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Santíssimo Nome de Maria: Socorro dos aflitos e perseguidos

A Igreja sempre foi perseguida. Em algumas épocas históricas, tais perseguições produziram mártires e confessores; em outras, porém, fizeram brotar os guerreiros e os soldados de Cristo. Da terrível perseguição que sofre, hoje, a Mãe Igreja, o que surgirá? A comemoração do Santíssimo Nome de Maria nos sugere uma resposta.

Redação (07:57:52, Gaudium Press) “Um sacerdote católico foi cortado em pedacinhos, outro foi enterrado vivo e seus familiares tiveram as orelhas e o nariz cortados”. Deste modo era a perseguição que sofria a Igreja católica na Alemanha e em seus arredores na quadra histórica de 1680.

Certamente, autores de tais crimes só poderiam ser bárbaros ou pagãos! Não… O dito assassino era um conde protestante – “cristão”, portanto – chamado Tekeli. E seu ódio pelos católicos não parava por aí: ele se aliou aos muçulmanos para combater a Cristandade.

O imperador do Sacro Império, Leopoldo, por vezes tentava pedir a Tekeli e aos muçulmanos que vivessem em paz com os católicos; inclusive, pedira ao sultão Maomé IV uma prorrogação da trégua de vinte anos, concluída em 1664. Mas, quanto mais falava de paz, mais seus inimigos buscavam a guerra.

E… não teve outro jeito.

Lutar era a única opção

1682. O Grão-Vizir Kara Mustapha parte de Constantinopla para Belgrado, guiado pelo protestante Tekeli, de onde invade a Hungria com numerosas tropas de tártaros e turcos. O imperador Leopoldo precisava defender-se. Não tendo outra opção, armou um exército – que se compunha de trinta e três mil homens – passou-lhe em revista a 1° de maio, e entregou o comando a seu cunhado, o Duque Carlos de Lorena. O Grão-Vizir marchou em direção a Viena com duzentos mil homens – aproximadamente seis vezes mais que o número dos guerreiros católicos!

Como governador da cidade de Viena, Leopoldo designou Stahrenberg. As fortificações da cidade estavam em estado deplorável: não havia paliçadas, nem munições, nem provisões. Mas, Stahrenberg mostrou que estava à altura do posto que recebera: em cinco dias, a cidade estava preparada para a batalha.

O exército turco iniciou o cerco no dia 14 de julho; bombardeou a cidade e tentou assaltos por seis semanas. Mas, animados por Stahrenberg, os habitantes de Viena não pensaram em render-se: preferiam ser sepultados nas ruínas da cidade!

Porém, o comandante das tropas imperiais, o Duque Carlos de Lorena, temia. Sabia que eram pouco numerosos, e que não suportariam por muito mais tempo; por isso, esperava auxílio dos príncipes alemães, e, sobretudo, de João Sobieski, rei da Polônia.

Muitas dificuldades e traições se interpuseram para impedir que João Sobieski fosse em auxílio das tropas católicas. Na verdade, foi só pela intervenção do Papa Inocêncio XI – por intermédio do núncio Pallavicini – que o rei da Polônia pôde socorrer seus queridos irmãos perseguidos.

De fato, os poloneses atenderam o desejo do santo padre e, no dia 12 de setembro de 1683, postaram-se diante de Viena, à vista dos turcos. A eles se uniram o exército imperial, comandado pelo Duque Carlos de Lorena, e as tropas auxiliares dos príncipes alemães, chefiados pelo príncipe Waldeck. O famoso Eugênio de Saboia era um dos comandantes das tropas imperiais, com apenas dezenove anos…

A batalha que salvou a cristandade

Era um domingo, dia do Senhor. Sobieski sabia que sem auxílio celeste não venceria; então, já bem cedo, ajudava a Missa do padre Aviano. E, ciente da gravidade do combate, disse a seus guerreiros: “A batalha de hoje vai decidir não apenas a libertação de Viena, mas a conservação da Polônia e a salvação da Cristandade inteira”. E tinha razão.

No início da batalha, o Duque de Lorena avançou com a ala esquerda; entretanto, como o centro avançasse lentamente, o embate tornou-se geral apenas às 14:00h. Cheia de intrepidez, a cavalaria polonesa adiantou-se muito, de modo a quase ser envolvida pelo exército turco, mas foi salva pelas tropas imperiais. Os alemães conseguiram penetrar no campo inimigo pelo lado esquerdo às seis horas. Às sete, os poloneses já atacavam o inimigo pelo lado direito. Em breve, a vitória se consumou.

Benquerença entre os irmãos

Após uma dura, mas gloriosa vitória, os generais saudavam-se mutuamente e, como durante a batalha uns encontravam-se em alas opostas às dos outros, as manifestações de benquerença permaneceram inclusive no dia seguinte. Na cidade, o povo se alvoroçava para, pelo menos, tocar no manto de João Sobieski; mas este, humildemente, recusava, atribuindo a vitória ao poder de Deus, razão pela qual prostrou-se com o rosto em terra numa igreja e, assim, entoou o Te Deum.

Um belo fato deu-se no encontro de Sobieski com o imperador Leopoldo: de acordo com uma testemunha ocular, tiraram o chapéu e amigavelmente se saudaram, inclusive abraçando-se cordialmente. E a gratidão de Leopoldo não parou por aí: alguns dias depois, enviou a Jaime, filho de João Sobieski, uma espada valiosa e uma carta, na qual testemunhava seu reconhecimento pelo auxílio prestado naquela vitória.

O maltrato entre os inimigos da Igreja

Conquistando Viena, o Grão-Vizir, Kara Mustapha, tencionava transformar a Alemanha – e, posteriormente, a Europa – num segundo império muçulmano.

Derrotado diante de Viena, voltou-se contra o governador de Bude, e mandou cortar-lhe a cabeça. Depois de perder a batalha de Parkani contra os mesmos cristãos, e também a cidade de Gran (ou Strigônia), Kara Mustapha mandou cortar a cabeça dos paxás que haviam entregue esta cidade por capitulação. Mas, em breve – no dia 25 de dezembro de 1683 – teve sua cabeça cortada pelos seus “irmãos” muçulmanos…

A vitória foi de Maria Virgem

Quando a notícia da vitória tornava-se pública, brados de alegria e de vitória se erguiam da Europa, e festas eram celebradas em gratidão a Deus. Mas o auge do júbilo deu-se com a instituição da festa do Santíssimo Nome de Maria pelo próprio Papa Inocêncio XI, em ação de graças pela memorável batalha de Viena.

De fato, é a Mãe de Deus que defende a Igreja, a socorre nas perseguições e se faz inimiga de seus inimigos!

Por Lucas Rezende

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