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Ruge o leão, quem não terá medo?

No dia em que a Igreja comemora a festa dos Protomártires de Roma, a liturgia sugere uma reflexão para os dias atuais. Em meio a tempestade, devemos acordar o Senhor?

Redação (30/06/2020 16:04, Gaudium Press) Se voltarmos nossos olhos para o mundo ao nosso redor, veremos que tudo acontece segundo uma ordem própria à natureza: vem a tempestade, os animais se escondem em suas tocas. Se o mar está movimentado, não é o momento de pescar. Quando o leão ruge na selva, é porque encontrou a sua presa. E não há o que fazer para impedir que essas coisas sejam assim.

Se isso acontece na natureza criada, com muito mais razão, quando Deus se pronuncia, podemos ter certeza de que suas palavras se realizarão.

Perseguição aos cristãos

Quando ainda estava no meio dos homens, percorrendo os campos da Galileia, Nosso Senhor Jesus Cristo instituiu sua Igreja e prometeu que ela seria indestrutível e se expandiria pela terra. Os inimigos, esquecendo que a promessa vinha do próprio Deus, fizeram de tudo para impedir essa expansão: caluniaram, perseguiram e mataram os pregadores do Evangelho. Exemplo disso foi a perseguição que redundou num cruel massacre imposto pelo Imperador Nero, no ano 64, aos primeiros cristãos de Roma, cuja festa hoje celebramos. O sangue daqueles verdadeiros heróis da fé, serviu de testemunho das palavras infalíveis de Jesus, pois ao invés de impedir a realização da promessa, regaram a terra, fertilizando-a para produzir melhores frutos.

Meditando na cena da perseguição que se desenrolava, poderíamos conjecturar: “Jesus a pouco prometera que sua Igreja era infalível, que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela, mas veio essa perseguição em proporções tão grandes, que parecia capaz de aniquilar o pugilo dos cristãos? Onde estava o Senhor, suas promessas haveriam de se cumprir?

Derramaram o seu sangue, em favor da Fé

Eles, porém, tiveram fé nas palavras do Salvador e derramaram o seu sangue, em favor da Fé. Crê-se inclusive que São Pedro, o primeiro Papa, pereceu nessa perseguição. O que era mais uma razão para desconfiar da promessa. Mas, não nos esqueçamos, foi Deus quem fez a promessa, e se quando “o leão ruge na selva, é porque encontrou a presa” (Am 3, 4), quando Deus fala, é porque acontecerá.

“Outrora, Deus falou de muitos modos pelos profetas” (Hb 1, 1). O Senhor repreendeu, pelos lábios de Amós, o povo de Israel, por não ter se voltado para Ele, mesmo depois de receber o castigo por seus pecados, uma vez que a misericórdia não fora suficiente para lhe converter. E lhe adverte: “Prepara-te, Israel, para ajustar contas com o teu Deus”.

Escutar a voz do Senhor em nossos dias

Nos dias em que vivemos, é possível escutar a voz do Senhor? Ele ainda fala pelos profetas? É necessário regar com sangue a terra, para que suas palavras se cumpram? Não será que o Senhor está dormindo na barca, após ter prometido a vinda de um castigo? Qual deve ser a nossa atitude, nessa circunstância? Devemos acordar o Mestre, ou, tendo a certeza de que Ele é o Senhor do Universo, confiar que suas promessas se realizarão, apesar das aparências dizerem o contrário?

Assim como o leão passa o dia sereno, mas ruge ao encontrar sua presa, do mesmo modo o silêncio de Deus pode ser o prenúncio de um grande rugido.

“Ruge o leão, quem não terá medo?” (Am 3, 8)

Por Odair Ferreira.

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