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São Germano de Auxèrre e a Imperatriz Gala Placídia

Enquanto os bárbaros devastavam a Gália, atual França, a Providência suscitou São Germano de Auxèrre, um dos bispos que marcaram gloriosamente a História desse país.

Redação (10/08/2021 17:01, Gaudium Press) Germano nasceu em 380, na cidade de Auxèrre, situada na Borgonha, França, de uma das mais nobres famílias da região. Após o estudo das artes liberais, dirigiu-se a Roma onde formou-se em Direito. No exercício de suas atividades, demonstrou possuir tantas qualidades que o Senado o designou governador da Borgonha.

O Bispo de Auxèrre, prevendo sua morte próxima, recebeu uma revelação divina de que deveria escolher Germano como seu sucessor. Convocou-o para uma solenidade na igreja, durante a qual cortou os cabelos dele e declarou-lhe que seria bispo da cidade.

Pouco tempo depois, o prelado morreu e o povo inteiro pediu a Germano que fosse o novo bispo. Tocado pela graça divina, ele assumiu a diocese, distribuiu seus bens aos pobres e passou a levar uma vida de oração, penitência e luta pela Igreja.

Conhecendo seu grande zelo apostólico, o Papa São Bonifácio I ordenou-lhe que fosse para a Grã-Bretanha a fim de combater a heresia pregada por Pelágio (360-422) – monge irlandês que negava o pecado original e a graça divina –, a qual terríveis males causava naquela nação. E designou São Lupo, Bispo de Troyes, para acompanhá-lo nessa importante missão.

Encontro com Santa Genoveva

Os dois prelados iniciaram sua longa caminhada, cheios de Fé, confiança e espírito de sacrifício. Quando chegaram à aldeia de Nanterre, nas proximidades da atual Paris, dirigiam-se à igreja para rezar.

No meio do povinho que acorreu ao templo, São Germano discerniu uma menina chamada Genoveva; chamou-a e disse-lhe que deveria se consagrar a Deus. Ela seguiu o conselho, tornou-se uma grande Santa e posteriormente libertou Paris do ataque dos bárbaros.

Causa-nos admiração o fato de um papa santo mandar dois bispos santos “para defender um país que está ameaçado pela heresia. Compreende-se o calor da santidade, a intensidade da vida espiritual, o que era, afinal de contas, este florilégio enorme de Santos sobre os quais a Idade Média, ponto
por ponto, vinha se construindo”. [1]

Após penosa viagem, os dois apóstolos chegaram à Grã-Bretanha. São Germano realizou milagres, abriu escolas para jovens nas principais cidades e nos centros monásticos do país, e depois regressou à França.

Em Ravena, entrega sua alma a Deus

O povo da Armórica – Noroeste da França atual –, tendo sido atacado pelos alanos, implorou a São Germano que o socorresse. Embora idoso, ele viajou à Ravena, Itália, a fim de pedir ao Imperador Valentiniano III que tomasse providências para expulsar aqueles bárbaros.

O Bispo de Ravena, São Pedro Crisólogo, acompanhado de todo o clero, recebeu-o às portas da cidade. Em seguida, a Imperatriz Gala Placídia e seu filho Valentiniano III o acolheram no Palácio Imperial, com todas as honras.

O Santo permaneceu algum tempo em Ravena e, certo dia, enviou à Imperatriz Gala Placídia um pedaço de pão numa bandeja de madeira. Ela recebeu o presente com muito respeito, mandou colocar a bandeja num relicário de ouro e guardou o pão a fim de utilizá-lo como remédio para suas enfermidades.

Pouco depois, Nosso Senhor Jesus Cristo apareceu a São Germano e disse-lhe que seria em breve levado para o Céu. De fato, ele caiu doente e a casa onde se encontrava foi cercada por uma multidão que, dia e noite, rezava pelo seu restabelecimento. Gala Placídia prestou todo auxílio ao Santo, o qual morreu em 448.

Sofrimentos de Gala Placídia

A piedosa Gala Placídia, que exerceu o poder imperial durante 25 anos, passou por terríveis sofrimentos ao longo de sua vida.

Em 410, quando Roma foi tomada pelo rei dos visigodos, Alarico, este levou-a como refém, mas morreu pouco tempo depois. Ela, então, teve que se casar com o irmão de Alarico.

Tendo falecido seu marido bárbaro, ela regressou a Ravena e desposou Constâncio que, em 420, tornou-se Imperador sob o título de Constâncio III. Tiveram dois filhos: Grata Honória e Valentiniano – futuro Imperador Valentiniano III.

Grata Honória causou enormes aflições a sua mãe. Por seu mau comportamento, ela foi enviada para Constantinopla e lá se casou com um senador. Mas certo dia Honória enviou secretamente um anel a Átila, rei dos hunos, propondo-lhe que a desposasse…

Pedir um perdão novo e uma nova graça

Comenta Dr. Plinio Corrêa de Oliveira:

“É notável o espírito de Fé que animava essa soberana. Ela toma o prato de madeira e o coloca num relicário de ouro, porque fora presenteado por um Santo.

“Embora ele ainda não tivesse sido canonizado pela Igreja, a Imperatriz estava convencida da heroicidade de virtudes do bispo. E sendo notórias, sólidas, incontestáveis as provas dessa perfeição espiritual, ela guardou o pão para usá-lo como remédio em suas doenças. E certamente esse alimento operou muitos milagres!

“Tal atitude da parte da soberana indica outra intensidade da Fé, das bênçãos divinas, outro regime da graça de Deus para com os homens naquele período histórico. […]

“Séculos mais tarde, na época medieval, a graça era generosa, abundante, triunfante. Atualmente, por ser tão mal recebida pelos homens, apesar de ser igualmente copiosa, o seu triunfo é mais difícil…

“Houve em determinado momento da História um pecado instigado pelo Inferno, que determinou a ruína da Cristandade medieval e alterou tudo na Terra. Uma vez perdoado este pecado, começará o Reino de Maria, pelo favor e misericórdia de Nossa Senhora.

“Devemos, pois, por meio de São Germano de Auxèrre, implorar com insistência que nos venha do Céu uma graça nova, um perdão novo, e a Virgem Santíssima se digne de estabelecer com os homens um teor de relações baseado numa outra situação.

“Não se pense que simplesmente com a derrota da Revolução e dos adversários da Igreja Católica estaria tudo resolvido. É preciso esse perdão, um fato de ordem sobrenatural que será o alicerce do Reino de Maria.” [2]

Por Paulo Francisco Martos

[1] CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Santa Genoveva. In revista Dr. Plinio. São Paulo. Ano XVIII, n. 202 (janeiro 2015), p. 29-30.

[2] Idem. São Germano de Auxèrre, apóstolo da Gália, da Itália e Grã-Bretanha. In revista Dr. Plinio. São Paulo. Ano VIII, n. 88 (julho 2005), p. 29.

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