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São Bento: Patriarca do monaquismo católico

No dia 11 de julho, a Igreja comemora a festa de São Bento, glorioso Patriarca que estendeu seu espírito por toda a Civilização Cristã.

Redação (11/07/2020 11:20, Gaudium Press) Os santos testemunham, com o exemplo de suas vidas, que a prática das virtudes é possível para todos os homens.

Todo santo é um herói. Ser herói comporta um combate contínuo, primeiro contra si mesmo, em virtude das paixões desregradas pelo pecado original, e depois contra tudo que se opõe ao ideal abraçado. É evidente, portanto, que a vida dos grandes luminares de virtude, que nos precederam, foi crivada de sofrimentos, dores e sacrifícios.

Ora, o homem que não segue as vias da virtude acaba criando para si uma série de princípios que justificam sua má conduta, ou atenuam a gravidade de seus atos. Com frequência, esses princípios, atacam o mérito dos santos, pois afirmam tratar-se de pessoas excepcionais, que não tiveram que enfrentar as agruras da vida do mundo, mas se apartaram do convívio comum e foram para um lugar desértico, levar uma vida na qual não se apresentam as tentações, e nem sequer as dificuldades próprias de quem vive nas complicações cotidianas do século. Ou ainda, mesmo os santos que viveram no mundo, pelo fato de se terem voltado integralmente a Deus e à religião, se tornam isentos de uma série de complicações inerentes à natureza humana. Fatal engano! Pouco se sabe dos incalculáveis padecimentos e provações dos santos, pois sua humildade os impede de falar de si e de suas boas ações.

Prova de quanto a via de santidade é dura, séria e odiada pelos maus, mas, ao mesmo tempo, a única fonte da verdadeira alegria e o ideal que deve ser buscado com afinco por todos, foi a vida de São Bento, cuja festa a Igreja comemora no dia 11 de julho. Contemplemos alguns aspectos de sua história, e vejamos o quanto Deus cumula de dons e virtudes aqueles que se entregam à sua Causa.

Vida de São Bento

Nascido de nobre família, no ano de 480, em Núrsia, o jovem Bento sentia em si o chamado de dedicar-se inteiramente a Deus, por meio de uma vida solitária. Entretanto, outros eram os desejos de seus pais, que enviaram o menino à Roma para realizar seus estudos. Fatigado por viver em meio às decadências morais que pululavam naquela cidade, abandonou tudo o que o ligava ao mundo, bens, casa, honras, e foi se refugiar num lugar ermo, onde pudesse levar uma vida de contemplação.

Nesse seu primeiro refúgio, na cidade de Enfide, operou milagres, como o conserto de um crivo de argila que, por descuido, sua ama deixara cair.

Em pouco tempo, espalhou-se a fama de santidade do varão de Deus, que se viu obrigado a procurar, em outro lugar, a solidão que tanto almejara. O lugar escolhido foi Subiaco, onde se instalou numa pequena gruta. Nesse período seu alimento material foi um pedaço de pão que recebia de Romano, monge que vivia num mosteiro próximo, e que descia o alimento para a gruta do santo por meio de uma corda. Foi também nesse tempo que o santo venceu uma das mais terríveis provações pelas quais passou. Instigado tenazmente pelas sugestões diabólicas contra a virtude da pureza, atirou-se num espinheiro, despojado de suas vestimentas, onde dilacerou todo o corpo. No entanto, sua alma foi completamente purificada dos ardis do tentador.

O perigo da tibieza

Pouco tempo depois, alguns monges, que levavam uma vida tíbia e sem desejo vivo de santidade, vieram pedir ao santo varão que assumisse o cargo de abade do mosteiro, pois falecera o abade anterior. Encargo que aceitou apenas em função da insistência dos frades.

Entretanto, o proceder desses decadentes religiosos deixou claro para a posteridade que os tíbios, ou se convertem, por meio de uma graça eficaz, ou sempre acabam se tornando péssimos. Movidos pelo ódio que a radicalidade suscita naqueles que querem viver em suas comodidades, cumpriram as palavras do sábio: “Os ímpios dizem: armemos ciladas ao justo, porque sua presença nos incomoda; ele se opõe ao nosso modo de agir, repreende em nós as transgressões da lei e nos reprova as faltas contra a nossa disciplina” (Sb 2, 12). Com efeito, tentaram matar o Santo abade oferecendo-lhe uma taça de vinho misturado com veneno. No momento em que São Bento a abençoou, a taça se quebrou derramando todo o líquido que continha.

Após esse terrível episódio, o santo voltou para a solidão de sua gruta. E tanto se espalhava sua fama, que outros varões, desejosos por se assemelharem ao santo de Subiaco, acorreram para lá, a fim de viverem sob sua orientação. Pela grande quantidade de eremitas, São Bento fundou doze mosteiros, constituindo o núcleo inicial da ordem beneditina.

A expansão da obra beneditina

Perseguido novamente por seus inimigos, São Bento viu-se obrigado a mudar de cidade e dirigiu-se a Cassino, onde erigiu um mosteiro, construído pelos próprios monges, dando origem ao famoso Monte Cassino.

São Bento transmitia uma tal graça, que homens ilustres iam visitá-lo continuamente. Príncipes, bispos, e notáveis varões acorriam para se aconselhar e encontrar refrigério em suas palavras e espírito.

Com o intuito de orientar a disciplina e a espiritualidade dos monges, de acordo com o carisma do fundador, o santo abade escreveu a Regra dos Monges. De fato, harmonizou a oração e as ações concretas, dando a cada uma o valor que lhe é próprio. Ou seja, apartar a alma das coisas deste mundo, elevando-a sem obstáculos até as contemplações celestiais. Durante séculos, tal conjunto de regras regeu quase toda a vida monástica no Ocidente.

Por fim, no dia 21 de março de 547, São Bento rendia sua alma a Deus, deixando na terra uma obra que seria capaz de fortalecer a Cristandade e sustentar a fidelidade ao espírito verdadeiramente católico e religioso.

Recebendo a notícia de sua morte, com seis dias de antecedência, mandou que preparassem uma cova. Com efeito, logo foi acometido por uma febre alta e morreu de pé, apoiado pelos seus filhos espirituais, pronunciando sua última prece.

Patriarca do monaquismo

São Bento é intitulado Patriarca do Monaquismo Ocidental, por ter sido o Pai espiritual de uma enorme família de almas que, seguindo o espírito beneditino e sua Regra, espalhou seu espírito por toda a civilização ocidental.

O Santo Fundador foi um bulbo que germinou numa enorme sequoia, de onde floresceu a grandeza da civilização ocidental. Aquele carisma que nascia em Monte Cassino, mais tarde, no século X, deu origem à Abadia beneditina de Cluny, que chegou a ter 17 mil mosteiros subordinados a si. Algumas famosas universidades, como a de Paris, Cambridge, Bolonha, Oviedo, Salamanca, Salzburgo surgiram como desdobramentos de colégios beneditinos. Mais de 30 Papas seguiram sua Regra. Numerosos cardeais, bispos e santos doutores o seguiam como mestre. O espírito de São Bento influenciou a cultura, os costumes e as instituições de toda uma Civilização, que constituiu a Cristandade Medieval.

Vemos como Deus, ao longo da História, suscita varões especialmente chamados para representar, por suas vidas, a presença do próprio Criador entre os homens. São almas especialmente eleitas, que transmitem seu espírito, seu modo de ser, sua sabedoria àqueles que os querem seguir. Deus é o senhor da História, e nunca deixa a humanidade sem um guia, que a possa conduzir ao Céu. A questão é saber encontrar esse varão e amá-lo, embebendo-se do seu espírito e de suas virtudes.

 

Por Jiordano Carraro

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