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Santa Isabel da Hungria ante a miséria da lepra

Celebrada pela Igreja em 17 de novembro, Santa Isabel, Rainha da Hungria e Duquesa da Turíngia, pertenceu a uma família que se distinguiu por seus vários membros elevados à honra dos altares. No entanto, prodigalizou uma atenção mais cuidadosa aos que mais necessitavam.

Redação (17/11/2022 09:50, Gaudium Press) Santa Igreja, Mãe e Mestra dos homens, sempre primou pelo perfeito equilíbrio no tocante ao atendimento de seus filhos. A uns, procura levar à santidade pela justa utilização de seus muitos dons espirituais e materiais. A outros, chama aos mais elevados graus de virtude pela perfeita aceitação resignada de suas carências, muitas vezes dolorosíssimas.

Santa Isabel da Hungria (1207-1231) passou voluntariamente de um estado a outro e foi incontestavelmente uma “mulher forte” de que nos fala a Sagrada Escritura (Pr 31,10-29). Filha de André II, rei da Hungria, casou-se com o duque da Turíngia. Viúva aos vinte anos, renunciou a vantajosas segundas núpcias, querendo servir a Deus praticando a pobreza. Não satisfeita com os sacrifícios que se impôs nesta vida, resolveu galgar um grau a mais na escola da perfeição e passou a tratar dos leprosos.

Em seu livro História de Santa Isabel da Hungria, Charles de Montalembert, célebre escritor francês do século XIX, traçou um quadro pungente da postura sumamente materna e compassiva da Igreja Católica face à doença mais temida e repugnante, que foi a lepra:

Os leprosos eram continuamente objeto da predileção de Santa Isabel da Hungria, e de algum modo até de sua inveja, pois a lepra era, entre todas as misérias humanas, aquela que melhor podia desapegar da vida suas vítimas. Frei Gerardo, Provincial dos franciscanos da Alemanha, veio um dia visitá-la. E ela pôs-se a falar longamente sobre a santa pobreza, e pelo fim da conversa exclamou: “Ah! meu Pai, o que eu quereria antes de tudo, e do fundo do meu coração, seria ser tratada em todas as coisas como uma leprosa qualquer. Quisera que se fizesse para mim, como se faz para essa pobre gente, uma pequena choupana de palha e feno, e que se pendurasse diante da porta um pano, para prevenir os transeuntes, e uma caixa, para que nela se pudesse colocar alguma esmola”.

Leproso acolhido no castelo

Em certa ocasião ela acolheu um leproso que viu passar pela rua e o convidou a entrar em seu castelo, deitou-o em seu leito e começou a tratar dele como se fosse o próprio Cristo, à vista daquela palavra de Nosso Senhor de que todos os sofredores representam a Ele.

A sogra de Santa Isabel soube disto e procurou a Luís, seu filho, e lhe disse: “Veja o que sua esposa está fazendo! Colocou um leproso em sua cama, para que depois você seja contagiado! Vá até lá e veja que estou falando a verdade!”

Ele foi e encontrou o leproso deitado na cama, e disse:

— O que é isto? O que significa este homem deitado neste leito?

Ela respondeu:

— Meu esposo, este homem é Nosso Senhor Jesus Cristo.

No momento em que ela afirmou isto, deu-se o milagre e o Duque viu, no leproso, a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. E sentiu um admirável odor de rosas, que se expandia da pessoa do leproso.

É no seio dessa gloriosa companhia que Santa Isabel ocupava já lugar pelos anseios invencíveis de seu coração para o Deus que ela sempre via na pessoa dos pobres.

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