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Santa Pulquéria combateu heresias e afastou os bárbaros

Esta santa lutou firmemente contra duas heresias: o nestorianismo e o eutiquianismo, que, embora divididas entre si, visavam o mesmo fim: a negação da Encarnação e do papel da Virgem Maria na salvação do gênero humano.

Redação (19/07/2021 09:23, Gaudium Press) No século V, viveu em Bizâncio, também chamada Constantinopla – atual Istambul –, uma imperatriz virgem, Santa Pulquéria, a qual combateu firmemente duas heresias e afastou os bárbaros, que ameaçavam invadir a capital do Império do Oriente.

Cântico dos Salmos

Filha do Imperador Arcádio, nasceu ela em 399 e foi batizada por São João Crisóstomo. Aos 14 anos de idade, fez voto de virgindade.

Para conferir caráter irrevogável à sua consagração a Deus, tornou-a pública por meio da doação à Basílica de Constantinopla de uma mesa de altar admiravelmente trabalhada, ornamentada com ouro e pedras preciosas, na qual havia uma inscrição que dizia ser aquela mesa oferecida por Pulquéria à igreja, como penhor de sua virgindade e em prol da prosperidade do reinado de seu irmão Teodósio – que depois se tornou imperador com o título de Teodósio II.

Santa Pulquéria e suas duas irmãs mais novas cantavam salmos no Palácio Imperial, seguindo os horários do Ofício divino, pedindo a proteção de Deus a elas e ao Império ameaçado continuamente pelos bárbaros.

Com sua fortuna pessoal, mandou construir diversas igrejas em honra da Santíssima Virgem, bem como hospitais e mosteiros.

Aos quinze anos de idade, passou a governar o Império do Oriente, pois seu irmão Teodósio era ainda menino. Sabendo perfeitamente o grego e o latim, em seus discursos e escritos ela se exprimia com elegância.

Átila não ousou atacar Constantinopla

Nessa época, os bárbaros infestavam o Império do Ocidente. Importantes cidades, tais como Colônia e Reims, sofreram terríveis ataques. Roma foi invadida e saqueada, em 410, por Alarico, rei dos visigodos, que eram arianos.

Pouco tempo depois, Átila, rei dos hunos, que conquistara várias regiões, não ousou atacar Constantinopla, mas se dirigiu à Grécia e tomou Atenas. O terrível chefe bárbaro desviou-se da capital do Império do Oriente, devido à presença e orações de Santa Pulquéria.

Amando profundamente a Igreja, ela odiava o mal e lutou firmemente contra duas heresias que derramavam seus venenos em muitas regiões do Império: o nestorianismo e o eutiquianismo, que, embora divididas entre si, visavam o mesmo fim: a negação da Encarnação e do papel da Virgem Maria na salvação do gênero humano.

Santa Pulquéria dedicou-se empenhadamente à educação de seu irmão, mas posteriormente, quando assumiu o cargo de imperador, ele deixou-se arrastar por sua moleza.

Ela concorreu para que Teodósio II desposasse uma filha de um filósofo pagão de Atenas, a qual foi batizada com o nome de Eudóxia. Pouco tempo depois, movida pela inveja, Eudóxia fez com que sua cunhada se retirasse da Corte.

Nestório, Patriarca de Constantinopla, começou a pregar uma heresia que no fundo negava ser Nossa Senhora Mãe de Deus. O fraco Imperador Teodósio II acabou aprovando o nestorianismo. Mas, em 431, o Concílio de Éfeso – cidade da atual Turquia – condenou Nestório, e Teodósio logo depois o exilou.

São Leão Magno recorre a Santa Pulquéria

Tendo o Imperador Teodósio II falecido, em 450, devido a uma queda de cavalo, Pulquéria, que recebera o título de imperatriz há vários anos, tomou as rédeas do governo.

Pouco tempo depois, a fim de estabilizar sua autoridade, ela se casou com Marciano, fervoroso católico e general com grandes dotes militares, o qual dessa forma tornou-se imperador e, a pedido da Santa, respeitou sua virgindade.

Átila reclamou do novo imperador o estipêndio dos pesados tributos que Teodósio II lhe pagava anualmente. E Marciano deu-lhe esta altaneira resposta: “Eu tenho ouro para meus amigos e ferro para meus inimigos.” Então, Átila desistiu de atacar o Império do Oriente e foi ameaçar o do Ocidente.

Em Constantinopla apareceu outro herege chamado Eutiques, que era abade de um mosteiro e admitia só a natureza divina de Cristo, não a humana. Essa heresia foi denominada “monofisismo”.

O Papa São Leão Magno pediu encarecidamente a Santa Pulquéria que viesse em auxílio da ortodoxia ameaçada. Ela e Marciano convocaram um Concílio em Calcedônia, nas cercanias de Constantinopla, o qual realizou-se no ano 451.

Esse Concílio, do qual participaram 350 bispos, proclamou que Nosso Senhor Jesus Cristo é uma só Pessoa com duas naturezas – a divina e a humana; é o que se chama “União Hipostática”. Assim, as heresias de Nestório e Eutiques foram condenadas. Por decreto imperial, este último foi expulso de seu mosteiro e exilado.

Dois anos depois, aos 54 anos de idade, faleceu Santa Pulquéria. Sua memória é celebrada em 10 de setembro.

Um dos mais bonitos episódios da História

Transcrevemos a seguir alguns comentários feitos por Dr. Plinio Corrêa de Oliveira a respeito dessa Santa.

“Vejam que coisa linda! Bizâncio, capital deslumbrante, amável, com as suas suntuosas igrejas, seus palácios, seus estádios, suas escolas, seu luxo! Ali se encontrava instalada uma imperatriz que canta os Salmos com suas irmãs virgens e, por essa forma, rechaça os bárbaros que invadiam o Império, e protege aquele reduto da Cristandade contra toda deterioração.

“Este coro da Imperatriz com suas irmãs virgens, cantando Salmos para a proteção do Império, é um dos mais bonitos episódios que a História possa ter apresentado à consideração humana. […]

“É interessante notar o que se conta […] a respeito de Átila. Quando ele veio da Hungria para invadir o Império Romano do Ocidente, não se dirigiu imediatamente a este, mas desceu e ameaçou o Império do Oriente.

“Ali ele foi derrotado, e só então se dirigiu para o Império do Ocidente, onde produziu devastações tremendas que deixaram esse Império todo abalado, combalido, para cair debaixo de outros choques que não tardariam a vir.

“Eis o efeito da presença de uma imperatriz santa servindo de ‘para-raios’ e afastando inimigos terríveis, de maneira que o Império do Oriente veio a cair mil anos depois da queda do Império do Ocidente.”

De fato, o Império Romano do Ocidente foi invadido pelos bárbaros e desapareceu em 476. O do Oriente caiu em 1453, quando Maomé II tomou Constantinopla.

“Devemos pedir a Santa Pulquéria que obtenha para nós a graça de compreendermos e fazermos compreender essas verdades, e de exercermos a nossa tarefa na sociedade temporal com ardor renovado, porque entendemos bem como isso está dentro dos planos da Providência.” 

Por Paulo Francisco Martos

1 Cf. DARRAS, Joseph Epiphane. Histoire Génerale de l’Église. Paris: Louis Vivès. 1889, v. XII, p. 56-66 ; 1869, v. XIII, p. 269. Cf. ROHRBACHER, René-François. Vida dos Santos. São Paulo: Editora das Américas. 1959, v. XVI, p. 125-134.

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