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São Domingos de Gusmão: o santo da oração séria e compenetrada

Como harmonizar a ação com a contemplação? São Domingos nos dá o exemplo!

Redação (06/08/2020 09:40, Gaudium Press)

Um aspecto pouco contemplado de sua pessoa…

Hoje a Igreja celebra a memória de São Domingos de Gusmão, Sacerdote e Fundador da Ordem dos Pregadores, chamados Dominicanos. Figura insigne, que contribuiu fundamentalmente para a renovação da Igreja do seu tempo.

Sobre ele, contudo, convém evidenciar um aspecto essencial da sua espiritualidade: a sua vida de oração.

Fonte inesgotável das palavras do Espírito Santo

São Domingos foi um homem de oração. Apaixonado por Deus, aspirava unicamente pela salvação das almas, em particular daquelas que caíam nas redes das heresias da sua época; imitador de Cristo, encarnou radicalmente os três conselhos evangélicos, unindo à proclamação da Palavra o testemunho de uma vida pobre; sob orientação do Espírito Santo, progrediu no caminho da perfeição cristã. Em todos os momentos, a oração foi a força que renovou e tornou sempre fecundas as suas obras apostólicas.

O Beato Jordão da Saxônia, falecido em 1237, seu sucessor na direção da Ordem, escreveu: “Durante o dia, ninguém se mostrava mais sociável do que ele… Vice-versa à noite, ninguém era mais assíduo do que ele na vigília da oração. O dia era dedicado ao próximo, mas a noite era oferecida a Deus”. Em São Domingos podemos ver um exemplo de integração harmoniosa entre a contemplação dos mistérios divinos e a atividade apostólica.

Segundo os testemunhos das pessoas mais próximas, “ele falava sempre com Deus ou de Deus”. Tal observação indica a sua comunhão profunda com o Senhor e, ao mesmo tempo, o compromisso constante de conduzir os outros para esta comunhão com Deus.

A contemplação: o caminho seguro para a ação

São Domingos é muito conhecido pelos seus discursos fogosos contra os hereges de sua época, e, dentre estes, muito especialmente, aqueles que eram dirigidos aos que pugnavam ardilosamente em prol de uma vida apática e ateia, sem Deus e sua Mãe Santíssima.

Sem dúvida, esse foi um aspecto que brilhou muito em sua pessoa, e que é, e sempre será, digno de nossa admiração! Porém, ele é pouco conhecido em sua vida interior e de contemplação, e isso faz com que, infelizmente, o contemplemos somente por um aspecto e não no seu todo.

Tais atitudes de São Domingos contra os infiéis hereges de seu tempo se deviam em grande parte ao seu desmesurado amor à vida de piedade, que foi a fonte de todas as suas forças, tornando “o Santo” do rosário e da Santíssima Virgem.

Meditação pessoal e ação de graças pela Criação

Antes de tudo, São Domingos prolongava o diálogo com Deus, sem pôr limites ao tempo. Sentado tranquilamente, recolhia-se em atitude de escuta, lendo um livro ou fixando o Crucificado. Vivia estes momentos de relação com Deus de modo tão intenso que até exteriormente se podiam notar as suas reações de alegria ou de pranto. Com efeito, através da meditação assimilou as realidades da Fé.

As testemunhas narram que, às vezes, entrava numa espécie de êxtase, com o rosto transfigurado, mas, imediatamente depois retomava, humildemente as suas atividades diárias, revigorado pela força que vem do Alto.

Vivia em contínuo estado de oração. Assim, durante as viagens de um convento para outro, recitava as Laudes, a Hora Média e as Vésperas com os companheiros e, ao atravessar os vales ou as colinas, contemplava a beleza da criação. De fato, do seu coração brotava um cântico de louvor e de ação de graças a Deus por tantos dons, sobretudo pela maior maravilha: a redenção realizada por Cristo.

Necessidade de encontrar momentos para rezar

Queridos amigos, São Domingos recorda-nos que, na origem do testemunho da Fé que cada cristão deve dar em família, no trabalho, no compromisso social e também nos momentos de distensão, está a oração, o contato pessoal com Deus; só esta relação real com Deus nos dá a força para viver intensamente cada evento, em particular, os momentos mais difíceis.

Este Santo recorda-nos também a importância das atitudes exteriores na nossa oração. O ajoelhar-se, o ficar em pé diante do Senhor, o olhar fixado no Crucificado, o deter-se e recolher-se em silêncio não são secundários, mas ajudam-nos a colocar-nos interiormente, com todo o nosso ser, diante de Deus.

Evidencia-se, portanto, neste exemplo de vida dada por São Domingos, a necessidade de uma vida interior séria e compenetrada, pois é só em Deus que está a verdadeira paz e tranquilidade, e é n’Ele que encontraremos o verdadeiro repouso nesses dias tão calamitosos em que vivemos, de paganismo e de imoralidades desenfreadas.

Sua vida, cheia de reveses, pugnas e dificuldades, mostrou, em todos os seus passos, que é através de uma vida de piedade bem levada, com contemplação e devoção, que se conseguirá agir do modo certo e santo nos mais diversos combates de nossas vidas.

Extraído de um artigo da Revista Arautos nº 130, com algumas adaptações, por Bento XVI, Audiência Geral em Castel Gandolfo, 8/8/2012.

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