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Santo Irineu: Doutor da Igreja

Dia 28 de junho, a Igreja celebra a memória de Santo Irineu, discípulo de São Policarpo, bispo de Esmirna, e quase contemporâneo dos apóstolos.

Redação (27/06/2022 17:52, Gaudium Press) Do período subapostólico, (do final do primeiro século à metade do segundo), até o século sexto, a Santa Igreja teve a seu serviço uma plêiade de homens insignes em santidade, sabedoria e ardor apostólico; entre eles está Irineu.

Paira um mistério sobre sua vida; o pouco que se sabe a seu respeito é que nasceu por volta do ano de 150, que sua cidade natal é provavelmente Esmirna, situada na Ásia menor. Tudo indica que sua família era cristã, pois como ele mesmo descreve em uma de suas cartas, ainda quando criança frequentou as pregações do bispo São Policarpo de Esmirna, que por sua vez fora discípulo do apóstolo São João Evangelista, por isso foi-lhe conferido o título devir apostólicus.

Eis o trecho da carta que Santo Irineu (1995, p.15) escreveu a Florino, ex-condiscípulo de São Policarpo, que apostatara e tornara-se valentiniano, lembrando a ocasião em que ambos se encontraram na casa deste santo:

“Com efeito, te conheci (a Florino), sendo eu criança ainda, na Ásia menor, na casa de Policarpo. Tu eras então personagem de categoria na corte imperial, e procuravas estar em boas relações com ele. Dos acontecimentos daqueles dias me recordo com maior clareza que os recentes, porque o que aprendemos em crianças cresce com a alma e se faz uma mesma coisa com ela, de maneira que até posso dizer o lugar onde o bem-aventurado Policarpo costumava sentar-se, como entrava e como saia, o caráter de sua vida, o aspecto do seu corpo, os discursos que fazia ao povo, como contava suas relações com João e com os outros que haviam visto ao Senhor…”

Os historiadores, com base neste texto, afirmam que Santo Irineu foi um dos últimos homens apostólicos de sua era. Ele próprio ao comentar os padres apostólicos dizia que ele ainda tinha a voz dos Apóstolos nos ouvidos e os seus exemplos diante dos olhos.

Bispo de Lyon

Por razões desconhecidas, deixou a Ásia menor e se dirigiu à Gália, por volta do ano de 177. Estabeleceu-se na cidade de Lyon, onde foi ordenado presbítero.

A cristandade enfrentava nesse período um grande inimigo: a heresia do montanismo. A cidade de Lyon, situada na antiga Gália, atual França, passava por numerosas dificuldades e perseguições por parte desses hereges. Santo Irineu foi enviado a Roma para encontrar-se com o Papa Santo Eleutério, com o fito de servir de mediador na questão da heresia e para pedir ao Santo Padre uma condenação categórica do montanismo.

A carta, que nessa ocasião entregou ao Papa, trazia muitos elogios à sua pessoa e dava dele uma excelente recomendação. Eusébio de Cesaréia (apud QUASTEN, 2008) cita este trecho em sua história eclesiástica: “esperamos que pedindo a nosso irmão e companheiro que te leve esta carta, tenhas para com ele o apreço devido a seu zelo pelo testamento de Cristo”.

Regressando de Roma, foi eleito, por aclamação popular, bispo de Lyon, sucedendo na cátedra episcopal a São Potino, que morreu devido aos maus tratos recebidos na prisão por parte dos montanistas, com noventa anos de idade.

Sabedoria e ciência unidas à santidade

Constitui um fato inegável, a erudição de Santo Irineu. Ao longo de suas obras denota um profundo conhecimento bíblico; nelas encontramos a citação de quase todos os livros bíblicos. Além disso, nutriu contatos com grandes sábios e santos de sua época, como São Clemente Romano, Teófilo de Antioquia, Clemente de Alexandria e o já acima citado, São Policarpo de Esmirna.

O conhecimento que possuía dos autores clássicos demonstra rica cultura e uma arte de “filtrar” os dados necessários para o enriquecimento literário de seus escritos. Neles encontramos citações de Homero, Hesíodo, as doutrinas de Platão e Aristóteles, entre outros.

Um dos traços preponderantes de sua vida, foi o fato dele ter unido essa erudição e sabedoria a um profundo amor a Deus, pois suas obras, além de terem como base um profundo alicerce cultural e filosófico, exalam o suave perfume da santidade e levam aqueles que as leem a crescer no amor a Deus.

Muito pouco se sabe a respeito de sua morte. Uma tradição antiga, que remonta a São Jerônimo, afirma que foi martirizado por heréticos, por volta do ano de 202, juntamente com outros cristãos, em um massacre que houve na cidade de Lyon, sob o reinado do imperador Sétimo Severo.

A Santa Igreja o venera como mártir, celebrando-o a 28 de junho.

Por Pe. Lucas Antonio Pinatti, EP.

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