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São Camilo de Lellis: “Celeste protetor de todos os enfermos”

Vontade férrea, confiança inabalável em Deus, intolerância para com os próprios defeitos e resolução sobre-humana em praticar a virtude são traços que constituem a zelosa personalidade de São Camilo de Lellis, cuja memória a Igreja celebra no dia 14 de julho.

Redação (13/07/2020 17:07, Gaudium Press) De temperamento fortíssimo, de vontade calorosa e de anelos poucas vezes vistos no decorrer dos tempos, São Camilo, ainda muito jovem, ansiava por uma vida diferente à dos demais homens de sua época. O mundo era insuficiente para conter o calor de sua juventude e não havia nada na terra que o satisfizesse.

Infância e juventude de Camilo

Com a perda dos seus pais, ainda em tenra idade, Camilo teve que enfrentar o combate da vida sozinho, além de arcar com muitas responsabilidades prematuramente. Por isso, inexperiente, não encontrou ele outro modo de saciar esses seus desejos do que nos jogos e nas constantes disputas e discussões, ocorrências que foram se tornando uma armadilha para a sua alma. Em uma dessas disputas, por exemplo, chegou a sortear sua própria roupa como pagamento de um jogo.

Devido a essa jogatina, sua vida foi se tornando cada vez mais fátua e ociosa. Sequer conseguia se sustentar, levando-o muitas vezes a passar fome e frio.

Ora, é nesse mesmo período que Camilo contraiu uma úlcera no pé direito, a qual se prolongou até o fim de sua vida.

Uma luz no caminho

 Foi, então, que piedosos monges capuchinos o acolheram em um convento da Ordem, onde ele passou a trabalhar.

Um dia, entretanto, enquanto transportava alguns materiais de um convento para outro, caiu do animal em que ia montado, fato que o fez acordar do seu “longo sono” e que o levou a um profundo arrependimento de suas faltas e a um resoluto desejo de reparação, comprometendo-se a vencer a sua leviandade anterior, incorporando-se à Ordem dos Capuchinhos.

A partir dessa graça, sua vida mudou completamente, e todo o fogo de sua alma foi canalizado para o que verdadeiramente ele deveria querer e amar.

Sua ferida, porém, não o permitia permanecer naquele convento e ser um religioso capuchinho, razão que o motivou a partir para o Hospital de São Tiago em Roma. Nesse lugar, sob a orientação de São Filipe Néri, começou a cuidar dos doentes e, certo tempo depois, foi ordenado sacerdote.

Sob o constante influxo do Divino Espírito Santo, Camilo começou a elaborar então a formação de uma Companhia de Médicos que se ocupasse em fazer o bem sem desejo de retribuição, vendo em cada doente, a própria imagem do Cristo crucificado. Assim, encetava ele o recrutamento de seus primeiros discípulos e filhos espirituais.

Insaciável conquistador de Deus e protetor dos enfermos

Distinguindo-se logo pelo empenho, destreza e diligência com que cuidava dos enfermos – razão que ampliou logo a sua popularidade nas redondezas de Roma –, a Ordem nascente foi solicitada pelo reino de Nápoles para atuar como sanitários de campo nas guerras contra a Hungria. Apesar das dificuldades sem-fim, alcançou eminente êxito, ampliando a boa fama da Companhia.

Porém, tais conquistas não o saciavam inteiramente. Para as grandes almas são necessários grandes horizontes. Por isso, Camilo percebeu que ter apenas médicos e enfermeiros não bastava para dar uma assistência completa às almas. Era também necessária a formação religiosa. Assim, sempre insaciável de conquistas, começou a trilhar os caminhos que levariam a Santa Sé a aprovar sua Companhia.

Isso não tardou em acontecer. Afamada pela sua grande atuação junto aos enfermos, a Companhia foi aprovada em 21 de setembro de 1591 pelo Papa Gregório XIV, que a reconheceu como Ordem Religiosa sob o nome de Camilianos. E, em 8 de dezembro do mesmo ano, São Camilo e seus discípulos fizeram solenemente sua profissão de fé, incluindo o voto de dedicação aos doentes, ainda que isso incorresse na perda da própria vida, como parte dos requisitos de sua regra. De fato, a caridade destes heróis se manifestou mais especialmente por ocasião das pestes e epidemias que assolaram aquelas regiões.

São Camilo, entretanto, estava com a saúde debilitada e, nesse período, seu estado se agravou ainda mais, levando-o a renunciar ao cargo de Superior Geral de sua Ordem Religiosa, em vista de uma possível partida para a eternidade.

E foi o que aconteceu. Já extenuado pelas numerosas lutas travadas em sua longa corrida no caminho da perfeição, exortou os seus filhos espirituais com palavras cheias de fogo e de devoção à Santíssima Trindade e à bem-aventurada Virgem Maria, em um verdadeiro arrobo de entusiasmo pela sua Causa. Em seguida, com grande seriedade e dignidade, rendeu sua alma a Deus em 14 de julho de 1614.

Seu féretro foi acompanhado por uma grande multidão, e, para a surpresa de todos, a ferida de seu pé, carregada por ele com tanta mortificação durante todo esse tempo, desapareceu milagrosamente.

“Celeste protetor de todos os enfermos e hospitais”

Foi canonizado em 29 de junho de 1746, dia da festa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, pelo papa Bento XIV. Em 1886, pelo Papa Leão XIII, foi ainda nomeado juntamente com São João de Deus, “celeste protetor de todos os enfermos e hospitais do mundo católico”.

Ainda hoje, sua vida cheia de reveses, lutas e dificuldades repercute em todo mundo cristão como um fidedigno e dedicado exemplo de altivez em meio às provações com as quais a Providência costuma forjar os grandes santos.

Por Gabriel Ferreira

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