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Quem são os profetas?

Ao longo de toda a História, Deus se comunica com os homens por meio de seus escolhidos, os Profetas. Basta ter os ouvidos atentos para os escutar e a vontade flexível para os seguir.

Redação (02/08/2020 12:04, Gaudium Press) Na linguagem corrente, profeta é aquele que prevê o futuro, adiantando, de alguma forma, os acontecimentos vindouros. No entanto, analisar sob este prisma um carisma tão elevado é diminuir uma vocação suscitada por Deus para indicar os rumos que os homens devem seguir a fim de cumprir os planos que o Altíssimo tem a seu respeito.

A principal missão do profeta é ser porta-voz de Deus. Seus anúncios transmitem as palavras e a vontade do Todo-Poderoso. Acatar suas palavras é, portanto, seguir o caminho certo.

As páginas da História Sagrada nos apontam várias manifestações de Deus, dirigindo-se por meio dos profetas, ao povo que escolhera para ser propriedade sua. Mas quem foram esses grandes homens que tiveram o privilégio de ouvir a voz de Deus?

Os profetas

Os profetas tiveram um grande papel na época dos reinos de Judá e de Israel no Antigo Testamento. Suscitados e inspirados pelo próprio Deus, eles tiveram duas missões principais a cumprir. Inicialmente, a de dirigir o povo judeu, indicando-lhe o bom caminho, que era esquecido com frequência, e libertá-lo da idolatria e dos falsos deuses por meio das mais solenes advertências, pelas mais urgentes súplicas e, por vezes, pelas mais terríveis ameaças. Em seguida, a missão era de preparar o advento do Messias, anunciando e indicando, com séculos de antecedência, da maneira mais precisa e completa, os traços que o haveriam de caracterizar, e que permitiriam reconhecê-lo com a mais inteira certeza.

Os judeus tiveram um grande número de profetas. Entretanto, nem todos deixaram profecias escritas. O Antigo Testamento contém profecias de dezesseis profetas: maiores e menores. Os maiores, em número de quatro, são: Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel; os doze menores são: Oseias, Joel, Amós, Abdias, Miquéias, Jonas, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias. Esta divisão e nomeação são independentes do mérito respectivo dos autores; baseada unicamente na extensão, maior ou menor, dos seus escritos.

Vários desses profetas foram contemporâneos; todos eles surgiram no espaço de três séculos: do reinado de Osias até a reconstrução do Templo de Jerusalém.

Isaías

Isaías é o primeiro dos quatro profetas maiores. Viveu na primeira metade do VII século antes de Cristo e profetizou na época do reinado de Osias, de Joatão, de Acaz e de Ezequias. Ele começou seu ministério com apenas vinte anos.

De todos os profetas, nenhum teve o mérito de esboçar tão bem e com tanta antecedência a figura do Messias; nenhum fez conhecer com tanta clareza o Salvador que haveria de vir. Dir-se-ia que toda a vida do Senhor, desde seu nascimento em Belém até a consumação de seu holocausto no Calvário, se desenrolou diante de seus olhos.

Ele anunciou que o Messias nasceria de uma Virgem; que seria um broto da estirpe de Davi; prenunciou, com luxo de detalhes, sua dolorosa Paixão; e anunciou que, após seus crudelíssimos sofrimentos, haveria de implantar um glorioso Reino.

Tal foi Isaías. Ele ocupa o primeiro lugar dentre os profetas, dentre esses grandes homens que foram poderosos em palavras e em obras, sendo digno de toda admiração.

Ezequiel

Ezequiel encontrava-se em Jerusalém quando Nabucodonosor, rei da Babilônia, sediou essa cidade. Ele foi um dentre os primeiros prisioneiros levados em cativeiro. Provavelmente, nesse período, sua idade era de vinte e cinco anos. No ano cinquenta de seu cativeiro, Deus lhe comunicou o dom da profecia. Seu primeiro anúncio profético foi a maravilhosa visão dos quatro animais misteriosos, tomados como símbolo dos quatro evangelistas, e do pergaminho enrolado que o Senhor lhe ordenou comer e depois profetizar aos filhos de Israel.

O Senhor investiu, assim, Ezequiel de sua missão profética, fazendo com que sua palavra penetrasse nele, que é doce ao coração como o mel nos lábios.

Jeremias

O profeta Jeremias foi suscitado por Deus para preservar o Reino de Judá dos maus exemplos do Reino de Israel durante o reinado de Josias e de Joaquim. Testemunhou a ruína de Jerusalém por Nabucodonosor e a partida do rei Joaquim com os principais do reino para o cativeiro. No entanto, o profeta foi poupado pelos soldados por ordem de Nabucodonosor. Após a deportação de uma parte deste povo, Jeremias ouviu as célebres lamentações que compõem os solenes ofícios da Igreja nos períodos da Semana Santa.

Daniel

Daniel surge na terra estrangeira, durante o cativeiro de Babilônia. Com dez a doze anos, ele se apresenta na defesa da casta Suzana, objeto de horríveis acusações por parte de dois velhos infames. Elevado à corte de Nabucodonosor, Daniel se recusa a comer carne dos animais impuros e, apesar do jejum a que se submete, sua saúde se encontra mais vigorosa que a dos demais servidores reais.

Daniel esclarece o sonho de Nabucodonosor: a grande estátua constituída de diversos metais, atingida por uma grande pedra, representando os quatro impérios que se sucederiam até a vinda de Cristo. O império de Babilônia foi conquistado por Ciro, o dos Persas, por Alexandre e a dominação grega foi arrasada pelos romanos.

Os doze profetas menores

Oséias, contemporâneo de Isaías, profetizou especialmente contra os crimes da casa de Jeú, que, depois de ter exterminado a casa de Acab, perpetuara a idolatria. Nos primeiros anos do rei Joás, Joel profetizou a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e o julgamento de Deus no vale de Josafá.

O pastor de Técua, Amós, no reinado de Jeroboão II, rei de Israel, elevou a voz contra as desordens de Israel.

Abdias, o mais antigo de todos, predisse a ruína da Iduméia. Jonas, célebre pela sua permanência no ventre da baleia, foi enviado a Nínive, mas embarca para Társis. Quando uma violenta tempestade se desencadeia, ele se oferece como vítima para apaziguar a cólera de Deus. Assim, foi atirado nas águas, onde um grande peixe o engoliu, e três dias depois, o ejetou na costa. Ele recebeu de novo a ordem de ir para Nínive, onde os habitantes se converteram, fazendo penitência.

Miquéias, contemporâneo de Isaías, predisse a ruína do reino de Judá e de Israel e o cativeiro. Ele é célebre pela profecia que indica Belém como o lugar onde nasceria o Salvador. Os doutores da lei, interrogados por Herodes, citaram a profecia de Miquéias acerca de Belém.

Naum profetizou contra Nínive 665 anos antes da vinda de Cristo. Sofonias, como os outros profetas, anunciou os castigos e os favores de Deus. Ageu foi profeta no tempo que seguiu o cativeiro. Ele exorta Zorobabel a reedificar Jerusalém e prediz a glória do novo Templo que ultrapassará a do primeiro, pois será visitado pelo Messias. Zacarias ouviu diversas ameaças da parte de Deus.

Malaquias, o último profeta, anunciou a grandeza do sacrifício eucarístico da nova lei 432 anos antes de Cristo. Depois dele veio o precursor, São João Batista que viu com seus próprios olhos o Redentor e apontou o Cordeiro de Deus que haveria de salvar toda a humanidade[1].

A profecia continuou no Novo Testamento?

O Antigo Testamento foi marcado pela presença dos profetas, mas o novo testamento não os conheceu? O carisma profético foi encerrado com o advento do Messias?

Não. Ao longo do Novo Testamento, encontramos profetas: os Santos! Deus nunca abandona um povo que se transviou, mas envia seus mensageiros para reconduzi-lo ao bom caminho. São Francisco de Assis, São João Bosco, Santa Teresa de Ávila, dentre inúmeros outros luminares, apontaram as vias a seguir para se cumprir a vontade de Deus.

O que é preciso é reconhecer o erro em que se caiu e ter fé nas palavras do profeta, pois cedo ou tarde elas se cumprem.

Felizes aqueles que, ouvindo a voz de um verdadeiro profeta, tem fé em suas palavras, se convertem e esperam confiantes a realização da profecia.

Por Jiordano Carraro


[1] Baseado em Causeries du dimanche, troisème série. Paris: Bonne Presse.

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