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Quais são os critérios científicos para uma cura ser considerada milagrosa?

O Santuário de Lourdes recebeu mais de 7.200 alegações de cura milagrosa, dos quais apenas 70 foram declarados efetivamente inexplicáveis do ponto de vista médico-científico.

Redação (11/02/2021 14:30, Gaudium Press) A Igreja Católica sempre foi cuidadosa ao confirmar uma cura milagrosa. Normalmente, os casos são submetidos a uma sequência criteriosa e rígida de etapas científicas constituídas por comissões médicas que estudam profundamente cada um dos relatos de supostas curas milagrosas.

Comissão Médica Internacional de Lourdes

A Comissão Médica Internacional de Lourdes é uma delas. Seus membros, que seguem a mesma metodologia utilizada na investigação científica, costumam citar o princípio de Jean Bernard: “Quem não é científico não é ético”.

Ao invés de cair no cientificismo ou no positivismo por si mesmos, a comissão busca a verdade colocando em prática o que é sintetizado na encíclica Fides et Ratio: “A Fé e a razão são como as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva à contemplação da verdade”.

Os sete critérios de uma cura milagrosa

As características de um milagre a partir do ponto de vista médico-científico estão detalhadas no documento “De servorum beatificatione et beatorum canonizatione” (“A beatificação dos servos de Deus e a canonização dos beatos”), do Cardeal Prospero Lambertini, que mais tarde se tornaria o Papa Bento XIV.

O purpurado listou sete critérios para se reconhecer uma cura extraordinária ou inexplicável. São eles: 1) A doença deve ter características de gravidade, com prognóstico negativo; 2) O diagnóstico real da doença deve ser certo e preciso; 3) A doença deve ser apenas orgânica; 4) Eventual tratamento não pode ter favorecido o processo de cura; 5) A cura deve ser repentina, inesperada e instantânea; 6) A retomada da normalidade deve ser completa (e sem convalescência); 7) A cura deve ser duradoura (sem recaída).

Somente 70 de supostos 7.200 milagres foram reconhecidos pela Igreja Católica

Estes sete critérios são utilizados até os nossos dias, definindo o perfil específico de uma cura inexplicável, garantindo que toda objeção ou contestação seja levada em ampla consideração antes de se atestar que uma determinada cura foi “não explicável cientificamente”.

Desde 1858, o Santuário mariano de Lourdes, na França, recebeu mais de 7.200 alegações de cura milagrosa. Entretanto, desses casos, apenas 70 foram declarados efetivamente inexplicáveis do ponto de vista médico-científico. Esses números demonstram a seriedade com a qual são feitas as avaliações de supostos milagres. (EPC)

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