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Santa Margarida Maria Alacoque: “alma gêmea” de Nossa Senhora

Santa Margarida Maria Alacoque, religiosa da Ordem da Visitação, foi como que uma “alma gêmea” de Nossa Senhora, casta, obediente e sofredora, íntima confidente do Sagrado Coração.

Redação (15/10/2020 18:36, Gaudium Press) Alma casta, obediente e sofredora, Margarida Maria nasceu em 1647. Já aos cinco anos de idade fez o voto de castidade perpétua, movida por uma excepcional inspiração da graça. Quando contava nove anos foi acometida por uma paralisia, da qual se curou inexplicavelmente após prometer à Santíssima Virgem que abraçaria a vida religiosa.

Desde a juventude teve visões extraordinárias de Jesus crucificado e da cena do Ecce Homo. Depois de sofrer pressões familiares para encetar as vias mundanas, Margarida passou a frequentar a sociedade a fim de comprazer sua mãe e seus irmãos.

Certo dia Nosso Senhor a repreendeu e ela, arrependida, decidiu ingressar no mosteiro. A partir de então as aparições do Salvador se multiplicaram, tornando-a alvo do desprezo das outras religiosas, que a tinham por “visionária”.

Nosso Senhor revela àquela filha predileta sua benevolência em relação aos pecadores, sua disposição de perdoá-los e seu desejo de que O adorem com confiança: “Meu Divino Coração está apaixonado de amor pelos homens, e por ti de modo particular”, declara o Redentor. Entre lamentos, porém, Jesus reconhece ter sido injustamente rejeitado: “Eis o Coração que tanto amou os homens, até se esgotar e consumir para testemunhar-lhes seu amor e, em troca, recebe da maioria deles apenas ingratidões, […] friezas e desprezos”.

Santa Margarida tinha por vocação ser a apóstola do Sagrado Coração de Jesus, embora as circunstâncias se mostrassem adversas, como explica Dr. Plinio: “No mais profundo da sociedade francesa, os germes oriundos dos grandes movimentos ideológicos do século XVI continuavam a se desenvolver vigorosamente. Discretas ainda, as tendências para o racionalismo, o laicismo e o liberalismo se difundiam como uma corrente de água impetuosa e subterrânea nos setores-chave da sociedade”.

Visando quebrar esse trabalho diabólico, Nosso Senhor encomendou a Santa Margarida a missão de transmitir uma mensagem ao Rei Luís XIV, pois desejava conquistar-lhe o coração e fazer dele seu embaixador em toda a Cristandade. Em 17 de junho de 1689, Jesus pediu ao monarca francês a consagração da França a seu Sagrado Coração e sua representação nos estandartes do reino.

Inexplicavelmente o apelo não foi atendido. Como resultado, cem anos depois, no mesmo dia e mês, os Estados Gerais convocados por Luís XVI, sucessor do Rei Sol, se autoproclamariam Assembleia Nacional, dando início à revolução que poria fim à monarquia católica francesa, estabelecida mais de um milênio antes com o Batismo de Clóvis.

Santa Margarida pode ser considerada um alter ego de Maria Santíssima, pois participou em alto grau de seus dons e graças. Nossa Senhora a elegeu com o intuito de dar ocasião a seu Filho de Se manifestar aos homens. Com efeito, vendo nela um espelho das virtudes de sua Mãe, Jesus encontrou um meio propício para inaugurar um prodigioso canal de graças: a devoção ao seu Sagrado Coração.

Quanto a Virgem havia almejado a chegada do momento glorioso em que Jesus abriria seu divino peito e mostraria aos pecadores o tesouro inexaurível de seu incendiado amor! Nenhum outro desejo pulsa com tanta intensidade no Coração Imaculado de Maria como o de glorificar seu Filho e atrair as almas para Ele.

E Santa Margarida Maria foi o instrumento escolhido para propagar essa devoção porque em seu espírito ardia o mesmo fogo que consome o da Mãe de Deus.

Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP

Texto extraído do livro Maria Santíssima! O Paraíso de Deus revelado aos homens. Parte III. p. 101-104.

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