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Porque o Santo Padre Pio atraiu e atrai tantas almas?

Ele passava de dez a quinze horas diárias administrando o Sacramento da Reconciliação. Chegou inclusive a ser proibido de celebrar a sua Missa diária em público.

Redação (21/09/2020 10:08, Gaudium Press) Pietrelcina é uma cidadezinha do Sul da Itália, cercada de terras férteis, mas rochosas. Ainda hoje se pode caminhar por suas ruas estreitas, de pavimentação irregular, sentindo a atmosfera dos tempos de outrora.

Em 25 de maio de 1887, ela assistiu ao nascimento de um menino, batizado com o nome de Francisco, que com o correr dos anos se tornaria conhecido em toda a terra.

Trata-se do “mártir” do confessionário, que possuía o dom de ler as consciências e passava de dez a quinze horas por dia administrando o Sacramento da Reconciliação; do sacerdote perseguido, que por pouco mais de dois anos chegou a ser proibido de celebrar a sua Missa diária em público, de atender confissões e até de dar conselhos espirituais àqueles que os solicitavam; do religioso que guardou obediente silêncio ante tal situação; do frade capuchinho procurado por multidões vindas de todo o mundo: São Pio de Pietrelcina.

A tudo isso soma-se o fato de ele haver recebido em suas mãos, pés e lado o sinal patente, sobrenatural e doloroso dos estigmas, os quais lhe marcaram a vida e o apostolado durante cinquenta anos.

“Sou apenas um pobre frade que reza”

Sobre esse monge estigmatizado, que assombrou e ainda assombra o mundo inteiro, comentou o Papa Paulo VI: “Vede que fama teve o Padre Pio! […] Mas por quê? […] Porque celebrava a Missa humildemente, atendia confissões desde a manhã até à noite, e era um representante visível dos estigmas de Nosso Senhor. Era um homem de oração e de sofrimento”.

Um de seus biógrafos assim resume sua existência: “um genuflexório, um altar, um confessionário”. Essas três palavras indicam os lugares onde passou a maior parte de seus dias, dedicados à oração, à celebração da Santa Missa e ao atendimento dos milhares de penitentes que se ajoelhavam para pedir perdão, como também uma luz no caminho de suas vidas.

Padre Pio orava a todo momento e em todos os lugares. Era essa a fonte da qual ele extraía forças. “O que essas pessoas querem de mim? Sou apenas um pobre frade que reza”, dizia de si mesmo.

Vivia da Missa e para a Missa

As Missas celebradas pelo Padre Pio constituíam um maravilhoso espetáculo de piedade e de fé. Ele subia ao altar sem as luvas que normalmente cobriam os estigmas das mãos, e quem pôde contemplá-lo nessas ocasiões nunca esquecerá. Os fiéis se aglomeravam em frente à igreja duas horas antes do início do Santo Sacrifício, a fim de ocupar os primeiros lugares, e todos saíam tendo crescido em devoção.

Diz-se que o Padre Pio vivia da Missa e para a Missa. A esse respeito, na década de 1950 o embaixador francês na Santa Sé declarou: “Nunca em minha vida assisti a uma celebração tão desconcertante e, no entanto, tão simples. […] A Missa adquiria não sei que proporções e tornava-se um ato absolutamente sobrenatural”.

Mais do que para ouvir suas homilias, os fiéis acorriam para participar na celebração que era, por si, uma pregação. Todos queriam ter contato com ele. No caminho para o altar ou para o confessionário, procuravam tocá-lo, amontoavam-se junto a ele, expunham-lhe suas tristezas, pediam orientação.

Quando, em setembro de 1916, ele chegou a San Giovanni Rotondo – ao “convento da desolação”, chamado assim por um capuchinho da época devido ao fato de muito poucos fiéis frequentarem sua igreja – ninguém imaginava que, anos depois, multidões se dirigiriam para lá desejosas de assistir às suas Missas e de se confessarem. Almejavam elas receber conselhos espirituais, resolver problemas familiares ou mesmo que lhes acontecesse um milagre.

“Mártir” do Sacramento da Reconciliação

Os testemunhos de penitentes que se confessaram com o Padre Pio revelam o quanto ele se mostrava severo com quem não estava compenetrado da gravidade de seu pecado nem determinado a abandoná-lo, e, ao mesmo tempo, paternal, compreensivo e encorajador com quem se arrependia de suas fraquezas.

Alguns dos que a ele acorriam deparavam-se com atitudes talvez desconcertantes, mas isso não os desanimava: invariavelmente voltavam a procurá-lo. “É pecado, é pecado” – costumava repetir a quem recebia o Sacramento da Reconciliação – “Se você não quer deixar de ofender a Deus, o que vem fazer aqui?”

Os penitentes do Padre Pio provinham não apenas das cidades vizinhas, mas também de toda a Itália e do exterior. Como seu número aumentasse sempre mais, optou-se por distribuir senhas e fazer turnos, chegando, em alguns dias, a estender-se o atendimento por até dezesseis horas! No ano de 1967, ele confessou cerca de quinze mil mulheres e dez mil homens, cerca de setenta pessoas por dia.

“Uma multidão de almas sedentas de Jesus cai sobre mim” – dizia aos seus – “Não me deixam livre um momento”. O dom de ler as consciências e esquadrinhar os corações o tornou célebre: “Eu os conheço por dentro e por fora”, reconhecia. Àqueles que há muito tempo não se confessavam, ele os lembrava de seus pecados esquecidos.

O Padre Pio passou grande parte de sua vida no confessionário, ouvindo as misérias e dores humanas com admirável paciência. Pode ser considerado um “mártir” do Sacramento da Reconciliação. “Sinto-me bem, mas estou sobrecarregado com centenas e milhares de Confissões que ouço dia e noite. Não tenho um instante para mim”, declarou certa vez.

Enviado por Deus para converter os homens

Exausto pela generosa entrega a seus irmãos, o capuchinho estigmatizado expirou na madrugada do dia 23 de setembro de 1968, com o rosto sereno e o rosário em suas mãos. Tinha oitenta e um anos.

Bento XV, o Papa que governava a Igreja quando a fama do Padre Pio começava a espalhar-se pela Itália, descreveu-o como “um homem verdadeiramente extraordinário, dos que Deus envia de tempos em tempos à terra para converter os homens”.

No dia de sua canonização, São João Paulo II afirmou: “Padre Pio foi um generoso dispensador da misericórdia divina, estando sempre disponível para todos através do acolhimento, da direção espiritual e, sobretudo, da administração do Sacramento da Penitência”.

Pe. Fernando Néstor Gioia Otero, EP

Texto extraído da revista Arautos do Evangelho n. 225  Setembro 2020.

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