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Santa Genoveva, a virgem que afastou Átila

Átila devastava diversas cidades da Gália – atual França –, mas uma jovem virgem, Santa Genoveva, conseguiu fazer com que a cidade de Paris fosse preservada.

Redação (21/09/2021 10:28, Gaudium Press) Filha única de uma rica família da aristocracia galo-romana, Genoveva nasceu em Nanterre, hoje um bairro de Paris, no ano de 420.

São Germano discerne uma menina

       São Germano de Auxerre e São Lupo, dirigindo-se à Inglaterra para combater o pelagianismo e cristianizar o povo, resolveram fazer uma estadia em Nanterre e foram à igreja, que estava repleta de pessoas.

Iluminado por uma luz divina, São Germano observou em meio à multidão uma menina de sete anos e compreendeu que Deus a escolhera para gloriosa missão.

Tratava-se de Santa Genoveva. Ele rogou que a trouxessem à sua presença e recomendou-lhe que se consagrasse a Nosso Senhor numa pureza sem mancha, como sua esposa. Ela exclamou que esse era o maior desejo de seu coração.

Quando seus pais faleceram, ela estava com vinte anos de idade e passou a ter uma vida de religiosa, numa casa situada nas redondezas de Nanterre.

Átila avança em direção a Paris

Em 451, Átila, rei dos hunos, ruma em direção à Gália com o objetivo de conquistá-la. Após dominar Metz e massacrar seus habitantes, dirigiu-se a Paris, cuja população ficou apavorada.

Santa Genoveva reuniu as mulheres na igreja e exortou-as a fazer vigílias de orações e jejuns para aplacar a cólera divina, e lembrava-lhes os exemplos de Judite e Ester, grandes heroínas israelitas do Antigo Testamento que libertaram o seu povo em situações aflitivas.

E, aos homens que pretendiam fugir, ela advertiu que as cidades nas quais pretendiam se abrigar seriam devastadas pelos hunos, enquanto Paris, pela graça de Jesus Cristo, ficaria ilesa.

Transcorridos alguns dias, indivíduos ímpios começaram a chamá-la de falsa profetiza, queriam lapidá-la e jogá-la no Rio Sena. Em certo momento, chegou à cidade um arquidiácono que fora assessor de São Germano de Auxerre. Diante de uma multidão reunida na praça principal da localidade, ele proclamou que Genoveva era uma santa, a respeito da qual São Germano tecera grandes elogios.

Logo depois, chegou a notícia de que Átila desviara sua rota e, portanto, Paris estava salva. A partir de então, Santa Genoveva passou a ser venerada pelos habitantes.

Seu nome tornou-se conhecido até mesmo no Oriente. São Simeão Estilita, que vivia no alto de uma coluna na Síria, saudava-a como irmã em Cristo.

Santa Clotilde e Clóvis visitam a virgem santa

Certa ocasião, estando os habitantes de Paris padecendo fome, Genoveva tomou providências para que fosse trazido trigo de outras regiões e assim o flagelo cessou.

Clóvis, que fora batizado em 496 por São Remígio, resolveu fazer de Paris a capital do reino franco. Com sua esposa, Santa Clotilde, dirigiu-se a essa cidade e Santa Genoveva o convenceu a erigir um mosteiro numa colina ali existente.

Após o falecimento da virgem santa, em 500, essa colina passou a ser chamada “Montanha de Santa Genoveva”, e o mosteiro tornou-se a “Abadia de Santa Genoveva”, na qual foram colocados posteriormente os túmulos de Santa Genoveva, Santa Clotilde e Clóvis.

Durante a Revolução Francesa, os restos mortais de Santa Genoveva foram levados a Paris e queimados numa praça pública, em 3 de dezembro de 1793.

“No Céu houve grande alegria quando esta menina nasceu”

A respeito de Santa Genoveva, Dr. Plinio Corrêa de Oliveira afirmou:

“Compreende-se o calor da santidade, a intensidade da vida espiritual, o que era, afinal de contas, este florilégio enorme de Santos sobre os quais a Idade Média, ponto por ponto, vinha se construindo.”

São Germano e São Lupo, “ao longo da viagem, passam por uma cidadezinha chamada Nanterre, onde a primeira providência não é se dirigirem para o hotel ou para a hospedaria, nem para um lugar onde possam se divertir. A primeira atitude que tomam, depois de uma viagem fatigante, é ir para a igreja a fim de rezar”.

O povinho, observando como eles oravam, fica maravilhado.

“De repente, nesse ambiente de fervor, uma graça se faz notar por todos: aqueles dois Santos […] distinguem, entre os fiéis que os rodeiam, uma grande Santa, uma menina de sete anos.

“Eles a chamam e, diante de todo o povo, um deles faz a profecia a respeito do que a menina haveria de ser. E começa por dizer assim: ‘Fiquem sabendo que no Céu houve uma grande alegria quando esta menina nasceu.’ […]

“Ninguém duvidou, ninguém pediu provas, todos acreditaram, inclusive a menina e seu pai. Porque essas pessoas são os tais bem-aventurados, dos quais nos fala o Evangelho, que creem sem ter visto.

“Pensam elas: é tão natural ter havido alegria no Céu por uma menina santa que nasceu! Os Santos são tão frequentes e tão numerosos, eles estão em um contato tão contínuo com o Céu, que conhecem o que se passa lá. Portanto é natural que eles saibam. É uma comunicação normal.

“Como isto é diferente da distância que nos separa do sobrenatural em nossos dias! Antes de admitir que uma coisa vem do Céu, o homem contemporâneo se mune de todas as armas do racionalismo para ver se consegue negar. Não havendo meios de recusar, só então ele se resigna sem grande entusiasmo a, de quando em vez, admitir.”

Sua fama se difundiu até o Oriente

Santa Genoveva “cresce, enche o panorama com a sua presença e floresce como uma flor no centro do jardim do Ocidente. Não havia imprensa, rádio ou televisão; entretanto, a fama de Santa Genoveva se espalhou até o Oriente, a ponto de São Simeão Estilita, na Ásia Menor, ouvir falar dela.

“Era o famoso Santo que vivia no alto de uma coluna, de onde nunca descia, rezando o tempo inteiro. Era uma forma de verdadeiro eremita. Ele então ouve falar das virtudes de Santa Genoveva e, por esses “radares” que os Santos têm para se sentirem uns aos outros, compreende que ela era irmã espiritual dele e saudou de longe, do alto de sua coluna, esta flor que nascia no doux pays de France – doce país da França.

“Vemos os contatos passando por sobre os mares, as ilhas, as cordilheiras, as vastidões desertas e povoadas, e estes dois Santos formando uma espécie de arco voltaico de santidade naquela época.”

Santa Genoveva é a padroeira de Paris e das Forças Armadas da França. Roguemos-lhe que nos proteja contra os atuais inimigos da Igreja, que são muitíssimos piores do que Átila, pois, pervertendo o senso do bem, da verdade e do belo, arrastam as almas para os piores vícios.

Por Paulo Francisco Martos

 

 

 

 

 

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