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Qual o significado da mensagem do Sagrado Coração de Jesus, hoje?

A Igreja comemora neste dia 19 de junho a solenidade do Coração de Jesus. Qual é a história das aparições? Como foi instituída a festa? O que diz a mensagem?

Redação (18/06/2020 12:59, Gaudium Press) “Reinarei apesar dos meus inimigos”. Foram estas as palavras que o Sagrado Coração de Jesus dirigiu a Santa Margarida Maria Alacoque no dia 20 de julho de 1685.

Aos olhos deste nosso mundo sem Fé, a mensagem de Nosso Senhor parece ultrapassada. Neste mundo de democracias, quem ousaria falar de reinos? Nesta sociedade que tanto apregoa a paz, quem denunciaria divisões, falando de “inimigos”?

As aparições do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque contêm uma mensagem para nossos dias. Longe de estar ultrapassada, ela se mostra cada vez mais atual.

Mas quem foi Margarida Alacoque? Como foram as aparições? Como foi instituída a festa do Sagrado Coração de Jesus? O que nos diria o Sagrado Coração de Jesus hoje?

Quem foi Santa Margarida Maria Alacoque?

Margarida nasceu na Borgonha, França, no dia 22 de julho de 1647. Quando era ainda criança, foi acometida por uma doença grave, que a deixou quatro anos sem poder caminhar. Terrível prova para uma menina; mas os sofrimentos, quando bem aceitos, nos aproximam de Deus. Como a medicina da época mostrou-se incapaz de curar a pequena, ela fez uma promessa: se recuperasse a saúde, se tornaria religiosa.

A prece foi atendida quase imediatamente, contudo a família se opôs à entrada no convento. Segundo sua mãe, o voto de uma criança não tinha valor. A incompreensão dos parentes – essa espécie de disputa entre Deus e os homens – se prolongou alguns anos, durante os quais Margarida persistiu firmemente no seu intento. Por fim, no ano de 1671, ela pode entrar no Mosteiro da Visitação, de Paray-le-Monial, fundado por São Francisco de Salles e Santa Joana de Chantal.

Para Margarida Alacoque não existiam barreiras entre o mundo visível e o mundo sobrenatural. Ela conversava com o Céu com naturalidade, como nós tratamos com os amigos.

As graças místicas começaram a encher a vida dela desde a infância. Quando tinha 4 anos, sentia moções da graça tão fortes que, sem entender bem o sentido das palavras, dizia repetidas vezes: “Ó meu Deus, eu Vos consagro minha pureza e Vos faço voto de castidade perpétua”. Ela nem sequer sabia o que era “castidade perpétua”. Entretanto, fiel às vozes interiores, entregou sua virgindade a Nosso Senhor¹ .

Sua missão, porém, foi a de propagar a devoção ao Sagrado Coração de Jesus. No dia 27 de dezembro de 1673, Margarida recebeu a primeira revelação, enquanto rezava diante do Santíssimo Sacramento. A partir de então, as manifestações de Jesus se tornaram frequentes.

Uma outra alma virtuosa, São Cláudio de La Colombière, prestou enorme auxílio à religiosa, pois ele, além de acreditar nas suas revelações e confortá-la nas provações, foi um dos responsáveis pela propagação da devoção.

Incompreendida muitas vezes pelas autoridades religiosas, tida por visionária e louca por suas irmãs de hábito, a vidente do Sagrado Coração chegou a ser aconselhada a esquecer-se das aparições. Com as revelações, iniciou-se para Santa Margarida uma fase de lutas.

A vida de Santa Margarida foi inteiramente dedicada ao culto do Sagrado Coração. Ela pôde contemplar ainda em vida os primeiros lampejos da sua devoção. Contudo, alguns dos pedidos feitos pelo Sagrado Coração à sua eleita, apesar de transmitidos às pessoas que por encargo deveriam escutá-la, nunca foram atendidos. Ela faleceu no dia 17 de outubro de 1690.

Como foram as aparições do Sagrado Coração?

Santa Margarida teve quatro aparições principais, ocorridas entre 1673 e 1674, nas quais Nosso Senhor manifestou seu desejo de que a devoção ao seu Sagrado Coração fosse propagada.

A primeira aparição foi na festa de São João Evangelista, do ano de 1673. Rezando diante do Santíssimo Sacramento, Jesus disse à vidente: “Meu Coração está tão apaixonado de amor pelos homens, e por ti em particular, que não podendo mais conter em Si as chamas de sua ardente caridade, é preciso que as espalhes e as reveles, para que se enriqueçam com seus preciosos tesouros”. (Alacoque, Op. cit., p. 78)

O efeito destas palavras foi muito forte. A própria Santa Margarida conta que, tomada pela experiência mística, passou vários dias sem conseguir dormir e sem desejo de se alimentar.

Seguiram ainda outras duas aparições – Santa Margarida não precisou a data – nas quais Nosso Senhor, além de pedir que multiplicasse o número de comunhões, revelou-lhe que o que mais causava dor ao Sagrado Coração era a frieza, a indiferença e a rejeição dos homens para com Ele, especialmente por parte do clero e das almas consagradas.²

Como nasceu a festa do Sagrado Coração?

Porém, a principal a aparição ocorreu na oitava da festa de Corpus Christi, no ano de 1674. Mais uma vez estava Santa Margarida rezando na capela do Convento, quando o Sagrado Coração lhe disse: “Aqui está o Coração que tanto amou os homens e que por eles foi tão rejeitado”. (Alacoque, Op. cit., p. 93)

Em seguida, Nosso Senhor pediu à sua eleita que fosse instituída uma festa em honra de seu Sagrado Coração, a ser celebrada na primeira sexta-feira depois da oitava de Corpus Christi: “Eu prometo que meu Coração se dilatará para derramar com abundância as influências de seu divino amor sobre aqueles que Lhe renderem este louvor”. (Alacoque, Op. cit., p. 93)

A festa só foi incluída no calendário litúrgico da Igreja por Pio IX, em 1856, e é celebrada atualmente 19 dias após Pentecostes. Neste ano de 2020, a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus será comemorada no dia 19 de junho.

Uma mensagem para nossos dias

O Sagrado Coração de Jesus apareceu há quase 350 anos. De lá para cá, o mundo mudou, os homens mudaram. A mensagem também não precisa mudar? Uma rápida análise deixará evidente essa proposta.

Nesta sociedade materialista, soa quase infantil recordar a existência do sobrenatural, dos Anjos e do próprio Deus. Como falar em aparições, visões e comunicações do Céu?

O Sagrado Coração de Jesus falou de amor. Como está corrompida a palavra amor! O que entenderá por “amor” o homem do século XXI, que só vive de prazeres sensuais e carnais?

Nosso Senhor pede para reinar nos corações. Mas no interior dos corações contemporâneos há lugar para Jesus? Os tronos dos corações humanos já estão ocupados pelos deuses de nosso tempo. Onde reinará o Sagrado Coração?

A mensagem fala ainda de rejeição, de indiferença, de “inimigos”. Nesta sociedade tão habituada a misturar o bem com o mal, a verdade com o erro, o belo com o feio, haverá alguém disposto a ouvir palavras de advertência, convites à conversão, pedidos de reparação?

A mensagem do Sagrado Coração de Jesus parece fadada ao esquecimento. Ou ela muda, ou os homens a recusam. Estaríamos diante de uma verdade irrefutável se Deus não fosse Deus.

Apraz à majestade divina atuar por meio de causas segundas, quase sempre discretamente, silenciosamente. Deus não precisa de exércitos e impérios para impor sua vontade. Pode o demônio armar situações insolúveis, angariar sob suas bandeiras nações e povos inteiros. Pode o homem declarar independência a Deus e revoltar-se contra o Criador. Tudo não passa de muralhas de fumaça e castelos de cartas. Nosso Senhor chama uma pessoa – como chamou Santa Margarida Maria Alacoque – e faz do mundo o seu Reino.

O que é preciso, então? Que algumas almas se deixem embeber pelo amor do Sagrado Coração de Jesus, que por nós está “apaixonado”, ouvir seu apelo de bondade e deixar-se levar pela infinita misericórdia. A bondade d’Ele vencerá a nossa maldade e a misericórdia triunfará sobre a impiedade.

Assim, basta que poucas almas – ainda que seja uma só – se deixem tomar pelo amor a Deus, se tornem almas reparadoras, desejosas de expandir o reinado do Sagrado Coração sobre os corações, e Deus poderá reverter toda a situação. A mensagem do Sagrado Coração permanecerá, e o mundo mudará.

Novena ao Sagrado Coração de Jesus

1. Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade vos digo: pedi e recebereis, procurai e achareis, batei e servos-á aberto”, eis que eu bato, procuro e peço a graça…
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória.
Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em Vós!

2. Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade vos digo: qualquer coisa que peçais a meu Pai em meu nome, Ele vo-la concederá”, eis que a vosso Pai, no vosso nome, eu peço a graça…
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória.
Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em Vós!

3. Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade vos digo: passarão o Céu e a Terra, mas as minhas palavras, jamais”, eis que, apoiado na infalibilidade de vossas santas palavras, eu peço a graça…
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória.
Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em Vós!

Ó Sagrado Coração de Jesus, a Quem uma única coisa é impossível, isto é, a de não ter compaixão dos infelizes, tende piedade de nós, míseros pecadores, e concedei-nos as graças que Vos pedimos por intermédio do Coração Imaculado da vossa e nossa terna Mãe.

As 12 promessas do Sagrado Coração de Jesus

1ª – “A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de Meu Sagrado Coração”;
2ª – “Eu darei aos devotos de Meu Coração todas as graças necessárias a seu estado”;
3ª – “Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias”;
4ª – “Eu os consolarei em todas as suas aflições”;
5ª – “Serei refúgio seguro na vida e principalmente na hora da morte”;
6ª – “Lançarei bênçãos abundantes sobre os seus trabalhos e empreendimentos”;

7ª – “Os pecadores encontrarão, em meu Coração, fonte inesgotável de misericórdias”;
8ª – “As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas pela prática dessa devoção”;
9ª – “As almas fervorosas subirão, em pouco tempo, a uma alta perfeição”;
10ª – “Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais endurecidos”;
11ª – “As pessoas que propagarem esta devoção terão o seu nome inscrito para sempre no meu Coração”;
12ª – “A todos os que comunguem, nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna”.

Ato de Reparação ao Sacratíssimo Coração de Jesus

(Concede-se indulgência parcial ao fiel que recitar este ato de reparação piedosamente, e indulgência plenária se o ato for recitado publicamente na solenidade do Sagrado Coração de Jesus).

Dulcíssimo Jesus, cuja infinita caridade para com os homens é por eles tão ingratamente correspondida com esquecimentos, friezas e desprezos, eis-nos aqui prostrados na Vossa presença, para Vos desagravarmos, com especiais homenagens, da insensibilidade tão insensata e das nefandas injúrias com que é de toda parte alvejado o Vosso amorosíssimo coração.

Reconhecendo, porém, com a mais profunda dor, que também nós mais de uma vez cometemos as mesmas indignidades, para nós, em primeiro lugar, imploramos a Vossa misericórdia, prontos a expiar não só as próprias culpas, senão também as daqueles que, errando longe do caminho da salvação, ou se obstinam na sua infidelidade, não Vos querendo como pastor e guia, ou, conculcando as promessas do batismo, sacudiram o suavíssimo jugo da Vossa santa lei.

De todos estes tão deploráveis crimes, Senhor, queremos nós hoje desagravar-Vos, mais particularmente da licença dos costumes e imodéstia do vestido, de tantos laços de corrupção armados à inocência, da violação dos dias santificados, das execrandas blasfêmias contra Vós e Vossos Santos, dos insultos ao Vosso Vigário e a todo o Vosso clero, do desprezo e das horrendas e sacrílegas profanações do Sacramento do divino amor e, enfim, dos atentados e rebeldias das nações contra os direitos e o Magistério da Vossa Igreja.

Oh! Se pudéssemos lavar com o próprio sangue tantas iniqüidades!

Entretanto, para reparar a honra divina ultrajada, Vos oferecemos, juntamente com os merecimentos da Virgem Mãe, de todos os santos e almas piedosas, aquela infinita satisfação, que Vós oferecestes ao eterno Pai sobre a cruz, e que não cessais de renovar todos os dias sobre nossos altares.

Ajudai-nos Senhor, com o auxílio da Vossa graça, para que possamos, como é nosso firme propósito, com a vivência da fé, com a pureza dos costumes, com a fiel observância da lei e caridade evangélicas, reparar todos os pecados cometidos por nós e por nosso próximo, impedir, por todos os meios, novas injúrias de Vossa divina Majestade e atrair ao Vosso serviço o maior número de almas possíveis.

Recebei, ó benigníssimo Jesus, pelas mãos de Maria santíssima reparadora, a espontânea homenagem deste nosso desagravo, e concedei-nos a grande graça de perseverarmos constantes, até à morte, no fiel cumprimento de nossos deveres e no Vosso santo serviço, para que possamos chegar todos à pátria bem-aventurada, onde Vós com o Pai e o Espírito Santo viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém.

Por Luis Toniolo

1 – Cf. ALACOQUE, Marguerite-Marie. Vie et Révélations écrites par elle-même. Onet-le-chatêau: Éditions Rassemblement à Son Image, 2016, p. 23.

2 – Cf. ALACOQUE, Marguerite-Marie. Vie et Révélations écrites par elle-même. Onet-le-chatêau: Éditions Rassemblement à Son Image, 2016, p. 93.

Bibliografia

ALACOQUE, Marguerite-Marie. Vie et Révélations écrites par elle-même. Onet-le- chatêau: Éditions Rassemblement à Son Image, 2016.

CRISTIANI, Léon. Sainte Marguerite-Marie Alacoque. 2. ed. Paris: Apostolat de la presse, 1959.

DESCOULEURS, Bernard; GAUD, Christiane. Marguerite-Marie Alacoque. Paris: Éditions du Cerf, 1996.

TEJADA, José Sáenz de. Vida y obras completas de Santa Margarida María Alacoque. Quito: Fundación Jesus de la Misericordia, [s.d].

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