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Ricos ou pobres, pensem em seus novíssimos…

Afinal, o que acontece depois da morte?

Redação (25/09/2022 09:51, Gaudium Press) Transcorridos alguns anos após o nascimento de Luís IX, monarca e santo francês, estava ele recebendo de sua mãe, Branca de Castela, instruções acerca das verdades da fé. A certa altura da conversa, Branca disse ao menino: “Meu filho, eu vos quero muito e por isso digo: nunca! jamais! cometa um pecado mortal. Eu vos prefiro ver morto diante de mim do que presenciar essa ofensa horrenda cometida contra Deus”.

Afirmação cogente que, quiçá, espante certas mães de nossos dias. Mas afinal, como é possível que uma mãe deseje a morte de seu filho – e que filho! –? Porém, melhor a morte do corpo do que a da alma, segundo a virtuosa mãe daquele viria a ser coroado na terra e nos céus como Santo, Luís IX.

A assertiva proposição de Branca nos recorda uma verdade recolhida pela liturgia desse 26º Domingo do Tempo Comum: a existência de um prêmio ou castigo post mortem.

Grave verdade

A parábola do rico e do pobre, recolhida pelo Evangelho de hoje, além das inúmeras aplicações a que se preza, leva-nos, de modo especial, a pensar que se Nosso Senhor formulasse tal história para os homens e mulheres de hoje, provavelmente, desejaria realçar a sua segunda parte: o que acontece depois da morte dos dois personagens.

Com efeito, o mundo hodierno não poupa esforços em fazer com que todos se olvidem de quanto é passageira a vida; e de quanto é infalível a morte.

O mundo anseia, pois, pregar que o homem não necessita de Deus, transpondo ao mundo virtual e científico as forças necessárias para que ele se sinta seguro e senhor de si mesmo, quando não, livre da própria morte…

Ora, enquanto a ciência não consegue alcançar esse objetivo, o mundo, remexido pelo demônio (cf. Jo 12,31), procura fazer com que os homens deixem de pensar que a vida um dia acabará e que, depois de atravessar o limiar da morte, nós seremos julgados pelas nossas ações, das quais dependerá a nossa sorte por toda a eternidade.

Nesta parábola, o Divino Mestre procura nos lembrar de que seremos levados “para junto de Abraão”, ou seremos lançados nas chamas do inferno (cf. Lc 16,22-24).

O pecado mortal: a estrada que acaba no inferno

São Lucas nos fala dos terríveis tormentos da região dos mortos (cf. Lc 16,23): além das inúmeras dores físicas simbolizadas pela sede insaciável que torturava o rico da parábola (cf. Lc 16,24), há um castigo pior que qualquer outro, a pena de dano.

Uma vez que nós somos criados para o céu e temos uma ânsia natural de retornar ao nosso criador, aquilo que mais atormenta as almas condenadas ao fogo eterno é, portanto, a impossibilidade de realizar tal desejo, inerente à nossa natureza. O homem danado, apesar de odiar a Deus, sente em si – de modo paradoxal – uma inclinação a se unir a Ele, mas não consegue, e, em suma, não o quer, pela mesma situação de condenado.

Por isso, essa alma desgraçada “elevar-se-á do braseiro para tornar a cair nele… Sentirá sempre a necessidade de se elevar, porque era criada para Deus, o maior, o mais alto de todos os seres, o Altíssimo… como uma ave num aposento voa até o teto que detém os condenados”.[1]

Não é, pois, sem razão que a mãe de São Luís IX o tenha instruído tão bem, desde cedo…

Acontece que ela ponderava o fardo do pecado mortal e da possível morte impenitente nesse estado que conduz ao inferno. E como amava de verdade e com apreço o seu filho (a Deus e a virtude), preferia fazer qualquer sacrifício para que ele nunca viesse a cair nesse tremendo lugar de punição eterna, o inferno.

Desse modo, esta Liturgia nos chama a atenção para este ponto crucial: devemos agir com seriedade nessa vida, isto é, sempre recordar que seremos julgados pelo bem que fizemos ou deixamos de fazer, como o rico do Evangelho em relação a Lázaro.

É real, há pessoas que negam a existência do inferno, mas que, passarão a crer nele, tarde demais, quando lá chegarem…

Que tal triste sorte não nos acometa, e que Nossa Senhora nos alcance as graças e as clemências de Deus necessárias para que, somadas ao perdão do sacramento da confissão, possamos nos encontrar no seio de Abraão, salvos.

Por Jerome Sequeira Vaz


[1] Cf. SÃO JOÃO BATISTA VIANNEY, apud MONNIN, Ab. A. Espírito do Cura d’Ars. 2.ed. Petrópolis: Vozes, 1949, p.80-81.

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