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São Luís rei, exemplo sempre atual para todos

No dia 25 de agosto, a Igreja celebra a memória de São Luís, rei de França. Neste ano de 2020, completam-se 750 anos de sua morte. O que a vida deste santo tem a nos ensinar?

Redação (25/08/2020 13:26, Gaudium Press) Santo é, por definição, aquele que se distingue heroicamente na prática das virtudes cristãs. O santo sempre se destaca na prática dos mandamentos, ele se adianta ao comum dos homens, ergue-se acima da mediocridade de seu tempo. O santo eleva-se sobre a mediania como o carvalho entre as árvores.

Ser santo é ser exemplo. Ele está à nossa frente para indicar a estrada; está acima para estender-nos a mão e elevar-nos ao seu patamar. Os santos existem para mostrar que a perfeição cristã não é impossível, porque, ao contrário do que ensinam muitas escolas de piedade, a via da santidade é acessível a todos. Mais: ela é o único caminho.

Na vida de São Luís IX, tudo é exemplar. Passados 750 anos de sua morte, ele sorri para nós, convidando a trilhar seus passos.

Modelo de vida familiar

A primeira lição que nos dá a vida de São Luís é que a educação dos grandes homens começa no berço. Filho de Branca de Castela, o jovem príncipe aprendeu que o rei também é servidor, pois ele é vassalo do Rei dos reis. Sua mãe dizia-lhe que preferia vê-lo morto a pecador.

Marido de uma só mulher, São Luís venceu-se a si mesmo antes de vencer os adversários externos. Contrariamente aos péssimos costumes de sua época, São Luís teve um casamento casto e exemplar com Margarita de Provence, a qual lhe deu 11 filhos.

A educação dos filhos! Angustioso capítulo da vida de muitos pais, os quais podem encontrar no monarca preciosas instruções. Diariamente, ensinava pessoalmente os seus. Para São Luís, desde que se inculcasse nos filhos o respeito e o amor a Deus, tudo não seria senão consequência, tanto os êxitos materiais, quanto os espirituais. Eis as palavras que dedicou a seu primogênito:

“Filho dileto, começo por querer ensinar-te a amar o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com todas as tuas forças; pois sem isto não há salvação.

“Filho, deves evitar tudo quanto sabes desagradar a Deus, quer dizer, todo pecado mortal, de tal forma que prefiras ser atormentado por toda sorte de martírios a cometer um pecado mortal. […]

“Sê dedicado e obediente à nossa mãe, a Igreja Romana, ao Sumo Pontífice como pai espiritual. Esforça-te por remover de teu país todo pecado, sobretudo o de blasfêmia e a heresia”.

Modelo de governante

Aos 20 anos, São Luís passou a reinar pessoalmente. A virtude deu a este rei precoce sabedoria.

Logo nos primeiros anos de governo, São Luís promoveu uma espécie de enquete em todas as suas terras, com a finalidade de informar-se das dificuldades dos súditos e saná-las. Sob o carvalho de Vincennes, o monarca dispunha-se a escutar quem quisesse lhe falar.

Seu senso de justiça tornou-se proverbial. E até hoje na França, depois de todo gênero de convulsões antimonárquicas e anárquicas, permanece intacta a memória do pai do povo. Os franceses, ao se referir à época do rei, dizem: “o bom tempo de meu senhor São Luís” ou “século de ouro de São Luís”.

Promotor da cultura

Como todos os reis medievais, São Luís era cavaleiro e guerreiro. Porém, ele apreciava a cultura. À sua mesa, São Tomás de Aquino e São Boaventura compareciam assiduamente, discutindo, na presença do monarca, questões filosóficas e teológicas.

São Luís amava ainda a boa arquitetura e as artes. Quem, visitando Paris, deixaria de conhecer a Sainte-Chapelle, relicário de vitrais construído para abrigar a coroa de espinhos de Nosso Senhor Jesus Cristo? Ela foi edificada por ordem do virtuoso rei.

Diante do infortúnio

Engana-se quem pense que a vida dos santos é um caminho margeado de flores e límpidos córregos. Não. Para ser santo de verdade, é preciso mostrar o amor a Deus quando sobre o homem desabam a dor, o fracasso, a perseguição.

São Luís empregou duas Cruzadas para libertar o Santo Sepulcro de Nosso Senhor em Jerusalém. As duas empresas, contudo, foram para o rei ocasiões de terríveis infortúnios.

Na sua primeira viagem ao oriente, São Luís desembarcou no Egito, inicialmente. A campanha que começara brilhante, rápido converteu-se em tragédia: por uma imprudência de seu irmão mais novo, o santo terminou prisioneiro de seus adversários. A serenidade, a dignidade, a piedade, a fé… em uma palavra, a santidade de São Luís ressoou até no interior de seus algozes. Durante seu cativeiro, os muçulmanos acorriam à cela do rei para pedir-lhe conselho.

Face à morte

Em 1270, o santo monarca promoveu outra cruzada. Desembarcou desta vez em Túnis. Porém, a peste logo invadiu seu acampamento. São Luís, como simples enfermeiro, acorria de leito em leito, sem preocupar-se com sua própria saúde. Atendia a todos, confortando espiritualmente a cada um. Não tardou em contagiar-se ele mesmo, vindo a morrer no dia 25 de agosto. Antes de entregar seu espírito, deitado sobre o chão e cinzas, com os braços em cruz, disse: “Senhor! Entrarei em vossa casa e vos adorarei no vosso santo tabernáculo”.

Santidade, um caminho para todos

A vida de São Luís, nos breves traços que apresentamos, ensina que todos os homens devem acorrer à santidade, independentemente de sua condição de vida. Para nos inculcar esta verdade, talvez tenha querido Deus que um de seus eleitos fosse para nós modelo dos mais variados estados. São Luís é-nos exemplo de governo e submissão, justiça e misericórdia, piedade e fortaleza. É filho excepcional, marido casto e pai modelo. Lutador, construtor e letrado. Ensina-nos a enfrentar o infortúnio de mãos erguidas, não em sinal de revolta, mas em ação de graças.

Por Paulo da Cruz

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