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Quem foi Santo Antônio de Pádua?

“O Santo dos Milagres”: Santo Antônio de Pádua (ou de Lisboa) é o “Martelo dos hereges”, o “Doutor Evangélico”, o padroeiro do mundo inteiro!

Redação (12/06/2020 13:00, Gaudium Press) Em 1147 D. Afonso Henriques reconquistava a cidade de Lisboa para a Igreja Católica. Cinquenta anos depois, a nação portuguesa foi presenteada por Deus com outra vitória: em 1195, aproximadamente, nascia Fernando Martins.

A vocação e o rompimento com o mundo

Aos 15 anos Fernando sentiu o chamado de Deus para a vida religiosa e, atento aos desígnios divinos, não pôde recusar ou fazer ouvidos moucos. Incorporou-se logo à Ordem dos Cônegos Regrantes de Santo Agostinho, no Mosteiro de São Vicente de Fora, onde dedicou-se por dois anos e meio ao fortalecimento empenhado das virtudes na luta contra o demônio, o mundo e a carne. Para ajudar neste combate, seus superiores autorizaram seu translado para Coimbra, pois assim teria mais facilidade em desapegar das coisas que lhe podiam oferecer o mundo.

Como centro intelectual que era a cidade de Coimbra naquele tempo, Fernando Martins estudou e aprendeu com a doutrina dos Padres da Igreja, e mais especialmente com Santo Agostinho, de quem assimilou a tão sábia Regra.

O estudo das Sagradas Escrituras, foi feito por ele com tanta dedicação mas, sobretudo, com tanto amor, que tinha inteiramente gravado na memória todos os livros desde o Gênesis até o Apocalipse. Nesta mesma cidade, Fernando foi elevado à dignidade sacerdotal.

São Francisco e São Domingos contra os erros do mundo

Além de presentear o povo lusitano, Deus suscitava para a defesa da Igreja e para a salvação das almas outros dois varões: São Francisco e São Domingos. Fundadores de duas ordens mendicantes que bem poderíamos chamar increpadoras: pregando extremos de pobreza e desapego às coisas do mundo, os missionários dominicanos e franciscanos não cessavam de denunciar nos púlpitos e nos confessionários os erros que punham em risco a salvação de tantas almas. A estes eleitos quis juntar-se Fernando Martins.

Fernando Martins morre para o mundo; nasce Antônio para Deus

Durante uma expedição missionária no norte da África, cinco filhos espirituais de São Francisco entregaram suas almas através do martírio. O ímpeto das pregações e a fé deles começou a arrastar multidões. Com isso, também se somou a cólera do miramolim de Marrocos que mandou matá-los. Pobre desavisado! Não sabia ele que “sangue de mártires é semente de cristãos”. Em toda a Europa o fato se tornou admiravelmente conhecido e, com grande homenagem, reverência e devoção os restos mortais dos missionários foram recebidos na cidade de Coimbra, em meados 1220.

Cheio de encanto e consonância com a vocação daqueles heróis da Fé, o então Cônego Fernando sentiu aquilo soar em seu coração como uma aprovação de Deus ao seu desejo de unir-se aos filhos de São Francisco no Convento de Santo Antônio de Olivares. Recebida a licença dos superiores, o Cônego Fernando recebeu o hábito dos Frades Menores pouco depois, tomando o nome de Frei Antônio.

Missão em África

Apenas cumpria o quinto mês de noviciado e Antônio já ardia em desejo de ser enviado para a terra que dera os primeiros mártires à Ordem Franciscana. Entretanto, não parecia estar ali o cumprimento dos desígnios divinos. Frei Antônio passava por febres e indisposições graves e, apesar de ter alcançado grandes pelejas pela fé cristã, seus superiores o mandaram de volta para o continente europeu.

A volta para a Europa

Retornando ao seu continente natal, o navio foi arrastado por forte tempestade para as costas da Sicília. Após passar alguns meses no convento de Messina, Frei Antônio viajou até Assis onde se daria o Capítulo Geral da Ordem. Era o ano de 1221; o próprio São Francisco presidiria o acontecimento.

Após o Capítulo Geral, Frei Antônio assumiu com impressionante e exemplar humildade o ofício de ajudante de cozinha no Eremitério de São Paulo, localizado na Província de Romandiola. Com total submissão e no mais completo anonimato, dormia numa gruta e jamais reclamava.

Dentro de uma humildade exemplar, uma revelação!

Foi nesta mesma época que houve uma ordenação sacerdotal na cidade de Forli, onde se encontravam reunidos alguns filhos de São Francisco e de São Domingos. Frei Antônio estava presente. No final da cerimônia, o Provincial dos Frades Menores pediu que um dos Irmãos Pregadores pronunciasse as palavras de encerramento. Todos, porém, esquivaram-se da honra, pois ninguém tinha preparado aquele discurso e o improviso corria o risco de ser desastroso em uma ocasião solene como aquela.

Para remediar a situação, o Provincial dos franciscanos decidiu incumbir do encargo a qualquer um dos seus subalternos, confiando na inspiração da graça. E designou para isto um frade português que desempenhava a função de ajudante de cozinha no Eremitério de São Paulo. Com a simplicidade das almas acostumadas à obediência, o humilde religioso, até então em silêncio, se dispôs a cumprir a ordem. Para surpresa geral, Frei Antônio ainda o fez em perfeito uso da língua latina.

O discurso foi simplesmente brilhante e sua figura ficou marcada aos olhos de todos como insigne pregador, cheio de fogo e entusiasmo ressaltados por sua grande despretensão.

Um pregador rigoroso

As pregações do santo atraíam as multidões não porque procurasse agradar aos ouvintes, senão porque procurava transformar os ouvintes em almas que agradassem a Deus. E as conversões eram abundantes! Frei Antônio era destemido e não tinha receio de reprovar os erros, ainda que os ouvintes culpados fossem autoridades civis ou eclesiásticas. Certa vez converteu um prelado quando, corrigindo-o, começava a censurar-lhe diante de toda a multidão: “Tenho algo a dizer a ti que usas a mitra!”. As lágrimas correram abundantes pela face do Bispo, que mudou de conduta. Certamente tudo isso foi a causa do milagre que já dura quase 800 anos: a língua incorrupta de Santo Antônio venerada em Pádua.

Em 1224, Frei Antônio foi enviado a lutar contra os cátaros e albigenses no sul da França. Aí seus milagres foram numerosos e as conversões realizadas por Deus através do santo foram inegavelmente prodigiosas.

Os últimos anos de Santo Antônio

Frei Antônio deixou a França no ano de 1227, quando foi convocado para um novo Capítulo Geral da Ordem. Nesta Assembleia, ele foi eleito Superior Provincial da Emilia-Romagna, onde ficava a cidade de Pádua – a sede do Provincialato – região na qual passou os quatro últimos anos de sua vida.

Este último período de sua trajetória terrena foi marcado também pelas calorosas pregações, pelos rigorosos sacrifícios e mortificações, pelas piedosas orações, pelos prodigiosos milagres, pelas numerosas conversões e pelo incansável apostolado.

No momento derradeiro, tendo recebido os sacramentos, despediu-se de todos e cantou a Nossa Senhora toda a antífona: “Ó Virgem gloriosa que estais acima das estrelas…” Em seguida, ergueu os olhos para o céu. Todos os presentes o ouviram dizer: “Estou vendo o Senhor…” Pouco depois morreu. Era o dia 13 de junho de 1231. Frei Antônio estava com 36 anos de idade.

Os milagres de Santo Antônio

Tal é a quantidade de feitos miraculosos, curas e graças recebidas por intermédio de Santo Antônio, que ele é conhecido como o “Santo dos Milagres”. Sem dúvida, isso foi a causa de sua canonização se realizar menos de um ano após sua morte.

Além do mais, era frequente que nos sermões e nas pregações, apesar de Frei Antônio estar falando em apenas uma língua, os estrangeiros de vários outros lugares pudessem ouvi-lo no idioma próprio. Também quase não havia coxo, cego ou paralítico que, depois de receber sua bênção, não ficasse curado. Em certa ocasião converteu 22 ladrões que, apenas por curiosidade, tinham ido para ouvir sua pregação.

A mais antiga de suas biografias conta que “dia e noite [Frei Antônio] tinha discussões com os hereges; expunha-lhes com grande clareza o dogma católico; refutava vitoriosamente os preceitos deles, revelando em tudo ciência admirável e força suave de persuasão que penetrava a alma dos seus contrários”.

Entretanto, não se pode imaginar que a ação apostólica de Santo Antônio fosse feita sem dificuldades, sem oposições, sem a atuação dos inimigos da Igreja. Havia opositores, sim. E eles eram muito ativos. Mas, pior que os inimigos, eram os indiferentes.

Em certa ocasião, na região de Rimini, no norte da Itália, os inimigos da Fé Católica queriam impedir que o povo fosse aos sermões do Santo. Para isso, prepararam uma cilada: enviaram comparsas até a próxima cidade em que Antônio iria. Antes da chegada do Santo eles espalharam seu veneno entre o povo:

“– Antônio é um frade mentiroso e falso”. Cochichavam eles.

Antônio chegou à cidade e começou sua missão. Estranhamente, durante seu sermão, o povo se mantinha indiferente e os hereges não o quiseram escutar virando-lhe as costas. O Santo não teve outra alternativa senão abandonar seus ouvintes. Mesmo assim, não desanimou: foi até à beira da água, onde o rio conflui com o mar, e chamou os peixes para escutá-lo.

O resultado foi surpreendente: milhares de peixes de variados tipos e tamanhos aproximaram-se com a cabeça fora da água em atitude de escuta. E o Santo falou para eles. Aproveitou a ocasião para elogiar a participação dos peixes na história da salvação…

Mais que uma atitude desconcertante, ali estava acontecendo um estupendo milagre! Os moradores que testemunharam o fato não deixaram de contar o ocorrido para o restante da população. A notícia correu por toda a cidade e, com ela, um sopro de entusiasmo percorreu a região sacudindo os indiferentes, deixando envergonhados os detratores de Antônio. Muitos deles se converteram. Foi uma lição!

O burro e o ateu

Em uma ocasião, disse um ateu: “para poder crer na presença real de Jesus na hóstia consagrada, quero um milagre!”. Para ele, o Santíssimo Sacramento era uma burla, uma chantagem. Certo dia, diante de toda a cidade, fez a Santo Antônio uma proposta ímpia e arrogante: “Deixo minha mula sem comer durante três dias. Depois disso, trago o animal até essa praça e ofereço feno e aveia para ela. Enquanto isso, Frei Antônio, o senhor vai mostrar para a ela a Hóstia consagrada. Se a besta deixar a comida de lado e der atenção à Hóstia, se ela a reverenciar como se a adorasse… Então eu passo a acreditar. Passo a crer na presença de Jesus na Eucaristia! Santo Antônio aceitou a proposta.

Três dias depois, na praça repleta, chega o homem puxando seu faminto animal. Santo Antônio também chegou. Respeitosamente, ela trazia uma custódia com Santíssimo Sacramento. O incrédulo colocou o monte de feno e aveia próximo de onde estava Frei Antônio e, confiante, soltou o animal. Conforme o que se havia combinado, a mula deveria escolher sozinha entre o alimento e o respeito à Hóstia consagrada.

O suspense geral foi quebrado quando o animal, livre de seus cabrestos, calmamente, dobrou seus joelhos diante da custódia com o Santíssimo Sacramento. Um milagre suficiente para converter até ateus de hoje…

Antônio era também exorcista!

Desde pequenino, Antônio foi devoto de Nossa Senhora. Rezava sempre a Ela e recorria continuamente a seu socorro. E ela atendia constantemente. Um dia, por exemplo, já religioso, quando o demônio já não podia mais suportar o bem que o santo fazia, agarrou-o pelo pescoço tão violentamente que estava a ponto de enforcá-lo. Antônio já estava sem voz. Usando de suas últimas forças, pôde balbuciar as palavras da antífona mariana: “O Gloriosa Domina!”. No mesmo instante, o demônio fugiu espavorido. Depois de livrar-se do maligno e recompor-se, Antônio viu que a seu lado estava a Rainha do Céu, resplandecente de glória.

Por que Santo Antônio tem o Menino Jesus nos braços?

Já no fim de sua vida, Antônio hospedou-se na casa de uma família amiga, em Camposampiero. Quem narra este episódio é o Conde Tiso, anfitrião do Santo:

À noite, o Santo já estava nos aposentos a ele destinados, recolhido em oração. O dono da casa percebeu que uma luz forte vinha de dentro do quarto onde estava Antônio. Não poderia ser luz de velas, era forte demais, muito intensa. O Conde, vencido pela curiosidade, levantou-se e foi ver o que poderia ser aquilo. Aproximou-se do quarto e, pelas frinchas da porta deparou-se com uma cena miraculosa:

O Santo estava arrebatado em contemplação. A Virgem Maria, então, coloca nos braços dele o Menino Jesus. O menino enlaça seus bracinhos ao pescoço do frade e amigavelmente conversa com ele. Sentindo que estava sendo observado, o Santo procurou o Conde Tiso e o fez jurar que só depois que ele morresse o Conde contaria o que tinha visto naquela noite. Foi esse o fato que deu motivo para que Santo Antônio fosse representado em suas imagens com o Menino Jesus nos braços.

Por Arthur Leal

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