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São Bernardo de Claraval: filho predileto de Nossa Senhora

São Bernardo é um dos sóis da Igreja Católica e da devoção mariana. É o “Doutor Melífluo” que exaltou a bondade e a misericórdia de Nossa Senhora.

Redação (20/08/2021 08:41, Gaudium Press) São Bernardo de Claraval surge como uma figura fascinante, que se distinguiu em sua época por ter levado à máxima expressão a reforma cisterciense.

No ano de 1091 nascia num castelo da Borgonha o terceiro filho do senhor de Fontaines e da virtuosa dama Alet. Pouco antes de dar à luz o menino, teve ela um sonho tão nítido e expressivo que sua maternal intuição não deixou de ver nele um providencial aviso sobre o futuro do filho: tinha-lhe aparecido um cachorrinho de alvíssima pele que latia fortemente e sem cessar.

Aflita, porém, por não alcançar uma clara interpretação que traduzisse seus pressentimentos, consultou um servo de Deus, o qual lhe respondeu: “O menino será um grande pregador e latirá continuamente para guardar a Casa de Deus, e curará as chagas de muitas almas”.

Dr. Plinio Corrêa de Oliveira assim o descreve: “Eu o imagino plutôt alto, quase esguio; claro, com traços regulares e cabelo rigorosamente raspado; olhos firmes, transparentes e perfurantes, capazes, entretanto, de uma doçura inimaginável. Devia ser eloquente como uma chama de fogo saída da pureza nívea de seu corpo, revestido de uma túnica limpíssima. Uma aura de alvura prateada o cercava, ornando-o de respeitabilidade.

“São Bernardo era um homem que emitia o sobrenatural de mil modos; uma espécie de ‘flash’ contínuo para quem o conhecia. Varão todo feito de sobrenatural, Eu o imagino rezando com uma ênfase transpassada de afeto, mas com um quê de polêmica: ‘Lembrai-Vos, o piíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer…’”

Quem, no mundo cristão, não conhece a incomparável e doce prece “Lembrai-vos”, a ele atribuída? Foi um dos primeiros a chamar de “Nossa Senhora” a Mãe de Deus.

Radicalidade da vida monástica

Contava Bernardo 21 anos de idade, e a graça divina havia muito batia às portas de seu coração ardente: “Para que vieste ao mundo?” Esta pergunta vinha-lhe à mente com frequência cada vez maior.

A radicalidade da vida monástica atraía aquela alma feita para grandes atos de heroísmo: abandonar honras, riqueza e família, consagrar-se para sempre ao serviço do Rei Eterno, viver daquele amor sobrenatural cujas labaredas cresciam sem cessar em seu interior…

Fortalecido e cheio de sobrenatural certeza, Bernardo dirigiu-se para um mosteiro quase desconhecido, fundado não havia muito tempo pelo santo abade Roberto de Molesmes e situado num bosque não distante do castelo de sua família: Cister.

Claraval

Por ordem de seu superior, Santo Estevão Harding, partiu ele, acompanhado de doze companheiros, a fundar uma nova abadia. Tinha apenas 25 anos.

A paragem escolhida foi um isolado e sombrio vale, temido por causa dos ladrões que ali se refugiavam. Mas em pouco tempo a floresta cedeu lugar aos campos cultivados, os muros começaram a elevar-se, vozes puras e varonis fizeram ecoar a laus perenni naquelas vastidões, e a luz divina refletida por São Bernardo dissipou as obscuridades do lugar, que passou a chamar-se Clara Vallis — Claraval.

O Abade de Claraval foi uma alma privilegiada pela graça, com a qual Nossa Senhora estabeleceu uma aliança de especial benquerença e confiança, como se visse nele um alter Christus a quem revelava os segredos de seu Imaculado Coração.

O fato de receber as íntimas confidências da Rainha do Céu propiciou que o santo monge tivesse um convívio espiritual muito estreito com Ela, chegando a fazer o voto de amá-La sempre.

Sua vida esteve animada por grandes anseios, em sua maioria coroados de fracassos colossais, permitidos pela Mãe de Misericórdia para mais assemelhá-lo a seu Divino Filho.

Voz e braço de Deus

Mas a luz não foi feita para ser escondida e sim para iluminar e brilhar aos olhos de todos (cfr. Mt 5, 15-16). Em vão procurava Bernardo a solidão e o silêncio de seu amado vale. Contra sua vontade, tornou-se o conselheiro de Papas, bispos e monarcas, o diretor espiritual da Europa medieval, o Moisés da Cristandade.

Não havia pregador mais ardente nem personagem com maior prestígio do que ele. Venerado como santo pelas multidões e reconhecido como profeta e taumaturgo, sua mera presença, suas palavras e escritos despertavam um entusiasmo novo e combatiam vitoriosamente as heresias e os adversários da Igreja.

São Bernardo prega a Segunda Cruzada

Teve ele um coração de águia, desejoso de voar nos largos horizontes da contemplação. Isso não o impediu, contudo, de impulsionar na terra instituições nobilíssimas como a Ordem dos Templários, à qual dedicou um de seus escritos: De laude novæ militiæ.

Nele enaltece os monges-guerreiros por serem a ponto de revelar-lhe os segredos de seu Coração ministros de Deus “para a vingança dos maus e o louvor dos bons”.

Por meio de Bernardo, seu filho predileto, Maria espalhou pela Cristandade um renovado fervor em relação à sua mediação materna e fez soprar um vento possante sobre as brasas da combatividade medieval.

Desse modo, a pugnacidade cristã mostrou sua face mais éclatante nas Ordens de Cavalaria, cuja benéfica influência nas Cruzadas está registrada nos anais da História.

“Vinde, bendito de meu Pai”

Retornando de uma missão apostólica, quando já estava com 63 anos de idade, curou uma mulher cega, na presença de uma enorme multidão que acorria para venerá-lo. Foi o último milagre realizado na sua existência terrena.

Ao chegar a seu amado mosteiro de Claraval, sentia-se desfalecer. Mas transbordava de sua alma a serena confiança do navegante que finalmente avista o porto anelado.

No dia 20 de agosto de 1153, às nove horas da manhã, entregou sua puríssima alma a seu Criador e Redentor.

Texto extraído, com adaptações, da Revista Arautos do Evangelho, agosto 2006 e do livro Maria Santíssima! O Paraíso de Deus revelado aos homens v.3, por Mons Scognamiglio Clá Dias.

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