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Santa Maria Faustina Kowalska: missão de anunciar a Misericórdia

Santa Maria Faustina Kowalska foi uma religiosa da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia, a quem coube viver e proclamar, de forma especial, a misericórdia do Sagrado Coração de Jesus.

Redação (05/10/2021 10:14, Gaudium Press) Helena Kowalska nasceu a 25 de agosto de 1905, em Glogowiec, uma pequena aldeia da Polônia. Tendo sido escolhida por Deus para uma alta missão, como veremos, teve aos sete anos os primeiros contatos com Aquele que seria seu confidente, guia e razão de sua existência.

“Com essa idade, ouvi pela primeira vez a voz de Deus na alma, ou seja, o convite para uma vida mais perfeita, mas nem sempre fui obediente à voz da graça”, relata com simplicidade em seu Diário.

Com efeito, o coração da menina resistia aos apelos do Divino Redentor, naquele então, e ainda precisava ser conquistado por Ele.

 Vitória dos apelos divinos

Aos dezoito anos, Helena decide seguir a via religiosa, contrariando as expectativas dos pais. Impelida por um insistente chamado de Jesus, dirige-se a Varsóvia e, depois de percorrer diversos mosteiros, entra para a Congregação de Nossa Senhora da Misericórdia, tomando o nome de Ir. Maria Faustina.

No entanto, mesmo nesta nova via, com frequência era-lhe difícil sujeitar-se às solicitações divinas. Num dia de Natal, por exemplo, com o intuito de fugir da voz do Senhor, pediu autorização à superiora para visitar as irmãs que viviam na nova casa Jozefinek, aberta pela congregação no bairro de Grochów.

Antes de sair, porém, ao voltar da cela onde fora buscar a capa, Jesus lhe apareceu e disse: “Vai, mas Eu tomo o seu coração”. Naquele instante sentiu que não o tinha mais dentro do peito…

Uma espécie de saudade apoderou-se dela durante todo o percurso, fazendo com que, depois de ficar por um breve espaço de tempo em Jozefinek, instasse suas acompanhantes a voltarem logo para o convento.

Rigor e brandura no convívio com Jesus

Com amor ciumento a atraia o Divino Jesus. Tendo sido enviada à casa de Plock, recebeu a função de ornar a capela com flores.

Certo dia separou algumas das mais belas rosas para enfeitar a cela de uma das irmãs. No caminho, deparou-se com o Senhor a perguntar-lhe em tom de benigna repreensão: “Minha filha, para quem estás levando essas flores?” O silêncio foi sua resposta, pois dera-se conta de que não era por caridade que levava aquelas flores… Lançando-as ao chão, saiu pressurosa em direção ao tabernáculo!

Em outras ocasiões, o Salvador era mais incisivo, sem deixar de ser afável, como aconteceu quando foi chamada a Juízo e viu tudo quanto havia em sua alma que não era do agrado d’Ele.

“És culpada de um dia de fogo do Purgatório”, sentenciou o Divino Juiz. E como ela queria lançar-se logo às chamas purificadoras, ao ouvir a sentença, Nosso Senhor a deteve e deu-lhe a escolher entre o Purgatório ou continuar a vida nesta terra.

“Jesus, quero sofrer no Purgatório e quero padecer na terra os maiores tormentos, mesmo que seja até o fim do mundo”, respondeu ela.

Ele retrucou:

“Agora reclina a tua cabeça sobre meu peito, sobre o meu Coração, e tira dele força e vigor para todos os sofrimentos, porque em nenhum lugar encontrarás alívio, ajuda ou consolo. Deves saber que sofrerás muito, muitíssimo, mas não te assustes com isso: Eu estou contigo”.

Benigna admoestação, amorosa severidade. O rigor e a brandura sempre foram as notas marcantes do convívio entre a Santa da Divina Misericórdia e seu Senhor.

“Prepararás o mundo para a minha última vinda”

É próprio a toda alma com vocação profética personificar, de algum modo, a mensagem que está chamada a transmitir.

Santa Faustina Kowalska era chamada a mostrar aos homens o grande amor e a misericórdia de Deus para com a humanidade, por isso não poderiam faltar demonstrações do inenarrável carinho para com ela por parte do Divino Redentor: “O teu coração é o céu para Mim”.

Não obstante, também não podiam deixar de estar presentes as repreensões: “Não conseguirás afastar-te de Mim, porque estou em toda parte”.

Enganam-se, pois, os que pensam que a mensagem trazida por Jesus Misericordioso, a quem a Santa contemplava, estava composta apenas de afabilidade e afeto.

Se assim a considerássemos, teríamos de sua missão uma visualização superficial e ocultaríamos a grandeza dos desígnios de Deus em relação a ela: “Prepararás o mundo para a minha última vinda”.

Grandiosa e enigmática missão

No dia 22 de novembro de 1931, Santa Faustina recebe do Senhor Jesus o encargo de mandar pintar um quadro tal como ela O via, com a inscrição: “Jesus, eu confio em Vós”.

Do Coração de Jesus saíam dois raios: um vermelho, representando a misericórdia divina, e outro branco, símbolo da “água que justifica as almas”.

Explicou-lhe Nosso Senhor que, em sua Paixão, derramara seu preciosíssimo Sangue às torrentes e algumas gotas de água. Estas torrentes de Sangue eram as caudais da misericórdia divina que o Salvador faria jorrar sobre a Cristandade em todos os séculos, sendo correspondida não poucas vezes pelos homens com ingratidões sem medida.

Prenunciou-lhe também uma época histórica na qual seu Sagrado Coração irradiaria a justiça divina:

“Antes de vir como justo Juiz, venho como Rei de Misericórdia. Antes de vir o dia da justiça, nos céus será dado aos homens este sinal: apagar-se-á toda a luz no céu e haverá uma grande escuridão sobre a terra. Então aparecerá o sinal da Cruz no céu, e dos orifícios onde foram pregados as mãos e os pés do Salvador sairão grandes luzes que, por algum tempo, iluminarão a terra”.

Eis a grandiosa missão de Sóror Faustina: admoestar a humanidade, olvidada da Paixão redentora de Jesus, para que se volte a Ele durante o tempo da indulgência, antes que venha o da justiça. À semelhança do apelo à cidade de Nínive, quiçá Deus estivesse disposto a mudar de conduta caso os homens se convertessem…

Quantos enigmas envolvem as revelações do Sagrado Coração de Jesus a Santa Faustina Kowalska! Por quantos sofrimentos não passou ela, pelo fato de conhecer tantas coisas vindouras ou presentes, às quais ninguém dava credibilidade, recebendo amiúde orientações como esta, dada por uma das religiosas mais provectas:

“Irmã, tire da cabeça que Nosso Senhor possa conviver com a irmã tão familiarmente, com uma tão miserável, uma tão imperfeita. Nosso Senhor convive apenas com almas santas, lembre-se disso”.

Como Abraão (cf. Gn 18, 21-33), Santa Faustina implorava a misericórdia para o mundo, apresentando a Jesus os justos que nessa época viviam, apesar de algumas vezes ouvir respostas como esta: “Existe ainda um grande número de almas que Me amam muito, mas o meu Coração deseja ser amado por todos, e, porque o meu amor é grande, por isso os ameaço e castigo”.

Poder de impetração pelas almas

O Divino Salvador ia lhe mostrando o sofrimento de irmãs que se encontravam no Purgatório e precisavam de orações; ou a situação espiritual de pessoas que nem sequer conviviam com ela.

Em certa feita, viu um sacerdote a ponto de cair em pecado mortal. Rogou a Deus que enviasse a ela todos os sofrimentos que bem quisesse, porém o livrasse de tal ocasião. “Jesus ouviu a minha prece e imediatamente senti sobre a minha cabeça a coroa de espinhos. Os espinhos dessa coroa penetravam até o meu cérebro”.

Por três horas sofreu um tormento indizível, para que o Senhor fortificasse a alma de seu servo.

Em outra circunstância viu duas irmãs que estavam prestes a precipitar-se no inferno, por se encontrarem em situação de pecado grave. Rezou por elas e, no dia seguinte, em obediência à ordem de Nosso Senhor, contou tudo à superiora, vendo uma já “em grande fervor, e a outra em grande luta”.

Não era raro o Redentor mostrar-lhe o futuro de sua nação e até mesmo da Igreja:

“Certo dia, Jesus me disse que havia de punir uma cidade, que é a mais bela de nossa pátria. Esse castigo deveria ser o mesmo que Deus enviou contra Sodoma e Gomorra. Vi a grande ira de Deus, e um estremecimento atravessou o meu coração”.

Por sua oração, unida ao Santo Sacrifício do Altar, obteve que Jesus, no sétimo dia, abençoasse o país.

Conta ela também que numa sexta-feira, em setembro de 1935, teve uma visão: “À noite, quando me encontrava na minha cela, vi o Anjo executor da ira de Deus. Estava vestido de branco, o rosto radiante e uma nuvem a seus pés. Da nuvem saíam trovões e relâmpagos para as suas mãos e delas só então atingiam a terra. Quando vi esse sinal da ira de Deus, que deveria atingir a terra, e especialmente um lugar que não posso mencionar por motivos bem compreensíveis, comecei a pedir ao Anjo que se detivesse por alguns momentos, pois o mundo faria penitência. Mas o meu pedido de nada valeu perante a cólera de Deus”.

Rezou com força e o Anjo suspendeu o justo castigo, merecido por causa de tantos pecados.

Heroísmo na via do abandono

Quantas perplexidades e noites escuras assaltaram o espírito desta Santa, as quais, às vezes, quase lhe abalaram a fé! E com quanta humildade, para quem em outros tempos fora difícil sujeitar-se às solicitações divinas, se rebaixava agora ao ouvir alguns comentários de suas superioras, de seus diretores espirituais e até de suas próprias companheiras…

“Ouvi dizer que a irmã é uma visionária, que está tendo visões. Pobre irmã”, disse-lhe pesarosa, em confidência, uma religiosa do convento.

“Excêntrica, histérica, visionária, suma do meu quarto, não quero mais ver a irmã”, bradou-lhe com ira uma das madres, numa ocasião.

Situação pior era quando se lhe apresentavam demônios, a dizer: “Eis a recompensa pela tua fidelidade e sinceridade; aqui está o teu prêmio. Como se pode ser sincera, quando se é assim tão incompreendida?”

Verdadeiro heroísmo exigia dela o Rei da Glória, pois queria que se abandonasse unicamente em suas mãos! Fazer sofrer os que ama para que, tendo passado pelo fogo do crisol, saiam do outro lado mais resplandecentes do que o ouro! “Não recompenso o bom êxito no trabalho, mas o sofrimento”.

Especial fulgor na vida futura

Santa Faustina Kowalska é uma das principais figuras e modelos de santidade do século XX. Eis a recompensa prenunciada por Deus aos seus amados: a alegria e a glória, não só do dever cumprido, senão das maravilhas contempladas, das conquistas e das batalhas bem travadas.

Este gozo ela já prelibava nesta vida, quando lhe começava a ser descortinada a vitória do bem com a qual a História, não só dela, senão do mundo inteiro, se encerraria.

Vale a pena passar por tantos infortúnios, vale a pena atravessar vales e pantanais, vale a pena enfrentar um verdadeiro martírio vivo, para contemplar e participar, da eternidade, da realização de todas essas promessas!

Texto extraído, com adaptações, da Revista Arautos do Evangelho n. 202, outubro 2018.

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