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Presidente do Episcopado Polonês adverte sobre o desvio do Caminho Sinodal Alemão

O Arcebispo Gadecki escreveu uma carta extensa e sincera ao seu homólogo alemão.  

Redação (22/02/2022 16:39, Gaudium Press) Em uma carta muito pessoal e próxima, ao mesmo tempo franca e clara, o presidente do episcopado polonês, Mons. Stanislaw Gadecki, dirigiu-se ao seu homólogo na Alemanha, Mons. Georg Batzing, para manifestar sua “profunda preocupação e apreensão com as informações recentemente recebidas de algumas esferas da Igreja Católica na Alemanha”.

O arcebispo polonês quer, assim, mostrar a Mons. Batzing “minha preocupação com a validade das declarações feitas por alguns círculos da Igreja Católica na Alemanha, especialmente no contexto do ‘caminho sinodal’”.

“Vejo com apreensão as ações do “caminho sinodal” alemão até agora. Observando seus frutos, tem-se a impressão de que o Evangelho nem sempre é a base da reflexão”, afirma.

“Uma das tentações da Igreja hoje é comparar constantemente os ensinamentos de Jesus com os desenvolvimentos atuais da psicologia e das ciências sociais. Se algo no Evangelho não condiz com o estado atual dos conhecimentos dessas ciências, os discípulos, querendo salvar o Mestre para que não se comprometa aos olhos de seus contemporâneos, procuram “atualizar” o Evangelho. A tentação de “modernizar” diz respeito particularmente ao âmbito da identidade sexual. Esquece-se, no entanto, que o estado do conhecimento científico muda com frequência e às vezes dramaticamente, por exemplo, devido a mudanças de paradigma. A mutabilidade é inerente à própria natureza da ciência, que tem apenas um fragmento de todo o conhecimento possível”, adverte Mons. Gadecki.

“Alguns erros históricos da ciência, como doutrinas racistas ou eugênicas, têm consequências dramáticas”, enfatiza.

Slogans desgastados e reivindicações padrão

“Fiéis ao ensinamento da Igreja – continua o prelado – não devemos ceder às pressões do mundo ou aos padrões da cultura dominante, pois isso pode nos levar à corrupção moral e espiritual. Evitemos a repetição de slogans desgastados e reivindicações padrão como a abolição do celibato, o sacerdócio das mulheres, a comunhão dos divorciados e a bênção das uniões entre pessoas do mesmo sexo”.

Depois de afirmar estar ciente de que a Igreja na Alemanha “está constantemente perdendo seus fiéis” e que “o número de sacerdotes diminui ano após ano”, Mons. Gadecki adverte contra um “pensamento corporativo” que estaria expresso no aforismo “não há funcionários suficientes, então vamos abaixar os critérios de contratação.” A causa da crise vocacional não está relacionada com questões como a exigência do celibato. “Os clérigos muitas vezes se tornaram pouco mais do que especialistas em políticas sociais, migratórias e meio ambientais”, ressaltou. “O que atrai as pessoas para a Igreja e o sacerdócio não é uma oferta de vida fácil, mas o exemplo de uma vida totalmente consagrada a Deus”.

Temas já resolvidos

O arcebispo de Poznan recorda que o assunto da ordenação de mulheres já foi resolvido por São João Paulo II, magistério repetido pelo atual Pontífice, o que não impede que as mulheres exerçam funções transcendentais na Igreja.

Mons. Gadecki critica fortemente a “prática errônea e escandalosa”, favorecida pelo chamado caminho sinodal alemão, de “abençoar as relações entre pessoas do mesmo sexo” e sua tentativa de “mudar o ensinamento da Igreja sobre o pecado dos atos homossexuais”, explicado no Catecismo da Igreja e num documento da Congregação da Doutrina da Fé.

Finalmente, o Arcebispo convida seu irmão no episcopado a não sucumbir à pressão do mundo.

 

 

 

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