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Quando o homem se separa de Cristo

É por terem se separado miseravelmente de Deus e de Jesus Cristo que os homens caíram de sua felicidade de outrora nesse abismo de males; pela mesma razão, padecem de uma esterilidade quase completa todos os programas que eles acalentam com vistas a reparar os danos e a salvar o que resta de tantas ruínas.


Redação (10/11/2021 10:26, Gaudium Press) “Aqueles que abandonam o Senhor perecerão” (Is 1, 28). Quem ignora esta previsão das Escrituras? Não menos conhecida é a tão grave advertência de Jesus, nosso Redentor e Mestre: “Sem Mim, nada podeis fazer” (Jo 15, 5); e esta outra: “Quem não recolhe comigo, espalha” (Lc 11, 23).

Em todos os tempos esses divinos oráculos se confirmaram; porém, nunca como em nossos dias a verdade brilhou com tal evidência aos olhos de todos. É por terem se separado miseravelmente de Deus e de Jesus Cristo que os homens caíram de sua felicidade de outrora nesse abismo de males; pela mesma razão, padecem de uma esterilidade quase completa todos os programas que eles acalentam com vistas a reparar os danos e a salvar o que resta de tantas ruínas.

Como Deus e Jesus Cristo foram excluídos da legislação e dos assuntos públicos, e a autoridade passou a provir não mais de Deus, mas dos homens, as leis perderam a garantia de sanções reais e eficazes, bem como os princípios soberanos do direito, os quais, mesmo aos olhos de filósofos pagãos como Cícero, só podem derivar da eterna Lei divina.

Mais ainda, as próprias bases da autoridade foram subvertidas, uma vez que se suprimiu a razão fundamental do direito de comandar, para uns, e do dever de obedecer, para outros. Daí decorreu, incontestavelmente, um abalo da sociedade inteira, doravante privada de sólidos sustentáculos, à mercê das facções que disputavam o poder para garantir seus interesses pessoais, e não os da pátria.

Decidiu-se inclusive que nem Deus nem o Senhor Jesus presidiriam mais à fundação da família, reduzindo à categoria de mero contrato civil o matrimônio, do qual Cristo havia feito um grande Sacramento (cf. Ef 5, 32) para ser o símbolo santo e santificador do vínculo indissolúvel pelo qual Ele próprio Se une à sua Igreja.

Assim se obscurecem nas massas populares as ideias e os sentimentos religiosos que a Igreja havia infundido na célula mater da sociedade, a família; desaparecem a hierarquia e a paz do lar; a união e a estabilidade da família ficam cada vez mais comprometidas; as baixas paixões e o mortal apego a interesses mesquinhos violam tão frequentemente a santidade do casamento, que chegam a infectar as fontes da vida das famílias e dos povos.

Por fim, parece que Deus e Cristo foram excluídos da educação da juventude; chegou-se, e isto era inevitável, não tanto a suprimir a Religião nas escolas, mas a atacá-la velada ou mesmo abertamente. Daí os alunos concluíram que, para bem conduzir sua vida, eles nada tinham, ou pelo menos tinham muito pouco, a esperar dessa ordem de coisas que era absolutamente silenciada ou da qual não se falava senão em termos de desprezo.

De fato, se Deus e sua Lei são proscritos do ensino, não se vê mais como se pode solicitar aos jovens que fujam do mal e levem uma vida honesta e santa, nem como formar para a família e a sociedade homens de bons costumes, defensores da ordem e da paz, capazes de contribuir para a prosperidade pública.

PIO XI, Excertos da Encíclica Ubi arcano Dei consilio, 23/12/1922.

In: Arautos do Evangelho. Ano XVII, nº 204, Dezembro 2018, p. 6–7.

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