres que eu faça? — perguntou trêmulo o até então orgulhoso fariseu.

— Levanta-te, entra na cidade. Aí te será dito o que deves fazer — respondeu Jesus.

E Saulo, levantando-se, constatou que estava cego…

Para grandes males, grandes remédios. Que soberana manifestação de Deus, reduzindo à impotência aquele que julgava tudo poder! Cego, apenas sabia que devia se dirigir a Damasco: Aí te será dito o que deves fazer…

A auto-suficiência de Saulo fora substituída pela humildade de Paulo. Morrera o fanático fariseu, perseguidor dos cristãos, nascia o gigante da Fé que deslumbrará a Igreja. Tudo no Apóstolo Paulo é grandioso.

Em Damasco, Ananias lhe restituiu a vista e o batizou. Em seguida, o neo-convertido passou três anos no deserto da Arábia sendo instruído pelo próprio Jesus.

Voltando à capital da Síria, pregou a fé cristã com tanto zelo e sucesso, que os judeus, furiosos, tentaram matá-lo. Mas os discípulos fizeram-no descer à noite pela muralha, dentro de um cesto. Fugindo para Jerusalém, tentou juntar-se lá aos cristãos, mas todos o temiam, não crendo em sua conversão.

Assim, Barnabé apresentou-o aos Apóstolos, narrando como em Damasco Paulo pregara com desassombro o nome de Jesus.

Permaneceu pouco tempo na Cidade Santa, pois aí também alguns judeus quiseram matá-lo. O próprio Jesus lhe apareceu, alertando-o: “Apressa-te e sai logo de Jerusalém porque não receberão o teu testemunho a meu respeito. Vai, porque Eu te enviarei para longe, às nações…”.

Portentosa epopeia evangelizadora

Com esse mandato do Divino Mestre, o Apóstolo iniciou sua portentosa epopeia de evangelização entre os gentios. Partiu para Tarso, e de lá seguiu com Barnabé para Antioquia, onde formaram uma grande comunidade de fiéis. Nesta cidade, os discípulos de Jesus foram chamados pela primeira vez de cristãos, para os distinguir dos judeus e dos gentios.

Na ilha de Chipre, para onde os dois Apóstolos se dirigiram, vemos um exemplo do fogo evangelizador de Paulo. O procônsul Sérgio Paulo, homem sensato, desejava ouvir a palavra de Deus. Mas Barjesus, um mago, procurava desviar da fé esse magistrado romano.

Por isso, Paulo cravou no falso profeta os olhos e disse: “Filho do demônio, cheio de todo engano e de toda astúcia, inimigo de toda justiça, não cessas de perverter os caminhos retos do Senhor! Eis que agora está sobre ti a mão do Senhor e ficarás cego. Não verás o sol até nova ordem!”

Ao ver o mago logo reduzido à cegueira, o procônsul abraçou a fé, admirando vivamente a doutrina do Senhor. Apesar disso, as autoridades da cidade expulsaram os dois Apóstolos, por instigação dos judeus.

Pregaram destemidamente o Evangelho em sucessivas cidades, acompanhada por vezes de milagres admiráveis, numerosas conversões, o que ocasionava a perseguição por parte dos dirigentes das sinagogas locais.

Deus quer operar milagres através dos Santos

Deus deu a alguns de seus discípulos o poder de, em seu nome, curar os enfermos, expulsar os demônios, e até ressuscitar mortos.

São Paulo valeu-se largamente desse poder, para atrair e confirmar na Fé aqueles a quem pregava. Na cidade de Listra, ordenou a um homem coxo de nascença: “Levanta-te direito sobre os teus pés!” Este deu um salto e pôs-se a andar. Impressionado, num primeiro momento o povo quis adorá-lo como um deus.

Porém, manipulado por alguns judeus, acabou apedrejando Paulo. Julgando-o morto, o arrastou para fora da cidade. O Apóstolo foi salvo depois pelos discípulos.

Na ilha de Malta, curou o pai do governador, impondo-lhe as mãos. Sabendo disto, os habitantes apressaram em trazer-lhe todos os doentes da ilha, e todos foram curados.

E em Trôade, Paulo ressuscitou um moço que, durante uma pregação que se prolongara noite adentro, adormeceu e caiu do terceiro andar, vindo a falecer.

Seria demais longa a enumeração desses fatos prodigiosos. Mencionemos apenas mais um, muito interessante para mostrar como Nosso Senhor Jesus Cristo se compraz com o culto às relíquias dos Santos.

Diz o livro dos Atos dos Apóstolos (19, 11): “Deus fazia milagres extraordinários por intermédio de Paulo, de modo que lenços e outros panos que tinham tocado o seu corpo eram levados aos enfermos; e afastavam-se deles as doenças e retiravam-se os espíritos malignos”.

Combateu o bom combate, recebeu no Céu a coroa de justiça

Estando preso em Roma, o incansável Apóstolo não deixou de pregar, e obteve a conversão de incontáveis almas.

Posto em liberdade no início do ano 64, dirigiu-se à Espanha e à Ásia. Retornando a Roma, foi preso novamente, desta vez com São Pedro. Ficaram eles na prisão mais antiga de Roma, o Cárcere Mamertino, local impregnado de bênçãos, que comove a quantos por lá passam.

No final de sua heroica vida, pôde o Apóstolo das Gentes cantar este hino de triunfo do varão que sente a consciência limpa na hora do encontro com o Supremo Juiz:

“Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Resta-me agora receber a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos aqueles que aguardam com amor a sua aparição” .

Grandiosa foi sua vida, tal será também sua morte.

Sendo cidadão romano, São Paulo não podia ser crucificado. Foi, assim, decapitado pela espada, no ano 67.

Conta-nos a tradição que sua cabeça, rolando ao solo, saltou três vezes e fez brotar três fontes que podem ser vistas ainda hoje na Igreja de San Paolo alle Tre Fontane, na via d’Ostia, em Roma.

Texto extraído, com adaptações, da Revista Arautos do Evangelho n. 25, janeiro 2004. Por Roberto Kasuo

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