Sacerdote nigeriano denuncia clima de terror e medo em comunidades católicas do país
Segundo o Padre Augustine Ghado, a escalada das atividades criminosas se deve à falta de vontade das autoridades governamentais e a incapacidade de impedir novos ataques.
Foto: Pixabay/Chickenonline.
Nigéria – Kaduna (01/06/2026 14:48, Gaudium Press) O Padre Augustine Ghado, reitor do Seminário Menor de São Pedro, localizado no Estado de Kaduna, região centro-norte da Nigéria, denunciou a dramática e aterrorizante situação dos habitantes do país, que vivem dia e noite com medo de serem assassinados nas ruas, seus entes queridos serem sequestrados ou de terem suas casas queimadas.
Onda de violência causa clima de total insegurança
De Norte ao Sul, de Leste ao Oeste, uma onda de violência têm deixado esta nação da África Ocidental em um clima total de insegurança. Há menos de quatro dias, criminosos atacaram a delegacia, incendiaram o palácio de um emir e sequestraram uma dezena de pessoas no Estado de Kwara, no oeste do país. Horas antes, outro grupo armado atacou os fiéis, que participavam de uma vigília de oração, na cidade vizinha de Ekiti, onde mataram três pessoas e sequestraram pelo menos 25.
Infelizmente, atos como esses já são vistos com uma certa normalidade pelas comunidades cristãs locais, que foram obrigadas a se acostumar com esse tipo de situação violenta. “A Igreja está sofrendo em primeira mão; muitos cristãos foram assassinados e sequestrados; igrejas foram incendiadas e aldeias, conhecidas por serem de maioria cristã, foram atacadas, causando muitas vítimas”, lamentou o Padre Augustine Ghado.
Nove mortos e 25 pessoas sequestradas nos últimos três meses
Somente nos últimos três meses, vários ataques contra as comunidades paroquiais de Kurmin Dangana, no Estado de Kaduna, deixaram o saldo de nove mortes e 25 sequestros. Diante desta triste situação, o chanceler da Arquidiocese de Kaduna, Padre Christian Okewu Emmanuel, escreveu uma carta endereçada ao Secretário-geral católico de Abuja, na qual denuncia a crescente onda de violência e pede uma “intervenção imediata do Governo central para intensificar os esforços pela proteção das vidas e propriedades nas áreas assediadas”.
O epicentro dos atos terroristas está localizado no Estado de Kaduna e nas regiões do norte e do centro do país. Segundo o Padre Ghado, “as aldeias visadas pelos grupos armados tornaram-se lugares fantasmas. Muitos dos moradores, que conseguiram fugir, encontraram abrigo em alguns acampamentos”, porém, “as paróquias danificadas não são mais acessíveis aos seus pastores, o que dificulta os cuidados pastorais”.
Igreja local continua sendo ‘a voz dos que não têm voz’
Ainda de acordo com o sacerdote, o interesse dos criminosos muitas vezes é o dinheiro que podem arrecadar com os resgates pagos pela libertação dos sequestrados. Ele acredita também que a escalada das atividades criminosas se deve à falta de vontade das autoridades governamentais de erradicar concretamente a anarquia e à incapacidade de impedir que atores não estatais façam justiça com as próprias mãos.
Por fim, o Padre Augustine Ghado frisou que a Igreja local continua sendo ‘a voz dos que não têm voz’ e que “a Conferência Episcopal continua a agir como uma sentinela para falar à consciência da nação; ela solicita, constantemente, às autoridades a terem consciência de suas responsabilidades, por meio de reuniões ou de publicações de comunicados”. No mais recente desses comunicados, os Bispos pediram uma intervenção urgente por parte das autoridades federais, reforço na segurança e proteção às comunidades camponesas atacadas por gangues armadas e milícias. (EPC)






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