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Primeiro dever da Igreja é salvar a alma dos fiéis, não o corpo, recorda teólogo católico

Segundo Scott Hahn, a maior responsabilidade da Igreja é proteger os fiéis da morte espiritual. “E é uma responsabilidade muito maior do que prevenir a mera morte física”, ressaltou.

Estados Unidos – Steubenville (15/05/2020 16:00, Gaudium Press) O célebre teólogo e convertido à Igreja Católica Scott Hahn, autor do livro ‘Rome Sweet Home’ (que em sua versão para o português foi publicado como ‘Todos os caminhos levam a Roma: O nosso percurso até o catolicismo’), dedicou um artigo de opinião para destacar a importância de manter o apostolado da Igreja mesmo em tempos de pandemia. “Proteger as pessoas de sua morte espiritual é a grande responsabilidade da Igreja”, recordou o teólogo em um texto divulgado por National Catholic Register.

“Sou grato por não ser Bispo. Sobre seus ombros, carregam o peso de milhares de almas e, às vezes, essa responsabilidade deve ser esmagadora”, comentou Hahn. O autor esclareceu que não critica as decisões de Bispo algum e compreende a grande dificuldade que isso representa. Recordou que os prelados devem equilibrar realidades complexas antes de tomar decisões como o fechamento de templos ou a suspensão de Missas públicas.

Salvar a alma, a missão essencial

A verdadeira razão do seu artigo, explicou, é a divulgação de algumas interpretações dessas decisões. “Ouvi dizer que aqueles que defendem o fechamento sacramental completo argumentam que a Igreja tem a responsabilidade de salvar a vida das pessoas. Saúde e segurança devem vir em primeiro lugar, afirmam”, relatou. “Sim e não”, aventurou como resposta à essa posição.

“Sim, a Igreja tem a responsabilidade de promover e proteger o bem comum. Isso inclui proteger a vida física dos católicos e de todas as pessoas com quem eles entram em contato”, recordou o teólogo. “Ao mesmo tempo, proteger a vida física das pessoas não é o trabalho mais importante da Igreja. Seu trabalho mais importante é proteger a vida espiritual das pessoas. É proteger as pessoas da morte espiritual. Essa é a maior responsabilidade da Igreja. E é uma responsabilidade muito maior do que prevenir a mera morte física”.

A vida eterna, mais importante que a terrena

Hahn recordou que os fiéis esperam a vida eterna após a morte. Essa vida é um dom mais valioso que a vida física, mas é frágil. “A vida espiritual não será restaurada para todos. Se morrermos em um estado de pecado mortal, se morrermos sem a vida de Deus dentro de nós, não haverá mudança. A vida divina, a vida para a qual fomos criados, não será a nossa”, advertiu. “Isto é o que torna o trabalho da Igreja não apenas bom, não apenas importante, mas também salva vidas. Isto é o que a torna essencial, muito mais essencial que qualquer outro trabalho realizado por qualquer outra instituição ou empresa”.

Nesta tarefa, os sacramentos têm um caráter vital, porque são os meios ordinários pelos quais os fiéis obtêm a graça de Deus. “Deus pode derramar sua graça por outros meios? Sim”, acrescentou o teólogo. “Mas Ele não nomeia esses meios nem nos encoraja a segui-los. Existe apenas um caminho que nos apresenta para Ele e esse caminho é pavimentado pelos sacramentos”.

“Deus nos chama todos para o céu. Ele nos chama todos a Ele. E precisamos que a Igreja Católica nos ajude a atender a esse chamado. Esse é o trabalho da Igreja”, concluiu Hahn. “Não para nos manter fisicamente seguros, mas para nos ajudar a dizer sim às graças da salvação, para que possamos viver para sempre, em corpo e alma, como Deus nos fez viver. E não há trabalho mais importante”. (EPC)

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