Relatório pede investigação do Vaticano sobre Cardeal Arborelius, bispo de Estocolmo
“Os autores pedem que a Santa Sé promova uma visita apostólica antes da sucessão do Cardeal Arborelius, que já tem 76 anos e ultrapassou a idade habitual para a renúncia episcopal”.
Foto: Vatican News
Redação (29/06/2026 10:09, Gaudium Press) Um relatório elaborado por um grupo de fiéis da Diocese de Estocolmo, divulgado pelo site espanhol InfoVaticana, pede que a Santa Sé realize uma visita apostólica à diocese sueca para investigar supostas falhas de governança, falta de transparência e irregularidades em decisões administrativas envolvendo o cardeal Anders Arborelius.
Segundo a publicação, a investigação teria sido preparada ao longo de dois anos por um grupo de leigos e membros da Igreja que assinam sob o pseudônimo coletivo “Thomas More”. O documento compila depoimentos, documentos e testemunhos de sacerdotes, religiosos e fiéis que apontariam para um padrão de decisões arbitrárias, represálias internas e concentração de poder na cúria diocesana.
O relatório sustenta que teria se formado um “vácuo de poder” na administração da Diocese de Estocolmo, permitindo que um pequeno grupo de colaboradores exercesse influência decisiva sobre o governo diocesano, marginalizando sacerdotes considerados crÃticos à gestão.
O caso ganhou repercussão na mÃdia porque o cardeal sueco era considerado um dos papabili do conclave que elegeu Robert Prevost como Papa.
Caso do padre Tobias Unnerstål
Grande parte da investigação concentra-se no caso do Pe. Tobias Unnerstål, ex-pároco da Igreja Cristo Rei, em Gotemburgo. O relatório afirma que o sacerdote foi alvo de um processo canônico sem pleno acesso às acusações apresentadas contra ele, comprometendo, segundo os autores, seu direito de defesa previsto no direito canônico.
Ainda segundo a investigação, Unnerstål foi posteriormente afastado do ministério e removido da paróquia, apesar do expressivo crescimento pastoral registrado durante seus 15 anos à frente da comunidade (2007-2022). O documento também afirma que, em 2025, a Justiça sueca reconheceu irregularidades no encerramento de sua relação trabalhista com a diocese, resultando no pagamento de indenização.
O relatório acrescenta que, em maio de 2026, o Dicastério para o Clero teria considerado inválida a suspensão canônica imposta ao sacerdote por entender que ela não observou o procedimento adequado, embora algumas restrições ministeriais tenham permanecido em vigor.
Pedido de investigação
Os autores defendem que a Santa Sé promova uma visita apostólica antes da sucessão de Arborelius, que atualmente tem 76 anos e já ultrapassou a idade em que bispos normalmente apresentam sua renúncia ao Papa.
Na avaliação do grupo, uma investigação conduzida por Roma permitiria esclarecer o funcionamento interno da diocese antes da nomeação de um novo bispo para Estocolmo.
Diocese rejeita as acusações
Por sua parte, a Diocese de Estocolmo rejeita integralmente as conclusões do relatório.
De acordo com o site InfoVaticana, o vigário episcopal para assuntos jurÃdicos, Mons. Jorge de Salas, classificou o documento como “anônimo”, motivado por “muita raiva” e “não sério”. Ele afirmou que o caso do Pe. Tobias foi devidamente investigado e que os detalhes do processo são de competência exclusiva da diocese e do Vaticano.
Até o momento, a Santa Sé não anunciou a abertura de qualquer visita apostólica ou investigação oficial relacionada às alegações.
A divulgação do relatório ocorre em um momento de transição para a Igreja Católica na Suécia. Arborelius, primeiro cardeal sueco desde a Reforma Protestante, aproxima-se da aposentadoria canônica, e a expectativa pela escolha de seu sucessor aumenta o escrutÃnio sobre a administração da Diocese de Estocolmo.
As denúncias apresentadas no relatório ainda não receberam confirmação pública por parte do Vaticano.
Por Rafael Ribeiro





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