Rouen: Brasão da cidade alterado com cordeiro degolado e crescente islâmico
Embora o brasão pertença à cidade, o Padre Gérault ressaltou que retratá-lo com símbolos do Islã representa uma ofensa à fé cristã da população local.

Foto: Action Française, Rouen/ X
Redação (14/05/2026 09:44, Gaudium Press) Uma loja de souvenirs localizada na Place du Vieux-Marché, em Rouen, na França, bem ao lado da igreja de Santa Joana d’Arc, esteve no centro de uma forte controvérsia em abril passado. A loja vendia ímãs que reproduziam o brasão oficial da cidade, mas com modificações ofensivas: o Cordeiro Pascal aparecia decapitado, a cruz cristã quebrada e uma das três flores-de-lis substituída por um crescente islâmico.
Tanto a loja quanto o fornecedor alegam que se tratou de um “erro”, atribuindo a falha a um antigo estagiário que teria baixado a imagem errada por acidente. No entanto, a explicação não convenceu muitos moradores e fiéis, que veem na alteração um ato de provocação ou blasfêmia. O sindicato universitário de direita UNI, em Rouen, denunciou nas redes sociais a venda deste ímã.

Foto: UNI Rouen/ X
Reação da Igreja local
O Pe Alexandre Gérault, vigário-geral do arcebispado de Rouen e reitor da catedral, expressou consternação em entrevista à rádio RCF Normandie. Segundo ele, o brasão de Rouen não é apenas um símbolo cívico; carrega séculos de história e, especialmente, a memória cristã da cidade. O Cordeiro Pascal com o estandarte representa a Ressurreição de Cristo — o Cordeiro imolado que vence a morte.
“Ver essa imagem alterada fere o coração da fé cristã, ainda mais logo após a celebração da Páscoa”, afirmou o sacerdote. Ele reconheceu que o episódio ocorre em um contexto mais amplo de tensões, incluindo recentes profanações e danos em igrejas da região, o que reforça a percepção de um clima de hostilidade crescente.
Intenção ou descuido?
O vigário-geral questionou a versão de “acidente” ou “brincadeira”. Para ele, gestos como esse não são neutros e contribuem para aprofundar divisões religiosas. Em vez de promover diálogo, tais alterações ferem a religião e ofendem o significado central do mistério pascal: Cristo que se entrega por toda a humanidade.
O sacerdote destacou ainda os apelos do Papa Leão XIV por paz, diálogo inter-religioso e reconciliação, especialmente durante suas viagens e celebrações pascais. Para ele, em uma sociedade já fragmentada, é urgente priorizar atos concretos de fraternidade e respeito mútuo.
O arcebispado não registrou nenhuma manifestação oficial da prefeitura de Rouen ou de outros representantes políticos. Embora o brasão pertença à cidade, o Padre Gérault ressaltou que o episódio representa uma ofensa à fé cristã da população local. A diocese não descartou tomar medidas jurídicas, mas prefere aguardar o andamento das investigações sobre a fabricação e a venda dos ímãs.





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