Quem fez a vontade do Pai?
A resposta desta pergunta não é tão óbvia quanto parece…

Nosso Senhor pregando – Igreja de Santa Marta, Sarasota (EUA) Foto: Angelis Ferreira
Redação (26/09/2026 15:48, Gaudium Press) Ao ler o trecho do Evangelho selecionado para este 26º Domingo do Tempo Comum, somos facilmente induzidos a levantar o seguinte questionamento: e eu? que tipo de filho sou? Faço ou não faço a vontade do Pai?
Os filhos do perdão e os filhos da hipocrisia
“Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, ele disse: ‘Filho, vai trabalhar hoje na vinha!’ O filho respondeu: ‘Não quero’. Mas depois mudou de opinião e foi. O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu: ‘Sim, senhor, eu vou’. Mas não foi. Qual dos dois fez a vontade do pai?” (Mt 21,28-31)
A parábola insere-se no contexto de uma discussão de Nosso Senhor com os chefes dos judeus, em que estes questionam a origem da autoridade com que Ele pregava e realizava milagres (cf. Mt 21,23-27).
A fim de desmascarar a hipocrisia daqueles homens, o Salvador os identifica com o segundo filho da parábola, ou seja, aquele que se comprometeu com o pai e depois o traiu. Ficou claro aos seus olhos, que os pecadores mais abjetos os precederiam no Reino dos Céus, porque apesar de suas indesculpáveis quedas, arrependeram-se dos pecados cometidos, tornando-se objeto da infalível misericórdia de Deus (cf. Mt 21,31).
Deste modo, a primeira leitura se aplica perfeitamente a ambos os casos. De um lado, justos que abandonaram o caminho reto e perderam a vida da graça; de outro, pecadores que se levantam do estado de morte espiritual e entram na estrada da vida (cf. Ez 18,26-28).
Entretanto, a chave para responder com acerto à pergunta sobre quem fez a vontade do Pai encontra-se na epístola aos Filipenses.
Jesus Cristo, Filho e Escravo perfeito
Com efeito, quando Nosso Senhor formula este questionamento aos sacerdotes, eles respondem que foi o primeiro filho: apesar de se ter recusado quando o pai o chamou, terminou por cumprir seu desejo.
Mas, estava insinuada uma outra realidade, a de um Filho perfeito que não apenas cumpriu a vontade paterna, mas disse sim desde o início.
De fato, Ele, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, disse sim ao Padre Eterno e se revestiu da natureza humana, fazendo-se um de nós para nos salvar.
Foi assumindo a condição de escravo que Ele realizou com toda a perfeição os desígnios d’Aquele que o enviou.
Escravidão, uma palavra que assusta e causa horror. Tomada no sentido espiritual, a escravidão a Deus, nada mais é do que renunciar à própria vontade e reconhecer que tudo aquilo que Deus quer é sempre o melhor, e ninguém pode querer algo que rivalize em bondade com Ele. Por excelentes que sejam nossos desejos, somos limitados e contingentes. A consequência de quem compreende esta realidade é a disposição de fazer com alegria qualquer coisa que provenha da vontade divina.
Há um princípio teológico que sintetiza a trajetória de um santo, a saber: o santo é aquele que quer aquilo que Deus quer que ele queira. Ou seja, a santidade consiste em identificar nossa vontade com a de Deus.
Assim o fez Maria Santíssima. Em todos os momentos de sua existência, não quis outra coisa senão atender com prontidão a toda e qualquer manifestação dos desejos do Criador. Que Ela venha em nosso socorro e imprima em nossas almas seu espírito de escravidão sagrada, fazendo de nós um reflexo perfeito de seu Divino Filho, cujo alimento era fazer a vontade de seu Pai (cf. Jo 4,34).
Por Rodrigo Siqueira





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